sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Status Report da Mamãe e do Bebê

Ontem completamos quinze dias de cuidados especiais em função do descolamento do saco gestacional. O caso mais comum que se imagina e que aflige as grávidas por aí. Trata-se de uma espécie de ematoma, igual quando a gente bate um braço, e tem que esperar sarar, cicatrizar, sair o roxo e tal. O próprio corpo a de absorver. O medicamento é basicamente um hormônio que tende a relaxar o útero o fazendo tomar partes que antes não tomaria, ocupando inclusive este pedacinho do ematoma que como não faz contato com o útero, se ampliado causaria o aborto espontâneo. O que não vai acontecer, se Deus quiser. A esta altura já googlezei tanto sobre o assunto que sei que cerca de 18% dos abortos no Brasil acontecem por esta causa. Aí tem as outras lá que preferi nem ler. Ontem fui a um novo ultrassom pela manhã e à minha consulta pela tarde.
Meu descolamento que começou com as dimensões de 10×8×9mm, e que na primeira semana diminuiu consideravelmente para 2,5×4,4×4,2mm, nesta mais uma semana não melhorou quase mais nada, num quadro de estabilização. Desta forma, por medidas de precaução, sigo em casa até o fim do ano, 31/12/14.
Semana que vem teremos o ultrassom morfológico, talvez o mais importante da gravidez, pois detecta a saúde e desenvolvimento do bebê, descarta possíveis más formações, síndromes, etc.
Faremos às vésperas do Natal.
E conseguiremos ver se o descolamento enfim, foi-se embora. Como depois dos cinco descobri que Papai Noel é Deus, na verdade, não preciso nem dizer o que pedi pra Ele neste Natal...
Na primeira semana, estava com tanto medo de perder, que fui completamente xiita no repouso, embora o médico falasse repouso com bom senso. Mas eu não. Se é pra repousar, vamos repousar. Passei a semana sem descer nem as escadas de minha própria casa. Minha mãe estava comigo e até comer eu comia na cama. Veio a melhora surpreendente: o descolamento melhorou mais que 50%.
Na segunda semana, dei uma relaxada. Não dirigi, continuei no Home Office, mas descia devagar as escadas pra preparar meu almoço, lavava meu prato, ficava sentada jogando jogo de tabuleiro com meus sobrinhos adolescentes que me tiraram dum estado de só chorar na sala, subia as escadas para ir ao banheiro, ou seja, fui menos xiita. E coincidentemente ou não, não teve evolução. Perguntei ao meu médico se o repouso absoluto da primeira semana era o responsável por tamanha melhora. Ele disse que não dava pra saber ao certo, mas pra eu seguir meu instinto. E meu instinto é xiita. Então que se dane o mundo, daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. Estou em repouso absoluto de novo e me deixem quieta. Pedi ajuda à família. Minha irmã virá alguns dias me ajudar, e minha mãe nos outros. Leo faz tudo por nós dois, eu e o bebê. Café da manhã, jantar, traz frutinhas, não pára de beijar minha barriga e conversar com o bebê.
Esta fase tem sido um intensivão de aprendizados: paciência, fé, desaceleração e humildade. Não tenho dúvida que tudo que chorei ontem não foi mais de medo. Tenho plena convicção de que o bebê está e ficará bem. Mas eram lágrimas de independência, auto-suficiência e orgulho lavando a minha cara. A gente do pó veio, e somos assim, pequenos como um grão. Sozinhos não somos nada. Existe uma conexão entre cada uma das partes que é mais forte que às vezes pensamos. Quando triste liguei pra minha cunhada Tata, com quem já me desentendi algumas vezes na vida, pude me sentir tão amada, independente de tudo, independente do que eu faço, mas simplesmente pelo que eu sou. Não era a Ana que cozinha, a Ana que trabalha duro, a Ana que fotografa todas as festas. Era a Ana que não está podendo fazer quase nada e que pedia arrego: "fica comigo? Minha mãe não pode esta semana e estou me sentindo muito sozinha..." E fui prontamente acolhida. Não tenho dúvida que nada é por acaso. Ninguém tem elos à toa. E que tudo vai ficar bem...
No trabalho as pessoas têm me ajudado tanto... Não são apenas colegas, são amigos pra vida toda, tenho certeza.
As palavras positivas de quem já passou por isto são também fundamentais nesta hora. E saber das amigas que passaram também sem êxito, lembrar que perderam bebês, me faz as amar e admirar ainda mais, com uma dose extra de solidariedade...
A parte boa é que ainda que o descolamento não diminua, com o passar do tempo o bebê e o saco gestacional vão crescendo, crescendo... de uma semana pra outra dobra de tamanho, às vezes. Semana passada o bebê tinha 2,5cm e ontem já estava com 4cm.
Não é mesmo o milagre da vida? E ele crescendo, o descolamento vai ficando proporcionalmente menor, menos grave.
Cada vez mais com formato perfeito de uma pessoa, tão amado que será.
No ultrassom de ontem ele se mexia. Parecia ficar brincando de nadar. Foi também emocionante. Leo parecia criança: soltou um "Olha!!!!!! Ele está se mexendo sozinho!!!!" Totalmente entusiasmado pela vida que geramos. Estamos felizes. E confiantes. E cautelosos. Deixem-me ser xiita independente se isto que garantirá o sucesso disto ou não. #RumoAoDescolamentoZero
No mais, sigo minha vida de gestante básica.
Enjôos.
Cãimbras.
Azia.
Excesso de salivação ( a gente acorda engasgando com tanto cuspi e decidi pôr uma toalha pra babar em paz).
Gengiva que sangra quando passa fio dental.
Imunidade tende a baixar pra que o corpo não entenda o bebê como "corpo estranho" então já peguei gripe.
Olfato aumenta dez vezes então nego peida da esquina e você sente aqui.
Dor de cabeça.
Intestino mais preguiçoso, requer alimentação estimulante para evitar hemorróidas que são comuns nas gestantes.
Nojo de cheiros como cigarro (ainda que de um vizinho beeeem distante), tinta, perfume muito doce.
Noites recheadas de pesadelo.
Gases.
Picos emocionais (Só eu choro desenfreadamente com os comerciais da Vivo??? Hooo, gente! Concorrente, gente!).
Enfim, acho que as amigas mamães não costumam falar muito da parte ruim de estar grávida pois a parte boa é tão boa, tão boa, que as fazem esquecer. Mas quero quebrar aqui um tabu e dizer: a normalidade me atingiu. Eu tenho tudo que eu pensava "quando eu ficar grávida acho que não sofrerei com isto". Lhufas! Pensamento positivo não a de ser mais forte que as leis da natureza. A gente gera uma vida! É, sem dúvidas, um milagre, o que mais nos aproxima de Deus. Nosso filho ou filha é amado(a), sonhado(a), planejado(a), muito esperado(a) e nada mudará isto. Ser mãe é a realização de um sonho e sobretudo de uma missão espiritual: queremos fazê-lo(a) livre e feliz. É muito mais que um capricho pessoal de querer brincar se casinha. Mas, véi, na boa, não tem sido nada coxinha ser gestante.
E pra aqueles que dizem impetuosamente "gravidez não é doença" (de fato a causa é pra lá de nobre, mas olha esses "sintomas"!!!) só tenho uma hashtag pra dizer: #tomanocu
 
 
Música do dia: Time After Time (porque AMO a versão cantada por crianças no comercial da Vivo e porque tem tudo a ver com meu momento de desaceleração, a vida já passa na velocidade 4G. Não precisa eu também ser tão acelerada.... bebê que nem nasceu e já me ensina tanto)
 
Tradução de uma parte especial:
 
"Às vezes você me imagina
Estou andando bem à frente
Você me chama, mas não consigo ouvir
O que você disse
Então você diz, vá devagar
Eu começo a diminuir o ritmo
O ponteiro dos segundos vai pra trás.."
 
 

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