segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Presente de Natal Atrasado

Depois de 25 dias de repouso, respeitando fielmente o que esta palavra poderia representar, veio a boa notícia: o descolamento sumiu.
As pessoas que duvidaram da minha capacidade de ficar quieta não conhecem o meu lado prudente. Mais que agitada, sempre fui obediente. Eu não ME perdoaria, se eu perdesse o bebê e não tivesse a mais absoluta certeza de que fiz da melhor forma, a minha parte. E em se tratando de saúde, eu simplesmente não discuto com médico, pois eles que sabem das coisas. Eu não. Eu sou En-ge-nhei-ra. Os mesmos seis anos que me dediquei para entender máquinas, eles passaram entendendo o corpo humano.
Pode parecer frescura, mas foi um dos períodos mais difíceis que tenho lembrança de ter vivido. Não desejo pra ninguém. Estava quase chamado meu travesseiro de "Wilson" e fazendo uma carinha nele. Neste período me senti um ganso desses criados para fazer "foie gras"... E pra uma gestante gordinha, colocar por água o plano de fazer exercícios por um tempo, dá medo de parar na Discovery guinchada pra ir pra sala de parto. Mas graças a Deus estou com o peso que voltei da Itália. Ainda restam esperanças. 
Fizemos hoje pela manhã o ultrassom morfológico do primeiro trimestre que deu a tranquilidade para os papais pois o bebê se desenvolve perfeitamente e mapeamento de riscos de anomalias não acusou nada. Estamos felizes. O próximo ultrassom, se Deus quiser, já será para saber o sexo do bebê. E agora já estou curiosa.
Papai Noel deu pra mamãe e pro papai o colamento que pedimos e pro bebê, muitos muitos presentes. Um mais lindo que o outro. Já estamos animados para começar a montar o quarto. 
Uma coisa que aprendi nestes 25 dias de quietude foi que a família da gente tem um lugar insubstituível. E por mais que tenhamos amigos, de montão e dos bons, tem certos momentos que só nossa família supre o que a gente precisa. Sinto uma gratidão enorme por minha família, e isto inclui a família do Leo, que também já é minha. Os cuidados do meu marido, dos meus irmãos, dos meus cunhados, da minha mãe, são simplesmente provas de um amor que me senti embanhada neste longo período. Com direito a surpresa da família de Brasília vir e passar junto na casa do meus sogros o Natal, sobrinhas deitadinhas com a tia, pois sabem da importância que é a união para nossa família.


Estou feliz hoje.
Bem feliz.
Meu médico já avaliou os exames e dia 05/Janeiro/2015 estou de volta ao trabalho. O bebê não está mais em risco e terei minha vida de volta. Ainda que diferente, mas terei vida. O repouso é triste demais. Nem sei quantas vezes chorei...
Intensas 12 semanas na minha vida.
Mais calmamente levarei a vida. Não há porquê ter pressa, tão pouco querer fazer tudo sozinha... Esta foi, sem dúvidas, a maior lição de todas. 

 
Música do Dia: NÃO CHORES MAIS (NO WOMAN NO CRY) - Que eu acho que compuseram para uma gestante que teve descolamento, rsrsrs -

Mas, se Deus quiser!
Tudo, tudo, tudo vai dar pé...
No Woman, No Cry...
Não, não chore mais
Menina não chore assim!
Não, não chore mais
Oh! Oh! Oh!
No Woman, No Cry...


 



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Status Report da Mamãe e do Bebê

Ontem completamos quinze dias de cuidados especiais em função do descolamento do saco gestacional. O caso mais comum que se imagina e que aflige as grávidas por aí. Trata-se de uma espécie de ematoma, igual quando a gente bate um braço, e tem que esperar sarar, cicatrizar, sair o roxo e tal. O próprio corpo a de absorver. O medicamento é basicamente um hormônio que tende a relaxar o útero o fazendo tomar partes que antes não tomaria, ocupando inclusive este pedacinho do ematoma que como não faz contato com o útero, se ampliado causaria o aborto espontâneo. O que não vai acontecer, se Deus quiser. A esta altura já googlezei tanto sobre o assunto que sei que cerca de 18% dos abortos no Brasil acontecem por esta causa. Aí tem as outras lá que preferi nem ler. Ontem fui a um novo ultrassom pela manhã e à minha consulta pela tarde.
Meu descolamento que começou com as dimensões de 10×8×9mm, e que na primeira semana diminuiu consideravelmente para 2,5×4,4×4,2mm, nesta mais uma semana não melhorou quase mais nada, num quadro de estabilização. Desta forma, por medidas de precaução, sigo em casa até o fim do ano, 31/12/14.
Semana que vem teremos o ultrassom morfológico, talvez o mais importante da gravidez, pois detecta a saúde e desenvolvimento do bebê, descarta possíveis más formações, síndromes, etc.
Faremos às vésperas do Natal.
E conseguiremos ver se o descolamento enfim, foi-se embora. Como depois dos cinco descobri que Papai Noel é Deus, na verdade, não preciso nem dizer o que pedi pra Ele neste Natal...
Na primeira semana, estava com tanto medo de perder, que fui completamente xiita no repouso, embora o médico falasse repouso com bom senso. Mas eu não. Se é pra repousar, vamos repousar. Passei a semana sem descer nem as escadas de minha própria casa. Minha mãe estava comigo e até comer eu comia na cama. Veio a melhora surpreendente: o descolamento melhorou mais que 50%.
Na segunda semana, dei uma relaxada. Não dirigi, continuei no Home Office, mas descia devagar as escadas pra preparar meu almoço, lavava meu prato, ficava sentada jogando jogo de tabuleiro com meus sobrinhos adolescentes que me tiraram dum estado de só chorar na sala, subia as escadas para ir ao banheiro, ou seja, fui menos xiita. E coincidentemente ou não, não teve evolução. Perguntei ao meu médico se o repouso absoluto da primeira semana era o responsável por tamanha melhora. Ele disse que não dava pra saber ao certo, mas pra eu seguir meu instinto. E meu instinto é xiita. Então que se dane o mundo, daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. Estou em repouso absoluto de novo e me deixem quieta. Pedi ajuda à família. Minha irmã virá alguns dias me ajudar, e minha mãe nos outros. Leo faz tudo por nós dois, eu e o bebê. Café da manhã, jantar, traz frutinhas, não pára de beijar minha barriga e conversar com o bebê.
Esta fase tem sido um intensivão de aprendizados: paciência, fé, desaceleração e humildade. Não tenho dúvida que tudo que chorei ontem não foi mais de medo. Tenho plena convicção de que o bebê está e ficará bem. Mas eram lágrimas de independência, auto-suficiência e orgulho lavando a minha cara. A gente do pó veio, e somos assim, pequenos como um grão. Sozinhos não somos nada. Existe uma conexão entre cada uma das partes que é mais forte que às vezes pensamos. Quando triste liguei pra minha cunhada Tata, com quem já me desentendi algumas vezes na vida, pude me sentir tão amada, independente de tudo, independente do que eu faço, mas simplesmente pelo que eu sou. Não era a Ana que cozinha, a Ana que trabalha duro, a Ana que fotografa todas as festas. Era a Ana que não está podendo fazer quase nada e que pedia arrego: "fica comigo? Minha mãe não pode esta semana e estou me sentindo muito sozinha..." E fui prontamente acolhida. Não tenho dúvida que nada é por acaso. Ninguém tem elos à toa. E que tudo vai ficar bem...
No trabalho as pessoas têm me ajudado tanto... Não são apenas colegas, são amigos pra vida toda, tenho certeza.
As palavras positivas de quem já passou por isto são também fundamentais nesta hora. E saber das amigas que passaram também sem êxito, lembrar que perderam bebês, me faz as amar e admirar ainda mais, com uma dose extra de solidariedade...
A parte boa é que ainda que o descolamento não diminua, com o passar do tempo o bebê e o saco gestacional vão crescendo, crescendo... de uma semana pra outra dobra de tamanho, às vezes. Semana passada o bebê tinha 2,5cm e ontem já estava com 4cm.
Não é mesmo o milagre da vida? E ele crescendo, o descolamento vai ficando proporcionalmente menor, menos grave.
Cada vez mais com formato perfeito de uma pessoa, tão amado que será.
No ultrassom de ontem ele se mexia. Parecia ficar brincando de nadar. Foi também emocionante. Leo parecia criança: soltou um "Olha!!!!!! Ele está se mexendo sozinho!!!!" Totalmente entusiasmado pela vida que geramos. Estamos felizes. E confiantes. E cautelosos. Deixem-me ser xiita independente se isto que garantirá o sucesso disto ou não. #RumoAoDescolamentoZero
No mais, sigo minha vida de gestante básica.
Enjôos.
Cãimbras.
Azia.
Excesso de salivação ( a gente acorda engasgando com tanto cuspi e decidi pôr uma toalha pra babar em paz).
Gengiva que sangra quando passa fio dental.
Imunidade tende a baixar pra que o corpo não entenda o bebê como "corpo estranho" então já peguei gripe.
Olfato aumenta dez vezes então nego peida da esquina e você sente aqui.
Dor de cabeça.
Intestino mais preguiçoso, requer alimentação estimulante para evitar hemorróidas que são comuns nas gestantes.
Nojo de cheiros como cigarro (ainda que de um vizinho beeeem distante), tinta, perfume muito doce.
Noites recheadas de pesadelo.
Gases.
Picos emocionais (Só eu choro desenfreadamente com os comerciais da Vivo??? Hooo, gente! Concorrente, gente!).
Enfim, acho que as amigas mamães não costumam falar muito da parte ruim de estar grávida pois a parte boa é tão boa, tão boa, que as fazem esquecer. Mas quero quebrar aqui um tabu e dizer: a normalidade me atingiu. Eu tenho tudo que eu pensava "quando eu ficar grávida acho que não sofrerei com isto". Lhufas! Pensamento positivo não a de ser mais forte que as leis da natureza. A gente gera uma vida! É, sem dúvidas, um milagre, o que mais nos aproxima de Deus. Nosso filho ou filha é amado(a), sonhado(a), planejado(a), muito esperado(a) e nada mudará isto. Ser mãe é a realização de um sonho e sobretudo de uma missão espiritual: queremos fazê-lo(a) livre e feliz. É muito mais que um capricho pessoal de querer brincar se casinha. Mas, véi, na boa, não tem sido nada coxinha ser gestante.
E pra aqueles que dizem impetuosamente "gravidez não é doença" (de fato a causa é pra lá de nobre, mas olha esses "sintomas"!!!) só tenho uma hashtag pra dizer: #tomanocu
 
 
Música do dia: Time After Time (porque AMO a versão cantada por crianças no comercial da Vivo e porque tem tudo a ver com meu momento de desaceleração, a vida já passa na velocidade 4G. Não precisa eu também ser tão acelerada.... bebê que nem nasceu e já me ensina tanto)
 
Tradução de uma parte especial:
 
"Às vezes você me imagina
Estou andando bem à frente
Você me chama, mas não consigo ouvir
O que você disse
Então você diz, vá devagar
Eu começo a diminuir o ritmo
O ponteiro dos segundos vai pra trás.."
 
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cinco nem sempre é dez

Entrei uma pessoa sistemática e perfeccionista na faculdade de Engenharia e sai um tanto mais simples e menos exigente de mim mesma de lá. Era questão de sobrevivência: querer tirar sempre dez era loucura e eu não suportaria tantas decepções ao longo de seis longos e duros anos (como um japonês da FEI que na época não suportou e se suicidou. Pensei comigo: o limiar da loucura, todos temos. Melhor que eu não me teste). Estabeleci minha nova filosofia de vida pra época que era "darei sempre meu melhor e aceitarei com humildade os resultados, sejam quais forem, pois terei a consciência tranquila de ter feito tudo que podia." E aprendi que cinco é dez. Não precisa ser perfeito. Precisa ser o exigido. 
Ontem vi que o "cinco é dez" não se aplica para qualquer área da vida da gente. Fiz meu melhor desde que descobri o descolamento. Nem as escadas da minha própria casa eu desci graças à ajuda impagável de meu marido e de minha mãe, que me suportaram por sete dias com tanto amor. Sempre fui xiita. Se é importante repousar, vamos repousar. Por uma semana só levantei para ir ao banheiro e tomar banho. Malemá, no último dia, montei a árvore de Natal para sair de um estágio quase depressivo. Minha mãe é sensível e maravilhosa e trouxe alegria ao meu dia. 
Ontem fiz novo ultrassom. E como tudo na vida, teve as boas e más notícias.
A boa: bebê está crescendo perfeitamente (ouvimos de novo seu coração e desta vez teve até a vovó materna na platéia). O descolamento também diminuiu muito! Mais que a metade: era de um centímetro e passou a ser de 0,48 cm depois de uma semana de repouso absoluto e medicação certa. 
Fiquei eufórica! Mais uma semaninha e estarei zero bala. Hashtag Rumo ao Descolamento Zero! Até passei o Status Report ao meu Gestor dizendo que na semana seguinte estaria de volta. 
A noite veio a parte da má notícia: meu médico viu os exames e disse que qualquer descolamento deste tamanho ainda é um risco de aborto e não considera o risco mitigado. Nada deve mudar em minha rotina na próxima uma semana. Até dia 18 de Dezembro, devo permanecer usando a medicação. Repouso por mais uma semana. Quer novo ultrassom em uma semana quando o visitarei pois é o dia da consulta de pré Natal já agendada.
Achei que teria vida mais normal a partir de terça. Mas seguirei por aqui, em casa. 
Chorei. Confesso não aguentar mais esta rotina que parece de doente. Sei de tudo que meus amigos e familiares diriam numa hora destas: pelo menos você não tem dor, é para o bem do bebê que é tudo que importa agora, tenha paciência, pelo menos você tem um marido maravilhoso que te ajuda em tudo, assista filmes, leia, ainda bem que existe Candy Crush e para ter vidas infinitas basta manipular o relógio do iPad, trabalhe remoto que distrai, enfim, eu sei todos os pontos pelos quais estou realmente grata. Mas confesso estar cansada. Confiante, mas cansada. 
E uma coisa que acho que já mudou dentro de mim para sempre é a pressa com que eu levava a vida. Eu dizia que minha rotina era sempre créu nível cinco. Eu fazia sempre mil coisas ao mesmo tempo. Achava bárbaro fazer logo todo meu To Do List para que novas coisas viessem e assim eu me sentisse útil na Humanidade. E isso era em tudo! No trabalho, no voluntariado, na família, em casa... Agora me pego assim: se quero ser realmente útil para meu filho ou filha, tudo que tenho que fazer é nada. Como um grande sinal da vida dizendo: "Calma, tudo está em calma... Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure... Deixe que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu...."
Sinto isto na pele, cravado. Cada vez que ao levantar para fazer xixi lembro da voz do meu médico e dos queridos dizendo: "faça as coisas com calma. Ande devagar. Mude o passo devagar." Sem dúvidas a maior mudança, a maior quebra de paradigmas de minha vida. Pra quem já gastou tantas sessões de terapia dizendo que temia ser tão tão tão acelerada, pra quem já ouviu da terapeuta "não espere ter um AVC para cuidar mais de você", sinto que esta gestação já trouxe mudanças intrínsicas em minha vida. Achei que nunca cantaria esta música para falar de mim, mas acho que chegou o grande dia, 33 anos depois: "Ando devagar porque já tive pressa..."
Até dia 18/12/14 tem chão! Ou melhor, quase sem nem pisar no chão.... 



Música do dia: A Idade do Céu (Zélia Duncan)

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure

Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Ranhan! Anhan! Hum! Hum!
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah!

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

A mesma idade
Que a idade do céu
Calma!

 
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O passarinho do Nenê

Ponto alto do post de hoje é que desde a última quinta-feira, passamos a receber a visita diária de um passarinho lindo que canta muito alto na janela do quarto onde dormirá o bebê, se Deus quiser. É como um despertador: todos os dias impreterivelmente às cinco ele aparece, canta por mais ou menos trinta minutos e vai embora. O Leo, papai de sono leve, já tinha reclamado dele e na madrugada de ontem, que acordei às quatro da manhã e não consegui mais dormir, eu pude presenciar a ilustre visita.
Achei lindo e romântico e ao mesmo tempo pensei: "Será que ele vai acordar o bebê todos os dias como acorda o Leo?", numa visão bem menos poética. Deixemos isso pra depois. Faltam ainda mais ou menos 31 semanas mesmo...
Entrei na nona semana. O bebê acaba de ser promovido de embrião para feto. Estamos felizes e confiantes.
Sigo em repouso absoluto, por conta do descolamento que identificamos na semana passada. Basicamente a casinha do  bebê tem um "teco" que está desgrudada do útero com risco de aborto. Tratamento se resume a colocar hormônio no útero (imagine uma cola Tenaz) e por isto a importância de não andar para mantê-lo no lugar certo por mais tempo possível, mantendo a eficácia do tratamento. Alguns casos não precisa tanto. Só de não se fazer esforço, já resolve. Já o meu, como é 1 cm de descolamento, meu médico me afastou por dez dias. 30% completed. Estou que nem desço as escadas aqui d casa (moro num sobrado). Evito mesmo. Quero ter a certeza de que fiz o meu melhor. Tenho tido pesadelos todas as noites (como eu li um dia no livro sobre gravidez e achei bizarro) o que é facilmente explicado pelo medo que estou tendo. Em geral sou otimista e confio muito em Deus. Mas sei que os casos de aborto de amigas queridas que passaram por isto, não eram casos de estarem descobertas das proteções Divinas. Tem planos que a gente simplesmente não entende. E logo, tenho medo. Temos conversado muito com o baby. Dias desses expliquei que queremos muito que ele venha, faça parte de nossa família, que amaremos tanto, e seremos todos felizes juntos. Aí no final falei pra ele: "Aparece hoje no sonho do papai. O exame para falar se é menino ou menina agora é caro." Na mesma noite o Leo sonhou com a festa de 1 ano de um menininho. Não sei se ele ouviu minhas preces ou se entrei com senha de root no psicológico do meu marido, mas foi divertido. Seguimos aguardando o quarto mês para descobrir o sexo. Não tem pressa.
Quinta-feira desta semana teremos novo ultrassom. Se Deus quiser estará tudo coladinho. Aconteceu com duas amigas muito queridas, Roberta e Luciane, e depois de dez dias estavam 100%. E o susto passou. Que o meu caso seja como o delas. Amém.
Estou fazendo Home Office. Meu médico me autorizou. Fico meio deitada, meio sentada para conseguir digitar. É bom para manter a sanidade e o dia passa muito mais depressa. Só na sexta que realmente não trabalhei pelas dosagens que deram muito sono. E descobri que o mesmo episódio de Friends que passa as sete da manhã, é o que passa às treze e o que passa às dezenove. Ei, Warner! Não tem pena dos acamados? Não é nada fácil. Por vezes, na empresa em que trabalho, me pegava bocejando e desejando estar em casa assistindo Sessão da Tarde. Agora que poderia estar, queria mesmo era estar boa, podendo ir trabalhar sem essa preocupação da sáude. É fato: saúde é nosso bem mais precioso. Com ela a gente corre atrás de todo o resto. Todo o resto é peanutis...
Mas sinto uma gratidão enorme. Pelo marido que não cansa de cuidar de mim e do bebê. Pela minha mãe que está vindo para me ajudar e me fazer companhia até o dia do próximo exame. Pelo colchão bom que foi presente do meu irmão e cunhada e pela TV paga. E tenho pensado muito nos doentes de verdade, que não tem esperança de levantarem da cama, e meu Deus, como me sinto abençoada diante disto tudo...
Logo voltarei com boas novas.
Por hora, vamos focar no belo, porque não há que se perder o belo olhar da vida! O passarinho do bebê... Calma! Não estou falando que ele é menino. Ainda não sabemos. Mas que ele já tem mais um amiguinho, ele tem.

Cola e fica bem, babyzito!


Música do Dia: Ai, que saudade docê (Geraldo Azevedo/ Elba Ramalho/ Zé Ramalho )

Não se admire se um dia
 Um beija-flor invadir
 A porta da tua casa
 Te der um beijo e partir
 Fui eu que mandei o beijo
 Que é pra matar meu desejo
 Faz tempo que eu não te vejo
 Ai que saudade d'ocê...


Se um dia ocê se lembrar
 Escreva uma carta pra mim
 Bote logo no correio
 Com a frase dizendo assim
 Faz tempo que eu não te vejo
 Quero matar meu desejo
 Te mando um monte de beijo Ai que saudade sem fim





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O bater de um novo coração

E assim foi. De fato chorei. Eu e Leo ali, no ultrassom da oitava semana quando o médico disse  "E agora a música que vocês mais vão gostar na vida." E ouvimos aquele bater de coração alto e rápido, como manda o figurino. Foi instantâneo. O som e a lágrima, instantaneamente. Foi mágico! Ver o embrião tão pequenininho com formas de cabeça, tronco e membros foi lindo! Bracinhos, perninhas... dá pra acreditar?
Não sei explicar. Rolou um respeito maior à vida, um amor maior a Deus...
O Dr. Bertoletti, senhor experiente, narrando lindo de fundo, independente de ser seu milésimo ultrassom: "Ta aí o milagre de Deus. Agradeçam todos os dias. A gente vê milagres assim aqui todos oa dias. É Deus."
Dia inesquecível.
Desde a última vez que brigamos, o papai Leo mudou da água pro vinho. Tem estado tão mais próximo, cozinha todos os dias, arruma a casa, carrega tudo pra mim. Pedi perdão pelas bobagens que eu falei pra ele, chorando. Muita gratidão. Um filho une mesmo o casal. É muito amor em jogo.
No dia do ultrassom tivemos um susto também, que se amenizou ontem após eu ver meu médico. Estou com um pequeno descolamento do saco gestacional. Basicamente é a casinha do neném que deveria estar em sua totalidade grudadinho no útero mas tem um tequinho desgrudado. Resultado: dez dias de molho andando o mínimo possível e medicada. Meu médico disse que é mais comum que imagino e que o perigo é não cuidar, mas que cuidando vai ficar tudo bem. E assim farei. Se precisar beber super bonder a gente bebe. Pernas pra cima, pensamento em Deus e tudo ficará bem.
Daqui uma semana farei outro ultrassom pra acompanhar a evolução. Vai ter sarado, tenho fé.
Estou feliz em identificar precocemente e por ter condições de cuidar. Gratidão que não cabe no peito pela dedicação do Leo e muita certeza de que logo tudo estará colado. A gente quer um filho livre, feliz e descolado, mas não assim exatamente. Rs.
 
 
Música do Dia: Quando você passa (Turu Turu) :: em homenagem ao novo coração que bate <3 ::
 
Se esse turu tatuado no meu peito
Gruda e o turu, turu, turu, não tem jeito Deixa sua marca no meu dia-a-dia
Nesse misto de prazer e agonia 

Nem estou dormindo mais
 Já não saio com os amigos
Sinto falta dessa paz
Que encontrei no seu sorriso
Qualquer coisa entre nós
Vem crescendo pouco a pouco
...
 
 
 
 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Comer, peidar e amar

Antes minha rotina na semana era mais ou menos assim: acordava por volta das seis e quinze e me arrumava para depois de aproximadamente uma hora estar a caminho do meu trabalho com meu marido "Oscar" (temos só um carro que compartilhamos de forma feliz em 99% dos casos). Duas horas depois, eu chegava ao meu trabalho (preço que decidimos pagar para morar numa casa como sonhamos em meio à natureza). Duas horas pra ir e quase duas pra voltar. E nestas horas de trânsito por muitas vezes íamos lendo a Superinteressante que assinamos, um livro budista, ou um livro destes gurus inovadores do mercado. Ou ouvindo playlist nova que baixamos, contando piadas, conversando muito (em geral eu falando muito mais que o Leo). Depois das longas horas de trabalho, que nunca se resumiram a oito horas por dia, pois somos de TI, vínhamos pra casa se mais pro começo da semana ou íamos para nossa agitada vida social, de quarta pra frente: ora jantávamos fora, íamos ao cinema, ver peças stand ups, shows, enfim, se sofremos tanto por estarmos em São Paulo pelos ônus que esta cidade nos traz, fazíamos bom uso e fruto de seus bônus também. Quando vínhamos pra casa, eu adorava cozinhar (e isto explica muita coisa, todos os kilos a mais desde que nos encontramos). Cozinhava mesmo! As duas horas de trânsito pra casa nunca foram de me abater na cozinha. Eu fazia tudo aquilo que via na TV e meu maior desafio para emagrecer sempre foi resistir a uma boa pratada de arroz e feijão no jantar, fresquinhos que eu fazia todos os dias. Tomávamos nosso banho da noite e depois de nos fartarmos assistindo diariamente ao desenho de "Os Simpsons", Leo jogava vídeo-game e eu ou trabalhava um pouco mais, se eu estava em épocas de projetos difíceis como 3G, 4G, NG (rs), ou passava horas a dentro de atividades da ONG onde sou voluntária, a Make-A-Wish, uma ONG que realiza os verdadeiros sonhos de crianças e adolescentes com doenças graves para lhes mostrar que tudo é possível (a mesma que aparece no filme A Culpa é Das Estrelas). Muito frequentemente eu varava madrugada adentro em minhas atividades da ONG. Realizei sonhos incríveis graças a esta dedicação. Dormir a uma da manhã era prática de todos os dias. Dormir às três era algo que a acontecia pelo menos uma vez por semana. A gente descobre o sonho das crianças e tem que correr atrás das corretas alianças e parcerias, para patrocinar os sonhos. E a Internet sempre foi a ferramenta que me viabilizou chegar a estas realizações. A Internet nos conecta com QUALQUER pessoa do mundo! Acreditei nisto no dia que recebi um email resposta do próprio Gugu Liberato, sem nenhuma intermediação de empresário ou coisa assim. Sou coordenadora dos sonhos com celebridades da Make-A-Wish. Isto quer dizer que, quando o tipo do sonho da criança é "conhecer alguém", cai para que eu estabeleça contato com a tal celebridade (se nacional) e arranje o grande encontro para a realização. E assim viabilizei mais de quarenta deles em um ano, madrugadas adentro. É isso que eu adoro fazer na Internet: compartilhar e me relacionar. Fotografia também sempre foi uma paixão. Horas tirando e dias as tratando. Meu verdadeiro hobby. E isto também enchia minhas noites e finais de semana. Falar com muitos amigos, seja por qual mídia for, sempre foi também uma prática. Eu olhava pra mim e se tivesse que me resumir numa palavra seria entusiasmo. 
Aí engravidei.
Minha vida tinha se resumido em dormir e arrotar nas últimas oito semanas. 
Nada de noites adentro. Passou das dez estou caída de sono. No show do Jorge Benjor sai na metade e fui pro carro dormir. Até sábado não tinha passado mal nenhuma vez, só muito sono. Sono é que nem coceira: não dá nem pra reclamar. Na tentativa de ser uma boa mãe desde já, tenho obedecido ardentemente. Vou dormindo enquanto o Leo dirige uma hora e meia, deixo ele no trabalho, aí eu dirijo os outros trinta minutos até o meu trabalho e adivinhem: estaciono e durmo. Pelo menos meia hora todos os dias. Para só então conseguir subir pra minha mesa. Depois do almoço, só de pé nas reuniões pra parar acordada. Na hora de ir embora, contando no relógio o mínimo que tenho que fazer por dia, dirijo mais ou menos uma hora até o trabalho do Leo (por sair no horário de pico), ele pega o volante e eu durmo. Ele não tá nem se atualizando dos babados da empresa... Sem livros, sem compromissos, sem discussões filosóficas sobre vidas extraterrestres ou vida após a morte que costumávamos ter. Sem piadas. Ele pode vir ouvindo música, notícia ou futebol que eu nem vou criticar. Não sei se ele está em estado de graça por ter agora a esposa muda com que sempre sonhou ou se está estranhando tamanho silêncio. Dá uma certa insegurança tantas mudanças em relação ao casamento... Chegamos em casa e eu corro pro quarto com ventilador de teto ligado, com nojo de todos os cheiros não consigo cozinhar. E o Leo faz pacientemente a comida pra mim. Eu nunca sei dizer o que eu quero. Mas tenho toda ênfase para dizer o que não quero de jeito nenhum. Que saudade de bater uma pratada de pedreiro, confesso. Desde que descobri, emagreci quatro quilos...
Esta tem sido minha vida.
Por oito semanas se resumiu em dormir e arrotar.
Agora vejo ampliar: dormir, arrotar e enjoar.
Amiga Dani hoje falou pelo Whatsapp; "Segura a onda que está só começando."
PÉEEEM! RESPOSTA ERRADA! A resposta certa é: "tenha esperança que no quarto mês tudo melhora." Rsrs. E seguimos com esta esperança.
Em meio a um humor que não lembro de ter tido na vida, meio bege, meio morno, tenho a impressão de sentir quase uma tristeza. 
Mas ei que em meio a um minuto de sanidade, ao fazer carinho na minha barriga querendo que o bebê entenda que apesar dos pesares, eu o quero, e como desejo que esteja bem lá dentro dessa pança, começo a chorar. Em meio aos baixos dos últimos dias, eis que chegou meu ponto alto. Fiquei feliz. Como que tocada por um afago de um anjo. Me pego chorando de emoção com uma música no rádio que nem estava prestando tanta atenção. E pela primeira vez na vida, pude me imaginar o pegando nos meus braços, ainda cheio de sangue, vivo, feliz e chorando. Fechei os olhos por alguns segundos (tive que abrir logo porque estava dirigindo) e desejei do fundo da minha alma ser mãe... Prestei atenção no fim da música e chorei ainda mais. Depois olhei a letra por inteiro e se eu puder escolher uma música pro momento do meu parto, está escolhida... É esta a música que me conectou hoje e que me conectará daqui sete meses com esta alma que chamarei de meu filho ou minha filha...
Toda rotina pode ser resumida a nada. Posso ser este vazio agora, mas sei que se encherá de vida logo mais! 

Música do dia (a que eu quero que toque no meu parto): Pétala (Djavan)

O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar...

Oh! meu amor!
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo, um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver
Viver!

Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim
!!...e fim.

 

domingo, 30 de novembro de 2014

Nem tudo são flores...

Pensamento positivo não foi suficiente para não passar pelo que passam a maior parte das grávidas. E talvez eu poste o que algumas sentiram mas em geral não se tem coragem de falar. Tive um fim de semana ruim. Sensação de intoxicação alimentar só que com a parte de estômago mega embrulhado e dor de cabeça. Nojo de cheiros que me impediram de cozinhar e picos emocionais que me fizeram chorar o sãbado todo. Ora de solidão, ora porque o Chaves morreu, ora de culpa por não conseguir comer o que deveria estar comendo para a formação do meu filho, ora por aí vai. Chorei muito. E infelizmente senti pela primeira vez aquela sensação de "o que eu fiz da minha vida?" quando meu marido passou o dia todo fazendo cerveja para o Natal na casa dos pais dele, teve que ir sozinho ver a peça teatral da minha sobrinha (infelizmente não consegui ir. Estava muito indisposta) e ao pedir que ele viesse embora às 22h, quando acabasse, ele disse que não sabia, pois como estava dando carona para a família, talvez parassem pra jantar. Oi? Entrei em xilique mode (e sinceramente acho que entraria independente dos hormônios pois acho o cúmulo do egoísmo e da falta de solidariedade), discutimos (quer dizer, só eu falei) e eu me arrependi de ter engravidado. Foi péssimo sentir isto. Muita culpa depois, mas seria hipocrisia dizer que nunca senti. Depois chorei horrores, tomei um banho bastante longo, com banquinho embaixo do chuveiro (tive que esquecer da crise da água) e me redimi. Mas sei que certas coisas simplesmente sempre serão iguais. São as queixas de nossas mães e de minhas amigas que já são mães. O otimista tem a péssima mania de achar que coisas ruins não acontecerão com ele. Mas óbvio que acontecem. Ao me ver sozinha o dia inteiro, sem conseguir cozinhar, a única coisa que eu queria, era minha mãe. A primeira briga depois de anos e anos juntos sem brigar. Achei que passaria ilesa mas no way. Homem tem sempre um "quê" de folgado que não dá pra aceitar. Por fim ele veio direto pra casa, fez a janta que eu pedi (batatinhas com carne moída sem nenhum tempero, só sal) e está um clima horrível. 
Por tudo que falei e da forma que falei, acho que deixei claro minhas expectativas mínimas de envolvimento. Não fiz sozinha este bebê e tão pouco escolhi passar mal. Adoraria estar tão bem como antes. As pessoas tem que entender que nem sempre é possível fazer apenas o que a gente gosta. Por vezes é preciso fazermos o que temos que fazer e o nome disto é responsabilidade.
Fim de semana difícil. Pelos passares mal do corpo e da alma. Espero mesmo que tudo isto passe.
Hoje entendi a parte que minhas amigas me falavam: "Nem tudo são flores..."
De fato. 
Pensei em todas as mulheres que conheço e que já são mães. Lindas mães. Boas mães. Pensei em tudo que já passaram e passei a admirá-las muito mais como seres humanos. 
Mas vai passar. Não há mal que perdure, já dizia Chico Xavier.


Música do Dia: Isso (Titãs)

"Isso
Que acontece com a gente
Acontece sempre com qualquer casal
Isso
Ataca de repente
Não respeita cor, credo ou classe social
Isso, isso

Parecia que não ia acontecer com a genteNosso amor era tão firme, forte e diferente..."

 





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Gravidez Disney


Se força do pensamento tem algum poder, terei uma gravidez Disney.

Se as palavras têm, de fato, algum poder, serei um benchmark da gravidez.

Isto porque tenho feito um enorme esforço para filtrar apenas as coisas boas dentre as milhões de informações que recebo sobre gestação todos os dias. Viver na era da Internet tem lá suas vantagens, mas, como às vezes eu acho mesmo que a ignorância é uma benção, então acho que o excesso de informações pode ser maléfico também. Acho que o maior desafio é saber filtrar. Pegar o que é bom e descartar o que não serve pra você.

Então tem sido esta minha estratégia: ouvir o que tem de mais feliz nos relatos de cada amiga que já foi mãe e mentalizar: a minha será assim. Tem dado minimamente certo. Não enjoei nenhuma vez. Nem sangrou minha gengiva. Nem tive cólicas. Nem outros sintomas que prefiro não ficar lendo na Larousse da Gravidez (ler aquilo é mais complexo que estudar pra certificação PMBOK! Tenho olhado as figuras e leio por cima algumas coisas).

 Então eu pego o melhor caso de cada tema e mentalizo e tomo as ações para que seja simples daquela forma pra mim. Por exemplo, minha amiga Rosana sempre foi a que deu os relatos mais bonitos sobre amamentação. O bico do seio dela não rachou, nunca sentiu dor nenhuma dando de mamar e quando deu a luz tinha tanto leite que ao tomar banho ia lavando os azulejos com leite que ia lhe saindo do peito. Ela doava todos os dias para o Banco de Leite, como boa ação para os bebês que não tinham a mesma sorte da Juju e toda vez que me conta tudo isto, sorri tão lindamente que eu pensei: “Eu também vou ser assim.”

Ela me orientou a fazer o que ela fez: passar dez vezes a bucha natural em cada seio em todos os banhos desde o dia que descobrimos estar grávidas. Tratei de comprar a bendita bucha dura e tenho feito exatamente como ela disse. Tem um provérbio que adoro que fala “Reze, mexendo os pés”. E é o que tento fazer: desejo, rezo, mentalizo, mas sigo os conselhos destas mães que são a boa notícia de cada tema. Pois tem sempre a versão mais apocalíptica da coisa: o peito que sangrava, o leite que empedrou ou nem veio, o susto que cortou todo o leite. Mas farei minha parte pensando e agindo positivo em tudo que eu puder. Tenho tomado suco natural, comendo mamão todos os dias (apesar da ânsia que sempre tive e continuo tendo a cada manhã por odiar mamão), e me alimentado corretamente na tentativa de não ter hemorroidas. Minha cunhada Carmen nunca nem tinha ouvido falar que era comum ter isto na gravidez. Estou que nem ela: comendo direitinho e fingindo que esse negócio não existe. E quanto aos hormônios? As pessoas sempre me preparam para o pior: é a pior TPM do mundo! Você vai ver! Vai querer matar Deus e o mundo. E eu penso comigo: “não há de mudar tanto... nunca fui muito meiga.” Mas tenho a  amiga Noemi como exemplo e quero ser como ela. Que sempre relata que os meses de gestação dela foram os mais felizes de sua vida! Que ela não sabe dizer o que aconteceu, mas ela tinha um humor, uma felicidade, que não cabia em si. Eu também vou ser assim. Ou como diz meu amigo japonês, “vive aí no cinco bola.” Referindo-se a 5.0, ou seja, na média. Sem muitos altos nem muitos baixos. No dia que reclamei a ele que eu andava meio “bege”... “Melhor assim.”

Então é assim. Sem enjôos, apenas muito sono (mas tem coisa mais deliciosa que dormir? Não dá pra reclamar. Sinto uma dorzinha de cabeça dessas que só incomodam. Parece que estou andando de ônibus o dia todo. Mas nada de remédios nem Mimimis. Vai passar.
Quando falo do meu sono, as versões mais apocalípticas me dizem: "Aproveita pra dormir agora porque você nunca mais vai conseguir dormir depois que seu filho nascer."
Uau!
Eu respondo:
"Mas eu nunca fui de dormir muito. Meu hábito era dormir à uma da manhã e acordar às seis."
"Não. Mas você vai ver. Vai virar um zumbi!"
Uau!
"Mas eu estou acostumada. Trabalho com IT. Viro várias madrugadas."
"Não, mas você vai ver. Vai ser janela de cutover todos os dias! Você vai se transformar num Walking Dead!"
Uau! Eu fico pensando: "Tem que ser assim? Difícil assim? Será uma regra?"
"Mas eu fiz Leader Training. Fiquei já mais de sessenta horas sem dormir e não morri."
"Mas você vai ver. Você vai morrer."
E eu desisto de discutir. Parece até praga! hahahaha
Meu sonho sempre foi ser uma mãe simples.
Depois de me formar em Engenharia sem nunca ter comprado uma HP48G, é a vez do desafio de ser a mãe sem Mimimis e sem enxoval de Miami.

A sorte está lançada: e viva meu Conto de Fadas!
 
 
Música do Dia: Lua de Cristal (Xuxa)

"Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver que ser, será
Tudo que eu fizer
Eu vou tentar melhor do que já fiz
Esteja o meu destino onde estiver
Eu vou buscar a sorte e ser feliz
Tudo que eu quiser
O cara lá de cima vai me dar
Me dar toda coragem que puder
Que não me falte forças pra lutar"

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bege


Era pra eu estar com a pele mais bonita, com o cabelo perfeito e sentindo o maior amor do mundo? Não estou.

Na sétima semana de gravidez, lucidamente falando, é ainda uma ficha semi-caída. Aquela coisa que você sabe que está grávida, passou pelos picos de felicidade de descoberta e entra numa onda estranha de sentimentos. Não é uma montanha russa, pois não tenho sentido pontos tão altos. Em geral estou bem, normal, nem feliz nem triste e oscilo para o “que tudo estranho, queria ficar dormindo”. Sendo bem sincera é assim que venho me sentindo nos últimos dias.

Estou ansiosa pelo ultrassom da semana que vem que eu verei o coração bater. Mas com certeza hormônios estão mudando dentro de mim e não, não é frescura mudar o comportamento em função deles.

Estou numa fase bege. Nada é muito nada. E eu que sempre fui intensa / xiita, tenho estranhado um bocado esta fase morna / mais ou menos. Espero que passe logo.

No trabalho as pessoas insistem em achar que gravidez vem acompanhada de um pó de pirimpimpim. Eu sempre fui mais pro estilo nervosa, em geral não me conformo com algumas coisas, e odeio gente preguiçosa. Obviamente, estou grávida e não emaconhada. Continuo me irritando. Adoraria não me irritar, mas nada mudou em relação a isto ainda. Continuo com meu tradicional “Namaste, motherfuckers”, que mostra exatamente a minha busca infinita para ser uma pessoa zen versus a pessoa “zen” paciência que realmente sou.

Vamos seguir acompanhando e relatando pra ver estes hormônios o que fazem com a cabeça de uma mulher. Por hora, bege.
 
Música do Dia: Socorro (Arnaldo Antunes)

Socorro
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro
Alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!

 

 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Um Gênio da Lâmpada para chamar de SEU...


- “Vai ser uma menina linda de olhos azuis.”
- “Tá doido? Cê é nazista nesta por#@ pra querer um negócio desses?”
As pessoas têm muitas expectativas em cima de uma gravidez. Não há de ser pecado. Mas acho que a gente poderia ser menos egocêntrico. Afinal, é uma vida que está começando e definitivamente a missão deste ser humano não há de ser atender as suas expectativas. Mas às vezes tenho a impressão de que algumas pessoas jamais entenderão este tipo de coisa.
Fui grosseira com o Leo no dia que ele imaginou o bebê com olho azul, como o azul dos olhos do pai dele. Achei vaidoso demais. Depois ele se explicou e disse que não era um desejo, mas sim como ele imaginava. E assim foi perdoado.
Antes mesmo de engravidarmos também já tinha um fato onde discordei em gênero, número e grau de colocar o nome de nosso possível futuro filho de Sebastião José, para homenagear os avós. Não concordo. “Se você ama muito seu pai, vai lá e abraça ele. " A criança não é homenagem.
Porque normalmente vejo os comentários das pessoas em relação a bebês que acabaram de nascer e sinto muito isto: expectativas próprias pra nome, pra o que vestir, como cuidar, enfim. Parece que perdem mesmo o foco que é a criança.
Quando dei a notícia de que estava grávida, uma lembrança que tenho é que teve uma pessoa da família que não me lembro antes ter me dito “eu te amo”. E ao me ouvir dizer que estava grávida, gritou três vezes enquanto me abraçava: “eu te amo, eu te amo, eu te amo”. Que coisa! Será que me ama pelo que sou ou por ter viabilizado a realização do seu sonho com meu filho? Fiquei meio pensativa no dia. Depois assimilei e numa busca eterna de não ser amarga (e com a ajuda de conselhos da amiga Luciana, presente em todos os momentos) compreendi que na verdade talvez a pessoa sempre tenha me amado e no ápice daquela emoção, encontrou coragem pra dizer. Só isso. Acreditei nisto. Porque adoro finais felizes.
Mas o fato é que às vezes colocamos expectativas demais, próprias, em cima de uma vida que surgirá entre nós, mas não para nós.
E em meio aos pensamentos e devaneios da minha gestação, obviamente tive o clássico: “Será que meu filho será saudável e perfeito (perfeito, do ponto de vista de saúde) ? “
E foi mais um dia em que chorei. Ando emotiva. Quando me peguei rezando, vi que pedia um filho saudável e perfeito. E veio à tona todo esse lance de expectativas próprias. Quando uma mãe pede que o filho não tenha Síndrome de Down, por exemplo, será MESMO que ela pede em função da criança? Ou muito mais em função dela mesma? Pensei muito a respeito. Eu não conheço uma criança com Síndrome de Down infeliz. De fato são apenas especiais. Me vi, porque não, tão humana quanto as pessoas que me chamaram a atenção por serem egocêntricas. Costuma ser assim: o que mais nos incomoda no outro, ou é algo repudiante a ponto de não conseguirmos compreender ou é um defeito que naquele momento não conseguimos enxergar em nós mesmos. O que tem de menos egoísta do que eu querer um filho com condições perfeitas de saúde quando comparo com o pedido de uma menina de olhos azuis? Quase nada.
O fato é: a gente não sabe a missão do pequeno ser que decidiu encarnar ao nosso lado. Mas de cara temos nossos anseios e medos. E esta é uma das minhas. Desejo, do fundo do meu coração, que meu filho ou filha seja saudável, perfeito e feliz. Não vou ser hipócrita. Sou de carne, osso e pecado. E por isto quando rezo, rezo: “Seja feita a VOSSA vontade, mas desde que seja assim, do meu jeito.”
Mas o faço de forma consciente de que isto é minha limitação espiritual neste momento e que este é o ponto menos egoísta que hoje posso chegar. Mas certa de que Deus tem Seu plano e de que ninguém nasce pronto, mas sempre nasce capaz.



Música do Dia: Entre Prados e Campinas (Padre Zezinho)
“Pelos prados e campinas verdejantes eu vou
É o Senhor que me leva a descansar
Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou
Minhas forças o Senhor vai animar

Tu és, Senhor, o meu pastor
Por isso nada em minha vida faltará
 

Nos caminhos mais seguros junto d'Ele eu vou
E pra sempre o Seu nome eu honrarei
Se eu encontro mil abismos nos caminhos eu vou
Segurança sempre tenho em suas mãos

Ao banquete em sua casa muito alegre eu vou
Um lugar em Sua mesa me preparou
Ele unge minha fronte e me faz ser feliz
E transborda a minha taça em Seu amor

Com alegria e esperança caminhando eu vou
Minha vida está sempre em suas mãos
E na casa do Senhor eu irei habitar
E este canto para sempre irei cantar”

 

 

É melhor ser grávida que ser surda


Quando falo “acho graça”, é uma forma socializada de dizer que “não acho um pingo de graça”, ou mais precisamente, que “fico puta” com certas coisas.

Numa bela tarde começamos uma enquete aqui no escritório de qual será o sexo do bebê. Leo acha que vai ser menina (na verdade ele quer que seja menina, rs) e eu já acho que será menino, visto que sonhei. Enfim, quase todos os meninos que trabalham comigo acham que é menino e quase todas as meninas acham que é menina. Eu não apostaria um real: eu nunca acerto! Não vou fazer o exame de seis semanas e trezentos reais para saber desde agora o sexo do bebê. Nada contra quem o faça mas somos curiosos na média, mamãe e papai. Já tínhamos os nomes meio na cabeça desde a época que ainda namorávamos e foram inspirados em músicas que amamos. Se for menino, vai se chamar Gabriel. Por causa da música OITO ANOS que conhecemos na voz de Adriana Calcanhoto mas que na verdade foi composta por Paula Toller para seu filho. É uma graça pois fala de várias perguntas que as crianças fazem aos seus pais e é algo que realmente nos encanta, pensar neste momento em que talvez usemos o que aprendemos assinando anos e anos da Revista Superinteressante (e graças a Deus eles chegarão pós Google, nossa vida será mais fácil). Se for menina, vai se chamar Dandara, inspirados pela música do Ivan Lins (também interpretada por Simone) que descreve uma moça que ama a liberdade. Talvez justamente porque nosso maior anseio como pais é de criar um ser humano livre. Dandara é um nome africano, nosso povo e viagem preferidos, e é o nome de uma heroína, esposa do Zumbi dos Palmares, importante figura na história da Humanidade. Descobrir tudo isto nos fez gostar ainda mais do nome. Minha mãe e minha sogra não gostam.

“- Prefiro Sofia”, reivindicou minha sogra. E eu sorri. A gente abortou nomes que a gente planejava com outros namorados e namoradas. No way.

Minha mãe também não gostou. No dia seguinte, falou logo cedo:

“- Pensei melhor e acho que depois eu me acostumo com Dandara. Está sendo como quando escolheram Valentina”.

Eu falei pra vovó:

“- Não se preocupa que você vai amar mesmo que se chame Erinalda.” E ri.

A gente não liga se não é todo mundo que gosta. Porque a gente gosta MESMO e está tão longe de ser diferente, pois estes nomes estavam tão fortes e presentes em nossos sonhos, que não poderiam ser outros. Não foi mesmo uma questão de pressa.

Dandara parece verbo. ‘ Dandar, pra ganhar papá!’ Pensei comigo. Eu dandei, Tu dandara, Ele dandara. Futuro do Pretérito. Vou começar a explicar assim. Hahahaha! E pensei também em algum Gabriel mais pop que eu goste, foi quando veio logo Gabriel, o Pensador, porque do Anjo Gabriel não manjo muito. Pra simplificar o discurso.  

Mas voltando a enquete, é impressionante como tem coisa que “eu acho graça”. Era enquete pra saber o SEXO do meu filho e não a OPÇÃO SEXUAL do meu filho. Acabei foi super irritada.

Em meio às pessoas opinando, teve mais de duas ou três pessoas, extremamente preconceituosas, que sapecaram um comentário desses que eu “acho graça”:

“- Não importa o sexo. O que importa é que o sexo se mantenha até o fim da vida. Se for menino, que continue menino.”

Oi? Uma grande amiga já tinha alertado ao comentário padrão mas achei que demoraria um pouco mais para ouvir tamanha barbaridade.

“- Estamos perguntando o SEXO. Filho meu vai poder escolher ser gay mas nunca faria enquete desta parte.”

“- Não, Ana. Vai ser menino homem. Vira pra lá essa boca sobre gay.”

Viro nada. Minha boca vai ficar aqui. Que ridículo as pessoas falarem disto como se fosse uma maldição!

“- Meu filho ou filha poderá ser gay em paz, se depender de nós.”

“- Não. Será homem, bonito, de barba e te dará um neto.”

“- Ele pode ser tudo isso e mais gay.”

“- Você não sabe o absurdo que está falando.”

Desisti. Porque se eu acho “tanta graça” em gente intolerante e preconceituosa, não posso ser um espelho desse tipo de gente e ser intolerante com seu preconceito. Entendi que cada um dá o que de melhor pode oferecer. E, às vezes, isto é tudo. Senti compaixão. E não discuti mais não. Mas eis que um mamífero faz seu comentário e você percebe que o céu é o limite:

 “- Talvez seja hermafrodita.”

Grávida ouve cada merda. Vocês não têm noção...
Músicas do Dia:

Oito Anos (Adriana Calcanhotto)

Por que você é Flamengo e meu pai Botafogo?
O que significa “Impávido Colosso”?
Por que os ossos doem enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?

Por que os dedos murcham quando estou no banho?
Por que as ruas enchem quando está chovendo?
Quanto é mil trilhões vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel…

Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a Terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?

Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
Do qué é feita a nuvem?
Do qué é feita a neve?
Como é que se escreve réveillon?


Dandara  (Ivan Lins)
Ela tem nome de mulher guerreira
E se veste de um jeito que só ela
Ela vive entre o aqui e o alheio
As meninas não gostam muito dela

Ela tem um tribal no tornozelo
E na nuca adormece uma serpente
O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim, tão transparente
Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra,céu e mar

Dandara
Ela faz mechas claras no cabelo
E caminha na areia pelo raso
Eu procuro saber os seus roteiros
Pra fingir que a encontro por acaso

Ela fala num celular vermelho
Com amigos e com seu namorado
Ela tem perto dela o mundo inteiro
E à volta outro mundo, admirado
Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra,céu e mar

Dandara
Dandara...


Medos & Culpas

O medo de estar comemorando prematuramente a gravidez acabou quando recebi um pacotinho surpresa em minha mesa. Era um presente de uma pessoa muito querida, Camila, noiva do Alisson que trabalha comigo. Não nos conhecemos pessoalmente mas sei o quanto ela é especial por ver o Alisson tão apaixonado e por saber de suas estórias de vida. Ela deu três lindos bodyzinhos brancos para o baby e a mensagem que trocamos depois por e-mail foi tão importante para mim: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida em abundância.“ (Jô 10:10). Era basicamente um conselho de não tenha medo. Ela escreveu: “Não deixe nada de negativo roubar a cena... porque o plano de Deus é vida. E vida em abundância.” Se eu esperava um sinal para relaxar e ser feliz, este foi pra mim o sinal. Não voltei a pensar neste medo.
 
 
Lembrou-me aquela frase: “E por acreditar em anjos, eles existiam”. Tenho muitos ao meu lado, no formato de família, de amigos, e até pessoas aparentemente estranhas mas com quem posso sentir laços inexplicáveis e sentir veracidade nos sentimentos. É sempre intenso.
Mas estranhamente me senti triste. De outra forma, desta vez. Olhava para o Leo com tanta gratidão, que parecia desta vez não amá-lo o suficiente. Desde que descobrimos ele tem sido tão mais carinhoso, paciente e cuidadoso... O que senti naquele dia foi uma espécie de culpa por ele não ser mais, o ser mais importante de minha vida. Foi estranho. Sempre tive certeza do quanto o amo, mas pela primeira vez parecia ser pouco. Lembrei de uma amiga grávida contando que sonhou que entrou um ladrão em sua casa e que ela pegou os dois filhos e jogou o marido pro ladrão. E que ela não tinha coragem de contar isto para o marido e se sentia mal por isto. Mas eu a compreendi profundamente. Meu elo com o Leo sempre foi tão mais que simplesmente marido e mulher, amo tanto a sua alma, sua amizade, sua companhia, seu sorriso e sua forma de me fazer sorrir... E agora sei que o amarei ainda mais como pai dos meus filhos, da forma que sempre sonhamos, mas tenho que confessar que senti esse “vazio”. Cheguei a chorar na hora do almoço, com uma grande amiga confidente. Que me abraçou, me compreendeu e disse que iria ficar tudo bem. No mesmo dia, coincidentemente, Leo pediu pra irmos ao show do Jorge Benjor, que ele ama de paixão. E eu aceitei.
Shows do Jorge Benjor são fod*. O cara deve cheirar e acha que todo o público cheira. Nunca menos de duas horas. Estava marcado para começar às onze, no Espaço das Américas que é uma casa de shows imensa (pra minha sorte não estava cheio) e obviamente começou a meia noite, de uma sexta-feira, que tínhamos todos acordado cedo para enfrentar um longo dia de trabalho. Achei o que chamei de a melhor forma: fomos ao show com o carro (ainda que o estacionamento ao lado fosse mais caro que o próprio ingresso) e quando me cansei, por volta da uma e quinze, fui dormir no carro, onde, por graça de Deus e herança genética do Seu Tiãozinho, consigo dormir tão bem quanto em uma cama King Size. Leo chegou no carro depois das três, com a Clau e a Rosi, minhas irmãs, feliz da vida, radiante de alegria, contando como foram as partes que eu perdi. Voltei a me sentir feliz, apesar de cansada. Não quero que a gravidez seja algo que modifique a minha essência. Não quero ser egoísta ao extremo, talvez um pouco mais do que seria se fosse só eu e eu. Quero cuidar do bebê, do meu corpo, de todos os detalhes, mas quero, antes de mais nada, continuar amando aqueles que amo, continuar sorrindo e fazendo sorrir. Nenhum extremo é bom. Quero o equilíbrio. E acho que um grande desafio que sempre achei que teria, e acho que é real, é de manter a identidade além de ser mãe. Continuar tendo meu mundo apesar de um novo mundo que embarco. Que eu possa ser esposa, amiga, filha, irmã, que eu possa continuar vibrando com as minhas realizações e ser a melhor mãe que meu filho poderia ter. Esta é minha vontade.
Talvez em posts futuros eu escreva coisas totalmente diferentes disto. Mas hoje, enquanto os hormônios ainda estão talvez brandos, esta é minha forma de pensar. Acho que tem que rolar uma consciência pra que, com a bendita desculpa dos hormônios, não nos transformemos em algo que nunca fomos, simplesmente porque estamos nos permitindo... Vi casamentos e amizades acabarem por que as pessoas "se permitiram" demais. Tem que rolar um equilíbrio. Se eu vou conseguir, é outro papo. Mas que eu tenho a consciência, eu tenho.
Mas o que eu queria dividir neste post é que tem sido um turbilhão de emoções. E dúvidas. E aspirações. E de repente me vi como a pessoa mais encanada e medrosa do mundo.
Estava receosa de fazer gostosinho também (forma carinhosa que tenho de dizer transar). Mesmo que o médico e amigas dissessem que tudo bem. Mas decidi superar e, para o meu próprio bem, consegui. Tem mulher que relata que o libido aumenta na gestação. Pra mim nada mudou. Talvez ainda seja cedo. Eu estava era morrendo de medo. Eu ficava pensando: “O que o bebê vai pensar disso tudo? Será que ele vai pensar ‘Poxa! Eu aqui me formando e minha mãe aí fora, me zoando?!!' ”
Conseguir fazer amor foi importante por todo este contexto que tinha falado de não querer me isolar como figura unicamente de mãe. Voltei a me sentir mulher, além de mãe e percebi que a gente não pode ter “medo de estimação”. A gente só perde. Quando eles aparecem, a melhor coisa é pensar, raciocinar logicamente, chorar se preciso for, dividir e superar. A gente não tem que “Dar comidinha” nem "colocar pra dormir"... Tem uma tese que inventei que me ajudou a relaxar e aproveitar: Talvez os bebês que nascem com covinhas lindas, sejam os que foram “cutucados” por seus papais nas horas de gostosinho durante a gestação. Enfim. Como eu adoro covinhas, deu certo... Que cada gestante encontre sua própria forma de superar!
 
Música do Dia: Durma Medo Meu (O Teatro Mágico)
 
“Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Um não, às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda...”
 
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Download da Alma

Desde o momento que a minha ficha realmente caiu, que me dei conta que uma vida nasceu dentro de mim, um turbilhão de pensamentos e dúvidas passaram a habitar este mesmo "dentro".
Dentre as dúvidas, "Em que momento que se faz o download da alma?"

Eu não sou de nenhuma religião especificamente. Para minha sorte, meu marido é igual. Meu primo padre costuma dizer que se eu acredito em tudo, na verdade eu não acredito em nada. Mas não é verdade. Para mim é muita pretensão achar que apenas uma delas está certa. Acho que toda religião tem sua doçura e sua importância para o bem da Humanidade e normalmente a parte que eu não concordo é a parte mais mundana, de regras e certezas que obviamente o ser humano, em sua ignorância, que determinou. Em resumo, eu acredito na vida após a morte na forma de reencarnação embora tenha sido criada no Catolicismo. Eu e o Leo sempre conversamos muito a respeito disto, e conjuntamente decidimos que também criaremos nossos filhos no Catolicismo por ser o Templo que mais nos sentimos bem em frequentar, por acreditar que fundamentos religiosos são importantíssimos na formação do ser humano e por ter a certeza que quando crescer terá a liberdade de escolher uma religião ou simplesmente uma fé, como em nosso caso, que melhor o represente.
Mas enfim, por acreditar na reencarnação, fui pesquisar em que momento alma do bebê de fato passa a existir.
A dúvida se acentuou quando no primeiro ultrassom não pudemos ver seu coração bater, pela precocidade do exame. Estava de cinco semanas e três dias. Nas imagens, apenas um saco gestacional. Meu médico pediu que eu fizesse este primeiro ultrassom para certificar-se se não estava em lugar errado (nas trompas, por exemplo) e para que pudéssemos datar com mais precisão o bebê.
- Você não se assuste, porque se você estiver mesmo certa em suas contas, não vai ver nada, só um feijãozinho que ainda não se mexe. O coraçãozinho só a partir da sexta semana - Disse meu médico, Dr. Dalton Rodrigues.
Um parênteses ao médico. Conheci o Dr. Dalton em 2000, há 14 anos atrás. Um maluco de pedra, sarrista, piadista e que tem uma das maiores virtudes que sempre sonhei para um obstetra: é simples. Uma pessoa que tende a simplificar as coisas. Nos primeiros anos que comecei a passar com ele, nas consultas anuais de rotina, levei uma vez minha mãe comigo que saiu desconjurando o protocolo do médico. "Ele faz muita brincadeira... Não conseguiria passar com um médico homem que tirasse tanto sarro."
Pois eu sou o contrário. Quando chegou minha vez de ser atendida, que saiu uma gestante de sua sala, ouvi o grito lá de dentro:
- Próxima vítima!
Já entrei rindo.
- Ué, mas de quinta só atendo gestantes...
- Pois é, Dr. Chegou minha vez. Estou grávida.
- Ah, então senta aí que preciso te colocar na lista das Loucas. Sim, porque você vai ficar louca e me deixar louco.
Mal sabia ele que é desejando tanto não ficar louca que estava ali, sentada naquele consultório dele.
Dr. Dalton fez partos de amiga e conhecidas. Ao total, fez mais de 15.000 partos. É um senhor dos seus sessenta e poucos anos.
- Faz questão de parto normal ou cesária?
- Doutor, quero que seja simples.
- Então será como Deus quiser. Não forçaremos nenhuma barra para nenhum lado.
Era disso que eu estava falando. Era isso que eu sempre quis. E ponto final. E acredito que ele fará o melhor por nós. Das crianças que conheço que ele fez o parto, duas de três nasceram de parto normal.
Pra mim esse lance de parto é tipo guerra: não vamos treinar, nem ficar assistindo cenas, nem ficar tocando neste assunto. Na hora que tiver que ser, será.
Expliquei pra ele do meu medo.
- Fica tranquilo que este bebê vai sair daí. Da melhor forma.
É. Disto eu tenho certeza. Não poderá ser como meus dentes do siso que há quinze anos adio em extrair por medo da dor... Neste caso será bem diferente.

- Mas, Doutor, se vou fazer o exame semana que vem e não ver nada, porque não espera sexta semana?
- Porque e se você errou as contas? (Confiança é tudo mesmo nesta vida e, definitivamente eu não inspiro)
- Que que tem?
- Que que tem que o morfológico tem que ser exatamente entre a décima e décima primeira semana. E este eu não posso perder a data. É como na natureza que a gente sabe pela flor como será o fruto. Nesta semana temos que fazer o morfológico para saber se a criança terá alguma Síndrome. Porque depois a flor se fecha, e a gente não vê mais.
- Mas não tem chance de eu estar errada. Eu sou PMO!
Ele riu. E me mandou fazer.
Eu tenho um APP. Sei a data da última menstruação (DUM - começo a entender siglas de grávidas e estranhamente contar o tempo por semanas), sei o dia que eu fiz gostosinho com o Leo. Sei quanto tempo tem. É o maior Projeto da minha vida! Acha que vou errar no cronograma???
Mas ok. Marquei o Ultrassom e o fizemos. A primeira foto do bebê. Como uma colega diz, meu "Camilzinho". Parece um feijão. De 8 mm. Que milagre é a vida. E foi olhando pra isto tudo que voltei pro tema de Deus, de espiritualidade.
Às vezes, de exatas, ficamos exatos demais. Pensamos em tudo como se fosse um Diagrama de Blocos.
Mas ver aquele pontinho dentro de mim, pensar como pode, a menor célula que é um espermatozoide do Leo (um entre mais de 300 milhões) se juntou com a minha maior célula (um óvulo desprendido e maduro) fazer nascer uma vi-da. Daquilo ali vão se fazer Os-sos! Tem noção de quanto "pó de pirimpimpim" tem nesta transformação?
Se eu não acreditasse em Deus, passaria a acreditar.

Pois bem. Fiz o primeiro ultrassom e não poderia estar mais exata: 5 semanas e 3 dias. Aqui é Project Manager, rapaz!
Olha aí, a primeira foto do bebê:



E tudo isto, encantada com o hardware do bebê.
E eis que surgiu a dúvida do software.
E a alma?
Quando faz o download?

Segundo a minha crença, o espiritismo, o espírito já existe desde o momento exato da concepção. Num dos lugares que eu li sobre isto, dizia  que, os espíritos, quando têm a sua chance de reencarnação, ficam TÃO felizes, TÃO eufóricos, que por vezes tentam se comunicar com a mãe e aparecem em sonho. Me arrepiou quando li. Eu sonhei com o menininho bebê, a cara do Léo, lembram? Antes de saber que eu estava grávida. Neste dia do sonho, recebi uma proposta de emprego para ser Coordenadora de uma área de Indicadores, que meu antigo gerente me indicou. Agradeci e disse que não participaria do processo por razões de projetos em andamento. Era este. Já havíamos decidido não mais adiar o sonho da maternidade e portanto, não era hora de mudar de emprego.
Continuando, o espírito faz esse tipo de coisa para saber o nível de aceitação dos pais e fica alimentado de energias positivas quando é bem aceito por toda a família.
Até os três meses, o espírito tem memória espiritual. Ou seja, no meu entendimento ele está ciente de tudo que já viveu e de tudo que escolheu viver na próxima vida. Está lá, com seu TO DO LIST na mão, revisando os pontos de atenção que precisa evoluir e tal. E de repente, quando chegar no quarto mês, PA-PUM. RESET TOTAL! Não lembra mais. Não tem mais memória espiritual e passa a ser um serzinho totalmente frágil, que dependerá de nós para viver, crescer em todos os sentidos. Isto não é mágico???

Fiquei encantada. E a resposta é: download de alma desde o primeiro segundo com atualização de software quando entra no quarto mês.

Desde que descobri isso, todos os dias me pego conversando em pensamento com um espírito que não é de criança. O espírito que será meu filho mas que, por hora, sabe de todas as coisas (até mais do que eu que só tenho memórias espirituais desta vida). E me pego em preces, rezando, orando, para  que dê tudo certo em sua viagem para esta vida.
Que eu possa fazê-lo um espírito de luz, cheio de felicidade!

Se eu entro no mercado, vou falando com ele, como se fosse um anjo que estivesse andando sempre do meu lado:
- Este é o mercado que mais fico feliz em vir (Pão de Açúcar). Porque adoro ouvir estas músicas de piano. Este é o senhor que sempre me ajuda com o carrinho. Esta é a fruta preferida da mamãe. Sexta vamos ao show do cantor preferido do Papai. Jorge Benjor, boa gente. Você vai gostar!
E por aí vou.
Falando em pensamento com um espírito muito bem vindo.
Me dá a ligeira impressão de que eu não mais me sentirei sozinha nesta vida.
E a certeza de que não passarei mais um dia, se quer, sem fazer nem que seja uma pequena prece...


Música do Dia:
 

I Say A Little Prayer
(Tradução)

No momento em que eu acordo
Antes de eu me maquiar
Eu faço uma pequena oração pra você
Enquanto eu penteio meu cabelo, agora
E penso no vestido que usar, agora
Eu faço uma pequena oração pra você
 
Pra sempre e sempre, você ficará no meu coração
E eu eu te amarei
Para sempre e sempre, nós nunca nos separaremos
Oh, como eu te amarei
Juntos, pra sempre, é como tem que ser
Viver sem você
Só partiria meu coração"