segunda-feira, 20 de julho de 2015

AMA...Menta!

Sem tempo pra detalhar o dia a dia no puerpério afora.
Porque viver é mais importante que postar.
Porque prometi a mim mesma olhar pros olhos dele sempre que abertos, e não pro celular.
Porque prometi a mim mesma onde quer que du estivesse, estar inteira. E isto também inclui modo avião no aparelho.
Mas decidi postar este olhar. Um dos mais belos que já vi! ( E que só perde, claro, pra outros olhares dele mesmo...)
Decidi registrar que AMAMENTAR, é, sem sombra de dúvida, o verbo mais sublime e perfeito que nesta vida conjuguei... Talvez perca apenas pro verbo SER. Ser sua mãe. Ser seu alimento. Ser o que cala seu choro... Nunca achei que fosse capaz de ser tão importante!... 

Jamais esquecerei deste olhar nas madrugadas só nossas!... Cada dia que passa, amo mais... E mais... E mais!... 

#MamadasFelizes



segunda-feira, 13 de julho de 2015

Mensagem do Papai para o Neném

"Desejo que seus caminhos sejam sempre percorridos sem quedas, sem deslizes, sem desatinos, mas com muita firmeza e dignidade. Pode agarrar minha mão quantas vezes necessário!!! Papai está aqui."
(Leandro Barbosa do Carmo)

E a certeza de ter encontrado o grande amor de sua vida, pai de seu filho, alicerce da nossa família. 
Gratidão. 

domingo, 12 de julho de 2015

Poema do Umbiguinho

Hoje caiu seu umbigo
Parte do que nos uniu por nove meses
Parte do que me fez capaz de te nutrir, te alimentar
Te fazer nascer
Sinal de novos tempos
Tempo em que meu seio que te acalenta, te nutre e te alimenta
Tempo de vida aqui fora
Sem espera nem demora
Tempo de viver!
Bendita seja tua cicatriz
Bendito seja nosso leite
Vamos enterrar este pedacinho de nós
Pra sermos ricos em saúde, é o que dizem, é o que peço
E vai que ali pertinho nasce uma bela florzinha pra ti
E os dias passem tão rápidos que logo, logo você ali estará
Agachado, pegando nela e achando graça
Porque a vida é assim
A gente sempre colhe o que planta
E hoje, este umbiguinho, é pra mim pura alegria de viver!
Bendito seja!



sábado, 11 de julho de 2015

O parto

De longe a experiência mais intensa da minha vida. Assim foi o parto e a primeira semana com meu bebê. 
A ida para a maternidade com a certeza de que quando voltássemos estaríamos com o Gabriel em nossos braços e tudo diferente em nossas vidas foi diferente de tudo já vivido até então. A consciência de que teria que controlar meu medo da cirurgia para o quanto antes me recuperar para tê-lo em meus braços foi enorme e mantive a calma até o último minuto. Papai Leo estava mais nervoso que a mamãe medrosa, já dava pra ver no jeito que ele dirigia à caminho da Maternidade. 
Chegamos no São Luiz do Itaim. Meu último dia com andar de pata. Barriga enorme. Sensação de não acreditar que o grande dia chegou e que o Gabriel sairia de lá. Fomos muito bem atendidos, aliás durante todos os dias na maternidade tudo foi perfeito. Gratidão enorme a Deus por ter acesso a um dos melhores Hospitais do país. Tomei um banho e  pus os aventais da cirurgia. A primeira grande sensação estranha foi estar sendo levada assim, numa cadeira de rodas para a sala de cirurgia. Nunca tinha andado numa cadeira de rodas. Alguém te levando, portas se abrindo e você se perguntando se na próxima o pé não bateria antes que a porta se abrisse. Falta de controle, dependência do outro, "não posso mesmo ir andando?", perguntei, e a esta altura nem me incomodaria mais da bunda aparecer pelo avental. Leo do meu lado, mas só até chegar no primeiro andar, onde nos separamos: eu pra sala de cirurgia e ele colocar a roupa laranja e a pulseirinha "sou papai" para acompanhar o parto. Este foi o primeiro minuto que realmente senti um frio enorme na barriga, me separando do Leo, e vendo o medo em seu olhar úmido, num rosto tenso que em oito anos ao lado dele nunca tinha presenciado. Ele estava com um papel no bolso que teria que entregar pra pôr a roupa de papai. Falei antes de sair do quarto: "leva só o celular e este papel", mas de tão nervoso chegou lá e falou que não tinha papel nenhum. Demorou uns minutos pra voltar em si. Eu, na sala de cirurgia vi o Dr. Dalton, meu obstetra já vestido de verde (sabiam que é verde por ser a cor oposta do vermelho sangue no espectro de cores? E assim não enganar o cérebro humano que vendo branco e vermelho por um longo espaço de tempo pode passar a não diferenciá-los?), vê-lo ali me tranquilizou muito. Chegada a hora. Com ele a enfermeira que foi super gentil, Dr. Paulo, no papel de médico assistente do Dr. Dalton, e o Dr. Mello, anestesista da equipe do Dr. Dalton. Foi tudo mais tranquilo que eu poderia imaginar. Pedi ao Mello para ligar o rádio que tinha ali do lado. E olhar bem certinho a hora que o Gabriel nascesse pois o relógio da sala estava errado. 
Dr. Dalton brincou, ao ver o relógio parado:
- Esses hospitais de periferia são fogo... Pra que serve esse botão será? Apontando pro equipamento ao meu lado. 
Ri tensa. Mas bem menos que imaginava.
- Cadê o pai? Ninguém chega, vou tomar mais uma cerveja, já volto.
Ri tensa.
Combinei com o Dr. Mello que ele me mostraria o horário no celular. Vai que um dia ele queira fazer um mapa astral... Tem que saber a hora. 
Começaram a me cortar. 
- Churrasquinho Gomes. Olha o cheiro! - um deles falou. 
Ri tensa. 
Pedi pro anestesista pôr na Alpha FM. Não queria ouvir p protocolo dos médicos ali falando de mim. Ele ligou. A música que estava tocando? You will be in my heart, do desenho do Tarzan. Deus é perfeito nos mínimos detalhes. Que música linda! Pus me a chorar, mas não desminliguida. Emocionada, mas preocupada. Quando Dr. Dalton chamou o Leo pra ver nascer eu queria estar atenta. 
"Nasceu!" - Dr. Dalton
"19:45h pontualmente." Disse Dr. Mello me mostrando o iphone. 
Tenso. Silêncio de segundos. Cadê o choro? Só isso que pensava. E segundos depois lá estava ele: o choro rouquinho e alto do Gabriel!!!
Foi MUITO emocionante! Maior alívio do mundo! Ele estava vi-vo! Dr. Dalton me mostrou ainda com o cordão e todo sujo e desesperador era não ter as mãos livres nesta hora. Pouco depois ele voltou pros meus braços e pude me soltar do equipamento que media meus batimentos e sentir sua pele, seu cheiro, e o Leo ali segurando ele no meu rosto... Eu não conseguiria descrever o turbilhão de coisas que senti. A maior emoção que já senti! Um amor que doía! Um amor de entranhas! O tal maior amor do mundo! Ali começou meu medo de algo dar errado em mim, queria ficar bem logo pra ir pro quarto logo e pegar ele nos meus braços. Só pensava nisto. Ele saiu com o pediatra e Leo foi junto. Continuou tão nervoso que entrou no vestiário feminino para tirar a roupa da cirurgia, e saiu aos berros da mulherada de sutien. Engraçado! Obviamente nem me lembrei do "Sentindo a Luz" programa para dar de mamar na primeira hora de vida. Terminaram de me dar os pontos exatamente uma hora depois de termos começado tudo. Eram oito e vinte quando fui pra sala de recuperação com outras mulheres e tentei me manter o mais calma possível, pra me recuperar e voltar o quanto antes pro quarto. E assim foi. Por volta das dez e vinte estava no quarto e pouco depois chegou o nosso pequeno, em meus braços. O tão sonhado dia estava ali, real, diante de meus olhos. Inacreditável! Exausta e feliz. 
O início da maior aventura de nossas vidas!...

Olhos mareados
De lágrimas de amor
O maior amor chegou!
Obrigada pela chance de me fazer mãe
De me fazer melhor
Maior
De me fazer entender o quanto já fui amada como filha
Por me fazer provar do amor que jamais poderia imaginar
Se eu não acreditasse em Deus
No exato minuto que te vi
Passaria a acreditar... 


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Contagem Regressiva e Momentos Engraçados

Faltam cinco dias. E a esta altura do campeonato a grávida pisa onde? No formigueiro. Nicho de mercado: coçador para grávidas, que desde o nono mês já não alcança mais nada. Outro produto que já falei antes, que vi que tem nos EUA mas não por aqui, é o colchão de ar com buraco para a barriga: que sonho seria deitar de bruços... Aproveita e lança suspensório para o último mês, quando nem as calças de gestante querem mais parar na barriga enorme. Ah! E não se esqueçam de lançar o sutiã com lâmpada, para preparar o bico do seio, porque ficar com lampadinha de abajour mirando nos seios não é justo para ninguém... hehehe. É, pessoal. Já fui da área de Produtos. 

A gravidade continua uns 15 metros por segundo ao quadrado: tudo cai e nada alcanço.

Hoje tem mudança da Lua. Será?

Hoje tem ultrassom. Mal posso esperar.

E faltando apenas três dias de trabalho, comecei a fazer a passagem de bastão de minhas atividades para uma moça que vai me substituir nestes cinco meses. Meu chefe, mais que ninguém, acredita mesmo que o Gabriel não vai adiantar. 

Continuo conseguindo dirigir, ainda que só um pouco por dia, coisa de meia hora do trabalho do Leo até o meu. Perguntei ao médico até quando poderia e ele confirmou que até os noventa anos, caso eu não tenha antes nenhuma demência. É! Faca na caveira! Eu gosto do jeito simples de conduzir do Dr. Dalton. Vou nele há mais de doze anos não é à toa. Ele tem meu jeito. Reclamei inúmeras vezes por estar mais sensível. Lembro de uma vez que minha mãe foi comigo à uma consulta e o desconjurou. "Muita brincadeira, muita piada. Esse médico é louco! Porque não procura alguém mais sério?"

E eu pensei que a vida não tem que ser tão séria. E me sinto com sorte, no final das contas, por tê-lo encontrado tão "minha cara". 

Na última consulta:

- Sobe na balança.

- De novo?

- Sim.

- Sem bullying.

- Sobe logo, magrela! - já rindo.

- Ainda não te alcancei.


Leve. Como nem eu, nem ele somos, fisicamente. Mas como a vida deve ser. 


- Marcamos a cesárea para às 19h da segunda. Melhor horário possível! Você não imagina o quanto! Tendo o bebê neste horário, você vai voltar pro quarto em horário que visita já será proibida. O que será ótimo: você volta pro quarto parecendo ter saído de uma briga de pomba-gira! Sabe? Parece que saiu de um arranca rabo de putas! Tudo que não quer é ver aquele monte de gente para te ver! Aí sim, no dia seguinte, vão tirar seu soro, sua sonda, vai poder tomar um banho, pentear o cabelo e receber a visita... Outra vida!


Fiquei pensando que ele é realmente louco. Mas ri. Disse que não sei como é briga de puta. Mas podia imaginar. 


Rir é sempre o melhor remédio. Chegou minha cinta pós-parto lá em casa. Olhei e gritei: "Não vai me servir, meu Deus! Paguei o olho da cara e não vai servir!"

Peguei aquelas cintas de usar em dia de casamento, por debaixo dos vestidos, da época que eu era só gorda, e não grávida, e vi que a cinta era maior. Mesmo assim, muita insegurança... Não vai servir... E eu mandei fazer, plus size e tal.


- Leo, me ajuda?

- O que?

- Preciso ter certeza que vai me servir...

- Pede ajuda pra sua mãe, Petita.

- Não. Minha mãe está bem mais magra que eu.

- Pede pra ela achar uma amiga mais gorda então.

- Não. Preciso saber agora... Me ajuda? Se você colocar a cinta e entrar em você, vai entrar em mim.

- Nem fodendo!

Fui fazer xixi quase chorando. Sai do banheiro e lá estava ele, Leo, o melhor pai do mundo, o maior companheiro que a vida poderia ter me dado, de cin-ta! kkkkkkkkkkkk

Quase morri de tanto rir! Juro que achei que o Gabriel nasceria ali mesmo, naquela hora. 

Ele, com a mão no rosto, reclamandão:


- Vê logo que entrou! Preciso tirar isso! Não estou aguentando! É apertado demais! 


E pelo vão de fazer xixi da cinta (com perninha e tudo), via-se as cuecas do meu marido.

Eu não conseguia falar nada, só gargalhar.


- Vou tirar!

- Não! Fica um pouco pra lacear, por favor!

- Ah, não! Que dia chato! - ele resmungou. 

Aí que eu ri mais ainda. E falei que ele poderia tirar.


Definitivamente um dia que jamais sairá da minha memória... Um dos mais divertidos. 


Seguimos sorrindo. E esperando pelo grande dia! Vamos ver se o cronograma se mantém. Se o Gabriel, filho de PMO, PMOzinho é...


Chegaram as fotos do ensaio de gestante que fizemos no Parque da Aclimação. Escolhi algumas e me inspirei no texto abaixo:


"Não se atente às curvas do seu corpo. Não! Atente-se à sua alma e como está mais feliz desde que dois corações batem juntos, dentro de você.

Atente-se a quanto amor Deus fez florecer em sua vida. No quanto as pessoas à sua volta sorriem e são mais gentis. No quanto o pai de seu filho se tornou mais próximo e amoroso. No quanto você passou a se sentir forte e especial por ser responsável por uma vida. 

Atente-se ao milagre da vida: como uma gota de amor pôde ter se transformado no bater de um novo coração, em ossos, em um novo olhar, em uma nova história. Você mais ele deram origem à melhor parte de vocês mesmos... E agora aguardam, ansiosos e felizes, por sua chegada.

É, sem dúvida, a mais doce espera...

Não sei como pudemos chegar até aqui sem você!#VemGabriel"

(Mamãe Ana)


E amanhã é meu aniversário. Ano em que a vida vai me dar o melhor presente ever! Não me importo que só no dia 29, fica registrado.



Música do Dia: Boas Vindas (Caetano Veloso)


Sua mãe e eu

Seu irmão e eu

E a mãe do seu irmão

Minha mãe e eu

Meus irmãos e eu

E os pais da sua mãe

E a irmã da sua mãe

Lhe damos as boas-vindas

Boas-vindas, boas-vindas

Venha conhecer a vida

Eu digo que ela é gostosa

Tem o sol e tem a lua

Tem o medo e tem a rosa

Eu digo que ela é gostosa

Tem a noite e tem o dia

A poesia e tem a prosa

Eu digo que ela é gostosa

Tem a morte e tem o amor

E tem o mote e tem a glosa

Eu digo que ela é gostosa

Eu digo que ela é gostosa

Sua mãe e eu

Seu irmão e eu

E o irmão da sua mãe



domingo, 21 de junho de 2015

Reta Final - Semana 38

Ouvidos apurados, sensibilidade à flor da pele e ansiosos, porém felizes: assim entramos hoje na semana 38. 
A casa que moro é dentro de um condomínio e fica bem próxima à entrada principal, à portaria. De dias pra cá simplesmente passei a a acordar com o barulho do portão elétrico a cada vez que abre pra alguém entrar ou sair. Inúmeras vezes em meio à noite. São 188 casas. São muitos abres e fechas deste portão. Mês que vem fará 4 anos que moramos aqui. E é a primeira vez que isto me acontece. Antes de engravidar eu falava que tinha medo do meu sono pesado, que eu não acordaria pro que fosse preciso com bebê pequeno em casa. Já entendi que a natureza é perfeita e estou adaptada: sono leve, checked!
Querida amiga Flávia disse que a maioria dos bebês nascem naturalmente na semana 38. Essa semana tem mudança da Lua na quarta. Baseada nisso, esta é a semana do cagaço. Vamos ver se o Gabriel espera até a próxima segunda, dia 29/06 e tudo aconteça como planejado, na semana 39. Se entrarmos em trabalho de parto antes, não tem problema. Vamos que vamos! 
Sensibilidade à flor da pele. Tenho chorado por tudo! Prima irmã perdeu o bebê de sete semanas e fiquei arrasada. Qualquer vídeo que tenho visto, me emociona absurdamente. Pico de emoção. Não acho ruim não. Chorar faz bem pro pulmão, não faz? 
Gabrielzinho continua com seus soluços, graças a Deus. Meu médico nos instruiu a avaliar os movimentos do bebê uma vez de manhã, uma vez de tarde e uma vez de noite, e se não identificar em dois períodos consecutivos, ir pro Hospital checar. Pra nossa sorte, Gabriel tem se mexido sim, sempre, e mais que isso, tem soluço de manhã, de tarde e de noite. Sinal de bem estar fetal e que deixa papai e mamãe felizes. Esta semana ainda temos o último ultrassom, pra ver o rinzinho e o cordão enrolado no pescoço. Depois, é se preparar pro último final de semana sem ele aqui fora. Ansiedade!
Hoje dormi até meio dia. Saideira. E que venha um mês de cutover. Será que é tudo isso que falam mesmo? Mães virando walking deads / zumbis no primeiro mês? Contarei a minha experiência tão logo consiga postar. Mas, por tudo que tenho ouvido, estou preparada pra uma "guerra". Rs. O maior cutover de IT que já trabalhei foi numa Migração de Data Center que fiquei 40 horas direto sem dormir. Depois disso, comecei a chorar porque não achava servidor, absolutamente descontrolada emocionalmente. Por isto acredito nos relatos de novas mães que se tornam outras pessoas no primeiro mês. A falta de sono é transformadora. Vamos ver como será comigo. 
Já disse pra queridos que prefiro as visitas na maternidade. E que em casa, assim que o período todo de adaptação e recuperação passar, darei um "ok, podem me visitar". Espero que ninguém fique chateado e compreenda. E mais que isso, espero que eu me adapte muito depressa e volte a socializar, com todos que amo, em boa companhia do Gabriel. Pelo simples fato de que socializar é importante pra mim. 
Neste final consegui negociar alguns dias em regime de home office, graças a Deus. Até quarta ainda vou pro trabalho e já na quinta e sexta estarei trabalhando de casa. Como pedi a Deus: trabalhando até o último dia para ficar o máximo de tempo de tempo depois com ele. Quatro meses de licença mais um de férias. E vai passar voando. Isso eu já sei...
Refluxos aumentaram consideravelmente. Tenho dormido praticamente sentada, com tanto travesseiro. Deitar do lado esquerdo ajuda. Leo, palhaço, me viu quase dormindo sentada e disse que eu estava parecendo o Buda: queria me virar de costas pra porta e jogar moeda. Meu humor não se alterou, definitivamente. Acho que fiquei mais tranquila que eu era antes e bem humorada, sem TPM Constante, que é algo que algumas relatam. Leo disse que não sentiu diferença. Menos mal. 
Ontem, fui no Salão cuidar de mim. Última depilação antes do parto, unha e cortar cabelo. Sempre nos faz sentir melhor. A Maria é uma heroína por ainda conseguir me depilar: não tenho posição.  Não adianta passar esmalte pois na cirurgia os anestesistas precisam avaliar as unhas: ficando roxa é sinal de algo. Então eles tiram o esmalte. Passei só uma base. Aprendi isto dias desses.
Outro fato: Não sinto frio. Desde o dia que engravidei até hoje, no inverno, durmo só de calcinha e top de fazer ginástica. Fiquei calorenta e agradeço estar passando esta última fase no inverno, sobretudo pelo inchaço das minhas pernas e pés, que seriam agravados com o calor. Prima Cris, ótima fisioterapeuta, disse que me ajudará no pós parto fazendo drenagem caso lhe permitam fazê-lo no Hospital. Fiquei super feliz! E não sentir mais frio me fez lembrar a última estrofe da música "Relicário" do Nando Reis, que ele compôs com o nascimento de seu filho caçula, Ismael. Letra linda! Será a música do dia. 
Reta final. Felizes e rindo à toa. 
#VemGabriel

Música do Dia: última estrofe incorporada à "Relicário" de Nando Reis

Desde que você chegou
O meu coração se abriu
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio

E o que os olhos não vêm
O coração pressente
Mesmo na saudade
Você não está ausente

E em cada beijo seu
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel

Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
"De Gabriel!!! Ga-bri-el! Gabriel! Gabrieeeeeeel!"❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️

-> Papai comprou este macacão do SP pro bebê e quer que seja a primeira roupinha, mesmo que fique enoooorme! 
Tá bom, né. Rs.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Que sejas bom e feliz!


Semana 37. Um ultrassom por semana e uma consulta toda semana. O fim desta longa espera, que pasmem, mas dura quase um ano, não pas-sa! Sensação de quando você passa horas e horas na fila pra ir na montanha russa que tem medo e vontade louca ao mesmo tempo. E fica tantas horas lá esperando, que sente de tudo um pouco: sente vontade de que a fila ande mais depressa porque não vê a hora, depois sente vontade de que a fila continua lenta pra nunca chegar sua vez, rola um bipolarismo. Exatamente assim que tenho me sentido em relação ao grande dia: o dia do parto, o dia que nosso filho amado virá ao mundo.

Sentirei saudade da barriga, de prioridade nas filas, da gentileza de estranhos, de sempre arrancar um sorriso e uma pergunta se é menino ou menina nos elevadores, de sentir o soluço do Gabriel e pensar que é bem estar fetal, que ele está bem dentro de mim. Sentirei saudade de dormir até às onze nos domingos, não vou mentir. E sei que sentirei coisas que hoje nem posso imaginar e que será mágico receber o Gabriel em nossas vidas pra juntos sermos felizes.

Falemos de umbigo. Agora é oficial: parece que vai explodir. Ainda não ficou igual ao umbigo do meu pai que é esbutucado pra fora, mas está muito raso! Maior agonia do mundo!!! Tenho uma amiga africana no trabalho que sempre vem fazer carinho na minha barriga e dizer bom dia pro Gabriel, a Alice. Eu adoro! Ela é uma querida. Mas o carinho dela é forte e dá o maior medo quando ela passa a mão no umbigo. Agora ela chega, eu tampo o umbigo. Kkk. E deixo ela acariciar todo o resto (que não é pouco! Minha barriga está e-nor-me!). Passei creme anti-estrias, óleo, todos os dias. Mas não teve jeito. Neste final apareceram estrias. E são feias. Não são brancas, são vermelhas. Apareceram embaixo da minha barriga, onde pesa, quase onde vai ficar a cicatriz da cesárea. Eu não as vejo, só pelo espelho. Fazer o que? Marcas desta fase. Juro que não me aflige muito neste momento. Talvez depois. Mas agora o foco é outro. O umbigo dá medo. Medo de explodir. Todo mundo tem umbigo porque foi por ele que se nutriu quando era um bebê dentro da barriga da mãe. E eu jurava que era tipo um nó de bexiga que o médico dava quando nascia e por isso tinha esse formato de nozinho lá pra dentro. Sabiam que não é? É uma cicatriz! Não tem nó!!! Depois que eu descobri isso só senti mais medo ainda que ele exploda. Deus santo! Não tem nó.... Eu jurava que tinha. Rs. E o umbigo do nenê pode demorar até uns dez dias pra cair. Ui! Que gastura de umbigo! Um dia você está lá, vivendo sua vida, fazendo seus projetos, indo nos churrascos... 80% de sua vida é diversão. De repente você está de nove meses e 80% dos seus medos é sobre umbigos. Hahaha! A vida é fanfarrona! Vou sobreviver.

Estamos na reta final. A cesárea está agendada. Quarto reservado na Maternidade São Luiz do Itaim. Será no dia 29 de Junho de 2015 às 19 horas. Dá pra acreditar que “tá chegando muito”? A menos que o Gabriel queira sair antes, será neste dia conforme planejado. Não acho que sairá antes. Temos conversado. Já pedi desculpas por tirá-lo na semana 39 (pra ele não ficar chateado de vir uma semana antes) mas ele realmente está pronto: ultrassom desta semana mostrou de novo 3,5 kg e 50 cm. Nosso pequeno grande homem!

Estou, estranhamente, sentindo uma paz invadindo meu coração. Deve ser algum hormônio essa coisa. Não estou com medo sobre como vou cuidar dele nem se vou fazer tudo certo. Sensação de aceitação. Aceitar que serei a melhor mãe que poderei ser e que isto estará longe de ser o perfeito. Mas ok. Como por toda a minha vida acadêmica pensei, era meu lema: sempre darei o melhor de mim. Vou me esforçar e caprichar. Se ainda assim eu for pra prova e não for bem, não tem porque sofrer. Fiz meu melhor. Não tem porque olhar pro lado, comparar com o resultado do amigo, fiz meu melhor. E sempre deu certo. Eu AMAVA estudar. Por toda minha vida foi uma diversão, uma delícia me dedicar, uma delícia me esforçar e chegar aos meus limites para dar o meu melhor. Eu sempre amei. Desde o Pré até o MBA. E tirei muitas notas dez e tirei algumas notas zero e meio também. Agora, como mãe, vai ser igual. Sei como funciono: sempre me dou de corpo e alma para o que me proponho a fazer, busco, verdadeiramente, meu melhor. E assim será. E saberei me perdoar nos momentos de fracasso. E pedirei ajuda nos momentos difíceis. E vibrarei nos momentos felizes. Vai ser uma jornada incrível!

Espiritualmente me preparo para não ser “dona” da estória de meu filho. Pra eu ser meio de sua felicidade. Cumprindo minha responsabilidade de mãe, de educar, de ensinar, de nutrir, de cuidar, de fazer feliz mas sempre, sempre lembrando que não está no meu controle, que o Gabriel não veio para atender expectativas, para ser o que eu não pude ser, para fazer o que não pude fazer, para que eu não projete nele, desrespeitosamente uma história que é minha, baseada em meus preconceitos e em minhas vontades. Não. O Gabriel terá seus gostos, sua história, suas conquistas, seus princípios, sua alma, e tudo isto será respeitado. É esta minha missão como mãe.

Escrevi a ele minha cartinha para colocar na cápsula do tempo, pra ele abrir quando fizer dezesseis anos. De forma bem resumida escrevi como espero que ele esteja quando abrir: só me importa que ele seja um ser humano bom, que respeita a si e ao próximo e que ele será feliz, à sua maneira. É disto que estou falando.

Não sei se poderemos, eu e o Leo, dar ao Gabriel tudo que imaginamos poder dar, do ponto de vista material. Mas nossa luta sempre será dar a ele bons exemplos, princípios e ensinamentos para que ele seja estas duas coisas: uma boa pessoa e uma pessoa feliz. Fala-se muito de um mundo melhor para nossos filhos... Eu estou falando de filhos melhores para o nosso mundo.

Que o amor sempre vença. E dê forças. Que não tenhamos preguiça de sermos bons pais. Que não terceirizemos a educação do Gabriel para nenhuma parte. Que nos doemos de corpo e alma. Que saibamos identificar pequenas coisas que serão muito importantes. Que Deus nos dê sabedoria, saúde e amor.

Fiquei pensando na minha infância. Em todas as boas lembranças que tenho da minha infância. Não são poucas... Passamos, Regina e eu, um almoço inteiro compartilhando de lembranças de coisas extremamente simples e que nos marcaram pra sempre... Não tinha ido à Disney quando criança. Quero poder levar meu filho. Pois conheci depois de grande e é mágico! Nada contra a Disney. Mas o que estou querendo dizer é que minha infância foi marcada por inúmeros doces momentos de coisas extremamente simples e que eu lembro com muita saudade e amor. E me faz sentir amada. E me faz ser feliz. Lembro da minha primeira vez andando de bicicleta, das moedas pra comprar meu gelinho de coco queimado preferido, dos domingos com meu pai na feira, da cestinha com copinhos e pratinhos de plástico que o Papai Noel mandou entregar numa noite de Natal na casa dos meus tios, da primeira noite que não dormi mais no berço no quarto da minha mãe e dormi na cama no quarto com meus irmãos (eu queria muito dormir com a minha irmã e segurava o cabelo dela!), meu primeiro dia de escola, minha mãe me dando vasinhos para eu brincar de plantar na casa da minha avó que não tinha televisão, do meu pai me colocando no ombro pra ver a parada da Criança na 23 de Maio e depois me levando pra comer misto quente, da minha mãe dando banho em mim e na minha prima e depois emprestando caixa de lápis de cor da minha irmã pra gente pintar na mesa da cozinha enquanto ela terminava a janta, da minha mãe colocando a janta no meu prato e fazendo de conta que era pizza, dividindo em “pedaços” pra eu comer tudo, da minha irmã me dando só a parte branquinha do peixe frito porque eu não gostava da “casquinha” (ela tirava a parte branca, assoprava e punha na minha boca), de quando eu me vesti de colher de pau pra dançar no dia das mães, das viagens ao Paraná que minha mãe improvisava no ônibus uma caminha que eu podia deitar no pé dela e do meu pai (imagina que eles não podiam nem se mexer!), eu lembro de tanta coisa... tantas pequenas coisas... do meu pai brincando de escolinha comigo, copiando lição da lousa e rindo porque eu era professora brava e punha ele de castigo... da minha mãe me desfraldando, me chamando no meio da noite pra ir fazer xixi no banheiro pra não fazer na cama, do meu primeiro dia de aula, das missas... eu lembro de tudo... como se fosse agora e sinto uma gratidão inarrável.

E tudo que mais quero é encher o Gabriel de boas lembranças. A partir do dia 29 deste mês, seremos nós, papai e mamãe, lógico que todos à nossa volta também, mas sobretudo nós, que seremos responsáveis em plantar no coração do Gabriel cada doce lembrança. De cuidado. De amor. De demonstração de afeto, Abraços. Beijos. Broncas. Ensinamentos. Cada pedacinho que vai compor uma nova pessoa, é em grande parte, nossa responsabilidade.

Esta formação da pessoa está além, muito além de coisas como o que ele poderá comer ou não, que remédios vai tomar ou não, se vai usar tablet ou não. É mais importante que tudo deste mundo! Estaremos aqui pra ajudar um ser humano, em sua existência, a cumprir sua missão de vida e ser feliz. E este é o maior desafio. E a parte mais mágica que pode haver!

Estou encantada com a idéia de ser mãe! Mal posso esperar...

 

MÚSICA DO DIA: A Paz (Gilberto Gil)

Por estar simplesmente anestesiada de amor....

 

A paz invadiu o meu coração

De repente, me encheu de paz

Como se o vento de um tufão

Arrancasse meus pés do chão

Onde eu já não me enterro mais

 

A paz fez um mar da revolução

Invadir meu destino; A paz

Como aquela grande explosão

Uma bomba sobre o Japão

Fez nascer o Japão da paz

 

Eu pensei em mim

Eu pensei em ti

Eu chorei por nós

Que contradição

Só a guerra faz

Nosso amor em paz

 

Eu vim

Vim parar na beira do cais

Onde a estrada chegou ao fim

Onde o fim da tarde é lilás

Onde o mar arrebenta em mim

O lamento de tantos "ais"