segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Presente de Natal Atrasado

Depois de 25 dias de repouso, respeitando fielmente o que esta palavra poderia representar, veio a boa notícia: o descolamento sumiu.
As pessoas que duvidaram da minha capacidade de ficar quieta não conhecem o meu lado prudente. Mais que agitada, sempre fui obediente. Eu não ME perdoaria, se eu perdesse o bebê e não tivesse a mais absoluta certeza de que fiz da melhor forma, a minha parte. E em se tratando de saúde, eu simplesmente não discuto com médico, pois eles que sabem das coisas. Eu não. Eu sou En-ge-nhei-ra. Os mesmos seis anos que me dediquei para entender máquinas, eles passaram entendendo o corpo humano.
Pode parecer frescura, mas foi um dos períodos mais difíceis que tenho lembrança de ter vivido. Não desejo pra ninguém. Estava quase chamado meu travesseiro de "Wilson" e fazendo uma carinha nele. Neste período me senti um ganso desses criados para fazer "foie gras"... E pra uma gestante gordinha, colocar por água o plano de fazer exercícios por um tempo, dá medo de parar na Discovery guinchada pra ir pra sala de parto. Mas graças a Deus estou com o peso que voltei da Itália. Ainda restam esperanças. 
Fizemos hoje pela manhã o ultrassom morfológico do primeiro trimestre que deu a tranquilidade para os papais pois o bebê se desenvolve perfeitamente e mapeamento de riscos de anomalias não acusou nada. Estamos felizes. O próximo ultrassom, se Deus quiser, já será para saber o sexo do bebê. E agora já estou curiosa.
Papai Noel deu pra mamãe e pro papai o colamento que pedimos e pro bebê, muitos muitos presentes. Um mais lindo que o outro. Já estamos animados para começar a montar o quarto. 
Uma coisa que aprendi nestes 25 dias de quietude foi que a família da gente tem um lugar insubstituível. E por mais que tenhamos amigos, de montão e dos bons, tem certos momentos que só nossa família supre o que a gente precisa. Sinto uma gratidão enorme por minha família, e isto inclui a família do Leo, que também já é minha. Os cuidados do meu marido, dos meus irmãos, dos meus cunhados, da minha mãe, são simplesmente provas de um amor que me senti embanhada neste longo período. Com direito a surpresa da família de Brasília vir e passar junto na casa do meus sogros o Natal, sobrinhas deitadinhas com a tia, pois sabem da importância que é a união para nossa família.


Estou feliz hoje.
Bem feliz.
Meu médico já avaliou os exames e dia 05/Janeiro/2015 estou de volta ao trabalho. O bebê não está mais em risco e terei minha vida de volta. Ainda que diferente, mas terei vida. O repouso é triste demais. Nem sei quantas vezes chorei...
Intensas 12 semanas na minha vida.
Mais calmamente levarei a vida. Não há porquê ter pressa, tão pouco querer fazer tudo sozinha... Esta foi, sem dúvidas, a maior lição de todas. 

 
Música do Dia: NÃO CHORES MAIS (NO WOMAN NO CRY) - Que eu acho que compuseram para uma gestante que teve descolamento, rsrsrs -

Mas, se Deus quiser!
Tudo, tudo, tudo vai dar pé...
No Woman, No Cry...
Não, não chore mais
Menina não chore assim!
Não, não chore mais
Oh! Oh! Oh!
No Woman, No Cry...


 



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Status Report da Mamãe e do Bebê

Ontem completamos quinze dias de cuidados especiais em função do descolamento do saco gestacional. O caso mais comum que se imagina e que aflige as grávidas por aí. Trata-se de uma espécie de ematoma, igual quando a gente bate um braço, e tem que esperar sarar, cicatrizar, sair o roxo e tal. O próprio corpo a de absorver. O medicamento é basicamente um hormônio que tende a relaxar o útero o fazendo tomar partes que antes não tomaria, ocupando inclusive este pedacinho do ematoma que como não faz contato com o útero, se ampliado causaria o aborto espontâneo. O que não vai acontecer, se Deus quiser. A esta altura já googlezei tanto sobre o assunto que sei que cerca de 18% dos abortos no Brasil acontecem por esta causa. Aí tem as outras lá que preferi nem ler. Ontem fui a um novo ultrassom pela manhã e à minha consulta pela tarde.
Meu descolamento que começou com as dimensões de 10×8×9mm, e que na primeira semana diminuiu consideravelmente para 2,5×4,4×4,2mm, nesta mais uma semana não melhorou quase mais nada, num quadro de estabilização. Desta forma, por medidas de precaução, sigo em casa até o fim do ano, 31/12/14.
Semana que vem teremos o ultrassom morfológico, talvez o mais importante da gravidez, pois detecta a saúde e desenvolvimento do bebê, descarta possíveis más formações, síndromes, etc.
Faremos às vésperas do Natal.
E conseguiremos ver se o descolamento enfim, foi-se embora. Como depois dos cinco descobri que Papai Noel é Deus, na verdade, não preciso nem dizer o que pedi pra Ele neste Natal...
Na primeira semana, estava com tanto medo de perder, que fui completamente xiita no repouso, embora o médico falasse repouso com bom senso. Mas eu não. Se é pra repousar, vamos repousar. Passei a semana sem descer nem as escadas de minha própria casa. Minha mãe estava comigo e até comer eu comia na cama. Veio a melhora surpreendente: o descolamento melhorou mais que 50%.
Na segunda semana, dei uma relaxada. Não dirigi, continuei no Home Office, mas descia devagar as escadas pra preparar meu almoço, lavava meu prato, ficava sentada jogando jogo de tabuleiro com meus sobrinhos adolescentes que me tiraram dum estado de só chorar na sala, subia as escadas para ir ao banheiro, ou seja, fui menos xiita. E coincidentemente ou não, não teve evolução. Perguntei ao meu médico se o repouso absoluto da primeira semana era o responsável por tamanha melhora. Ele disse que não dava pra saber ao certo, mas pra eu seguir meu instinto. E meu instinto é xiita. Então que se dane o mundo, daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. Estou em repouso absoluto de novo e me deixem quieta. Pedi ajuda à família. Minha irmã virá alguns dias me ajudar, e minha mãe nos outros. Leo faz tudo por nós dois, eu e o bebê. Café da manhã, jantar, traz frutinhas, não pára de beijar minha barriga e conversar com o bebê.
Esta fase tem sido um intensivão de aprendizados: paciência, fé, desaceleração e humildade. Não tenho dúvida que tudo que chorei ontem não foi mais de medo. Tenho plena convicção de que o bebê está e ficará bem. Mas eram lágrimas de independência, auto-suficiência e orgulho lavando a minha cara. A gente do pó veio, e somos assim, pequenos como um grão. Sozinhos não somos nada. Existe uma conexão entre cada uma das partes que é mais forte que às vezes pensamos. Quando triste liguei pra minha cunhada Tata, com quem já me desentendi algumas vezes na vida, pude me sentir tão amada, independente de tudo, independente do que eu faço, mas simplesmente pelo que eu sou. Não era a Ana que cozinha, a Ana que trabalha duro, a Ana que fotografa todas as festas. Era a Ana que não está podendo fazer quase nada e que pedia arrego: "fica comigo? Minha mãe não pode esta semana e estou me sentindo muito sozinha..." E fui prontamente acolhida. Não tenho dúvida que nada é por acaso. Ninguém tem elos à toa. E que tudo vai ficar bem...
No trabalho as pessoas têm me ajudado tanto... Não são apenas colegas, são amigos pra vida toda, tenho certeza.
As palavras positivas de quem já passou por isto são também fundamentais nesta hora. E saber das amigas que passaram também sem êxito, lembrar que perderam bebês, me faz as amar e admirar ainda mais, com uma dose extra de solidariedade...
A parte boa é que ainda que o descolamento não diminua, com o passar do tempo o bebê e o saco gestacional vão crescendo, crescendo... de uma semana pra outra dobra de tamanho, às vezes. Semana passada o bebê tinha 2,5cm e ontem já estava com 4cm.
Não é mesmo o milagre da vida? E ele crescendo, o descolamento vai ficando proporcionalmente menor, menos grave.
Cada vez mais com formato perfeito de uma pessoa, tão amado que será.
No ultrassom de ontem ele se mexia. Parecia ficar brincando de nadar. Foi também emocionante. Leo parecia criança: soltou um "Olha!!!!!! Ele está se mexendo sozinho!!!!" Totalmente entusiasmado pela vida que geramos. Estamos felizes. E confiantes. E cautelosos. Deixem-me ser xiita independente se isto que garantirá o sucesso disto ou não. #RumoAoDescolamentoZero
No mais, sigo minha vida de gestante básica.
Enjôos.
Cãimbras.
Azia.
Excesso de salivação ( a gente acorda engasgando com tanto cuspi e decidi pôr uma toalha pra babar em paz).
Gengiva que sangra quando passa fio dental.
Imunidade tende a baixar pra que o corpo não entenda o bebê como "corpo estranho" então já peguei gripe.
Olfato aumenta dez vezes então nego peida da esquina e você sente aqui.
Dor de cabeça.
Intestino mais preguiçoso, requer alimentação estimulante para evitar hemorróidas que são comuns nas gestantes.
Nojo de cheiros como cigarro (ainda que de um vizinho beeeem distante), tinta, perfume muito doce.
Noites recheadas de pesadelo.
Gases.
Picos emocionais (Só eu choro desenfreadamente com os comerciais da Vivo??? Hooo, gente! Concorrente, gente!).
Enfim, acho que as amigas mamães não costumam falar muito da parte ruim de estar grávida pois a parte boa é tão boa, tão boa, que as fazem esquecer. Mas quero quebrar aqui um tabu e dizer: a normalidade me atingiu. Eu tenho tudo que eu pensava "quando eu ficar grávida acho que não sofrerei com isto". Lhufas! Pensamento positivo não a de ser mais forte que as leis da natureza. A gente gera uma vida! É, sem dúvidas, um milagre, o que mais nos aproxima de Deus. Nosso filho ou filha é amado(a), sonhado(a), planejado(a), muito esperado(a) e nada mudará isto. Ser mãe é a realização de um sonho e sobretudo de uma missão espiritual: queremos fazê-lo(a) livre e feliz. É muito mais que um capricho pessoal de querer brincar se casinha. Mas, véi, na boa, não tem sido nada coxinha ser gestante.
E pra aqueles que dizem impetuosamente "gravidez não é doença" (de fato a causa é pra lá de nobre, mas olha esses "sintomas"!!!) só tenho uma hashtag pra dizer: #tomanocu
 
 
Música do dia: Time After Time (porque AMO a versão cantada por crianças no comercial da Vivo e porque tem tudo a ver com meu momento de desaceleração, a vida já passa na velocidade 4G. Não precisa eu também ser tão acelerada.... bebê que nem nasceu e já me ensina tanto)
 
Tradução de uma parte especial:
 
"Às vezes você me imagina
Estou andando bem à frente
Você me chama, mas não consigo ouvir
O que você disse
Então você diz, vá devagar
Eu começo a diminuir o ritmo
O ponteiro dos segundos vai pra trás.."
 
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cinco nem sempre é dez

Entrei uma pessoa sistemática e perfeccionista na faculdade de Engenharia e sai um tanto mais simples e menos exigente de mim mesma de lá. Era questão de sobrevivência: querer tirar sempre dez era loucura e eu não suportaria tantas decepções ao longo de seis longos e duros anos (como um japonês da FEI que na época não suportou e se suicidou. Pensei comigo: o limiar da loucura, todos temos. Melhor que eu não me teste). Estabeleci minha nova filosofia de vida pra época que era "darei sempre meu melhor e aceitarei com humildade os resultados, sejam quais forem, pois terei a consciência tranquila de ter feito tudo que podia." E aprendi que cinco é dez. Não precisa ser perfeito. Precisa ser o exigido. 
Ontem vi que o "cinco é dez" não se aplica para qualquer área da vida da gente. Fiz meu melhor desde que descobri o descolamento. Nem as escadas da minha própria casa eu desci graças à ajuda impagável de meu marido e de minha mãe, que me suportaram por sete dias com tanto amor. Sempre fui xiita. Se é importante repousar, vamos repousar. Por uma semana só levantei para ir ao banheiro e tomar banho. Malemá, no último dia, montei a árvore de Natal para sair de um estágio quase depressivo. Minha mãe é sensível e maravilhosa e trouxe alegria ao meu dia. 
Ontem fiz novo ultrassom. E como tudo na vida, teve as boas e más notícias.
A boa: bebê está crescendo perfeitamente (ouvimos de novo seu coração e desta vez teve até a vovó materna na platéia). O descolamento também diminuiu muito! Mais que a metade: era de um centímetro e passou a ser de 0,48 cm depois de uma semana de repouso absoluto e medicação certa. 
Fiquei eufórica! Mais uma semaninha e estarei zero bala. Hashtag Rumo ao Descolamento Zero! Até passei o Status Report ao meu Gestor dizendo que na semana seguinte estaria de volta. 
A noite veio a parte da má notícia: meu médico viu os exames e disse que qualquer descolamento deste tamanho ainda é um risco de aborto e não considera o risco mitigado. Nada deve mudar em minha rotina na próxima uma semana. Até dia 18 de Dezembro, devo permanecer usando a medicação. Repouso por mais uma semana. Quer novo ultrassom em uma semana quando o visitarei pois é o dia da consulta de pré Natal já agendada.
Achei que teria vida mais normal a partir de terça. Mas seguirei por aqui, em casa. 
Chorei. Confesso não aguentar mais esta rotina que parece de doente. Sei de tudo que meus amigos e familiares diriam numa hora destas: pelo menos você não tem dor, é para o bem do bebê que é tudo que importa agora, tenha paciência, pelo menos você tem um marido maravilhoso que te ajuda em tudo, assista filmes, leia, ainda bem que existe Candy Crush e para ter vidas infinitas basta manipular o relógio do iPad, trabalhe remoto que distrai, enfim, eu sei todos os pontos pelos quais estou realmente grata. Mas confesso estar cansada. Confiante, mas cansada. 
E uma coisa que acho que já mudou dentro de mim para sempre é a pressa com que eu levava a vida. Eu dizia que minha rotina era sempre créu nível cinco. Eu fazia sempre mil coisas ao mesmo tempo. Achava bárbaro fazer logo todo meu To Do List para que novas coisas viessem e assim eu me sentisse útil na Humanidade. E isso era em tudo! No trabalho, no voluntariado, na família, em casa... Agora me pego assim: se quero ser realmente útil para meu filho ou filha, tudo que tenho que fazer é nada. Como um grande sinal da vida dizendo: "Calma, tudo está em calma... Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure... Deixe que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu...."
Sinto isto na pele, cravado. Cada vez que ao levantar para fazer xixi lembro da voz do meu médico e dos queridos dizendo: "faça as coisas com calma. Ande devagar. Mude o passo devagar." Sem dúvidas a maior mudança, a maior quebra de paradigmas de minha vida. Pra quem já gastou tantas sessões de terapia dizendo que temia ser tão tão tão acelerada, pra quem já ouviu da terapeuta "não espere ter um AVC para cuidar mais de você", sinto que esta gestação já trouxe mudanças intrínsicas em minha vida. Achei que nunca cantaria esta música para falar de mim, mas acho que chegou o grande dia, 33 anos depois: "Ando devagar porque já tive pressa..."
Até dia 18/12/14 tem chão! Ou melhor, quase sem nem pisar no chão.... 



Música do dia: A Idade do Céu (Zélia Duncan)

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure

Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Ranhan! Anhan! Hum! Hum!
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah!

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

A mesma idade
Que a idade do céu
Calma!

 
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O passarinho do Nenê

Ponto alto do post de hoje é que desde a última quinta-feira, passamos a receber a visita diária de um passarinho lindo que canta muito alto na janela do quarto onde dormirá o bebê, se Deus quiser. É como um despertador: todos os dias impreterivelmente às cinco ele aparece, canta por mais ou menos trinta minutos e vai embora. O Leo, papai de sono leve, já tinha reclamado dele e na madrugada de ontem, que acordei às quatro da manhã e não consegui mais dormir, eu pude presenciar a ilustre visita.
Achei lindo e romântico e ao mesmo tempo pensei: "Será que ele vai acordar o bebê todos os dias como acorda o Leo?", numa visão bem menos poética. Deixemos isso pra depois. Faltam ainda mais ou menos 31 semanas mesmo...
Entrei na nona semana. O bebê acaba de ser promovido de embrião para feto. Estamos felizes e confiantes.
Sigo em repouso absoluto, por conta do descolamento que identificamos na semana passada. Basicamente a casinha do  bebê tem um "teco" que está desgrudada do útero com risco de aborto. Tratamento se resume a colocar hormônio no útero (imagine uma cola Tenaz) e por isto a importância de não andar para mantê-lo no lugar certo por mais tempo possível, mantendo a eficácia do tratamento. Alguns casos não precisa tanto. Só de não se fazer esforço, já resolve. Já o meu, como é 1 cm de descolamento, meu médico me afastou por dez dias. 30% completed. Estou que nem desço as escadas aqui d casa (moro num sobrado). Evito mesmo. Quero ter a certeza de que fiz o meu melhor. Tenho tido pesadelos todas as noites (como eu li um dia no livro sobre gravidez e achei bizarro) o que é facilmente explicado pelo medo que estou tendo. Em geral sou otimista e confio muito em Deus. Mas sei que os casos de aborto de amigas queridas que passaram por isto, não eram casos de estarem descobertas das proteções Divinas. Tem planos que a gente simplesmente não entende. E logo, tenho medo. Temos conversado muito com o baby. Dias desses expliquei que queremos muito que ele venha, faça parte de nossa família, que amaremos tanto, e seremos todos felizes juntos. Aí no final falei pra ele: "Aparece hoje no sonho do papai. O exame para falar se é menino ou menina agora é caro." Na mesma noite o Leo sonhou com a festa de 1 ano de um menininho. Não sei se ele ouviu minhas preces ou se entrei com senha de root no psicológico do meu marido, mas foi divertido. Seguimos aguardando o quarto mês para descobrir o sexo. Não tem pressa.
Quinta-feira desta semana teremos novo ultrassom. Se Deus quiser estará tudo coladinho. Aconteceu com duas amigas muito queridas, Roberta e Luciane, e depois de dez dias estavam 100%. E o susto passou. Que o meu caso seja como o delas. Amém.
Estou fazendo Home Office. Meu médico me autorizou. Fico meio deitada, meio sentada para conseguir digitar. É bom para manter a sanidade e o dia passa muito mais depressa. Só na sexta que realmente não trabalhei pelas dosagens que deram muito sono. E descobri que o mesmo episódio de Friends que passa as sete da manhã, é o que passa às treze e o que passa às dezenove. Ei, Warner! Não tem pena dos acamados? Não é nada fácil. Por vezes, na empresa em que trabalho, me pegava bocejando e desejando estar em casa assistindo Sessão da Tarde. Agora que poderia estar, queria mesmo era estar boa, podendo ir trabalhar sem essa preocupação da sáude. É fato: saúde é nosso bem mais precioso. Com ela a gente corre atrás de todo o resto. Todo o resto é peanutis...
Mas sinto uma gratidão enorme. Pelo marido que não cansa de cuidar de mim e do bebê. Pela minha mãe que está vindo para me ajudar e me fazer companhia até o dia do próximo exame. Pelo colchão bom que foi presente do meu irmão e cunhada e pela TV paga. E tenho pensado muito nos doentes de verdade, que não tem esperança de levantarem da cama, e meu Deus, como me sinto abençoada diante disto tudo...
Logo voltarei com boas novas.
Por hora, vamos focar no belo, porque não há que se perder o belo olhar da vida! O passarinho do bebê... Calma! Não estou falando que ele é menino. Ainda não sabemos. Mas que ele já tem mais um amiguinho, ele tem.

Cola e fica bem, babyzito!


Música do Dia: Ai, que saudade docê (Geraldo Azevedo/ Elba Ramalho/ Zé Ramalho )

Não se admire se um dia
 Um beija-flor invadir
 A porta da tua casa
 Te der um beijo e partir
 Fui eu que mandei o beijo
 Que é pra matar meu desejo
 Faz tempo que eu não te vejo
 Ai que saudade d'ocê...


Se um dia ocê se lembrar
 Escreva uma carta pra mim
 Bote logo no correio
 Com a frase dizendo assim
 Faz tempo que eu não te vejo
 Quero matar meu desejo
 Te mando um monte de beijo Ai que saudade sem fim





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O bater de um novo coração

E assim foi. De fato chorei. Eu e Leo ali, no ultrassom da oitava semana quando o médico disse  "E agora a música que vocês mais vão gostar na vida." E ouvimos aquele bater de coração alto e rápido, como manda o figurino. Foi instantâneo. O som e a lágrima, instantaneamente. Foi mágico! Ver o embrião tão pequenininho com formas de cabeça, tronco e membros foi lindo! Bracinhos, perninhas... dá pra acreditar?
Não sei explicar. Rolou um respeito maior à vida, um amor maior a Deus...
O Dr. Bertoletti, senhor experiente, narrando lindo de fundo, independente de ser seu milésimo ultrassom: "Ta aí o milagre de Deus. Agradeçam todos os dias. A gente vê milagres assim aqui todos oa dias. É Deus."
Dia inesquecível.
Desde a última vez que brigamos, o papai Leo mudou da água pro vinho. Tem estado tão mais próximo, cozinha todos os dias, arruma a casa, carrega tudo pra mim. Pedi perdão pelas bobagens que eu falei pra ele, chorando. Muita gratidão. Um filho une mesmo o casal. É muito amor em jogo.
No dia do ultrassom tivemos um susto também, que se amenizou ontem após eu ver meu médico. Estou com um pequeno descolamento do saco gestacional. Basicamente é a casinha do neném que deveria estar em sua totalidade grudadinho no útero mas tem um tequinho desgrudado. Resultado: dez dias de molho andando o mínimo possível e medicada. Meu médico disse que é mais comum que imagino e que o perigo é não cuidar, mas que cuidando vai ficar tudo bem. E assim farei. Se precisar beber super bonder a gente bebe. Pernas pra cima, pensamento em Deus e tudo ficará bem.
Daqui uma semana farei outro ultrassom pra acompanhar a evolução. Vai ter sarado, tenho fé.
Estou feliz em identificar precocemente e por ter condições de cuidar. Gratidão que não cabe no peito pela dedicação do Leo e muita certeza de que logo tudo estará colado. A gente quer um filho livre, feliz e descolado, mas não assim exatamente. Rs.
 
 
Música do Dia: Quando você passa (Turu Turu) :: em homenagem ao novo coração que bate <3 ::
 
Se esse turu tatuado no meu peito
Gruda e o turu, turu, turu, não tem jeito Deixa sua marca no meu dia-a-dia
Nesse misto de prazer e agonia 

Nem estou dormindo mais
 Já não saio com os amigos
Sinto falta dessa paz
Que encontrei no seu sorriso
Qualquer coisa entre nós
Vem crescendo pouco a pouco
...
 
 
 
 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Comer, peidar e amar

Antes minha rotina na semana era mais ou menos assim: acordava por volta das seis e quinze e me arrumava para depois de aproximadamente uma hora estar a caminho do meu trabalho com meu marido "Oscar" (temos só um carro que compartilhamos de forma feliz em 99% dos casos). Duas horas depois, eu chegava ao meu trabalho (preço que decidimos pagar para morar numa casa como sonhamos em meio à natureza). Duas horas pra ir e quase duas pra voltar. E nestas horas de trânsito por muitas vezes íamos lendo a Superinteressante que assinamos, um livro budista, ou um livro destes gurus inovadores do mercado. Ou ouvindo playlist nova que baixamos, contando piadas, conversando muito (em geral eu falando muito mais que o Leo). Depois das longas horas de trabalho, que nunca se resumiram a oito horas por dia, pois somos de TI, vínhamos pra casa se mais pro começo da semana ou íamos para nossa agitada vida social, de quarta pra frente: ora jantávamos fora, íamos ao cinema, ver peças stand ups, shows, enfim, se sofremos tanto por estarmos em São Paulo pelos ônus que esta cidade nos traz, fazíamos bom uso e fruto de seus bônus também. Quando vínhamos pra casa, eu adorava cozinhar (e isto explica muita coisa, todos os kilos a mais desde que nos encontramos). Cozinhava mesmo! As duas horas de trânsito pra casa nunca foram de me abater na cozinha. Eu fazia tudo aquilo que via na TV e meu maior desafio para emagrecer sempre foi resistir a uma boa pratada de arroz e feijão no jantar, fresquinhos que eu fazia todos os dias. Tomávamos nosso banho da noite e depois de nos fartarmos assistindo diariamente ao desenho de "Os Simpsons", Leo jogava vídeo-game e eu ou trabalhava um pouco mais, se eu estava em épocas de projetos difíceis como 3G, 4G, NG (rs), ou passava horas a dentro de atividades da ONG onde sou voluntária, a Make-A-Wish, uma ONG que realiza os verdadeiros sonhos de crianças e adolescentes com doenças graves para lhes mostrar que tudo é possível (a mesma que aparece no filme A Culpa é Das Estrelas). Muito frequentemente eu varava madrugada adentro em minhas atividades da ONG. Realizei sonhos incríveis graças a esta dedicação. Dormir a uma da manhã era prática de todos os dias. Dormir às três era algo que a acontecia pelo menos uma vez por semana. A gente descobre o sonho das crianças e tem que correr atrás das corretas alianças e parcerias, para patrocinar os sonhos. E a Internet sempre foi a ferramenta que me viabilizou chegar a estas realizações. A Internet nos conecta com QUALQUER pessoa do mundo! Acreditei nisto no dia que recebi um email resposta do próprio Gugu Liberato, sem nenhuma intermediação de empresário ou coisa assim. Sou coordenadora dos sonhos com celebridades da Make-A-Wish. Isto quer dizer que, quando o tipo do sonho da criança é "conhecer alguém", cai para que eu estabeleça contato com a tal celebridade (se nacional) e arranje o grande encontro para a realização. E assim viabilizei mais de quarenta deles em um ano, madrugadas adentro. É isso que eu adoro fazer na Internet: compartilhar e me relacionar. Fotografia também sempre foi uma paixão. Horas tirando e dias as tratando. Meu verdadeiro hobby. E isto também enchia minhas noites e finais de semana. Falar com muitos amigos, seja por qual mídia for, sempre foi também uma prática. Eu olhava pra mim e se tivesse que me resumir numa palavra seria entusiasmo. 
Aí engravidei.
Minha vida tinha se resumido em dormir e arrotar nas últimas oito semanas. 
Nada de noites adentro. Passou das dez estou caída de sono. No show do Jorge Benjor sai na metade e fui pro carro dormir. Até sábado não tinha passado mal nenhuma vez, só muito sono. Sono é que nem coceira: não dá nem pra reclamar. Na tentativa de ser uma boa mãe desde já, tenho obedecido ardentemente. Vou dormindo enquanto o Leo dirige uma hora e meia, deixo ele no trabalho, aí eu dirijo os outros trinta minutos até o meu trabalho e adivinhem: estaciono e durmo. Pelo menos meia hora todos os dias. Para só então conseguir subir pra minha mesa. Depois do almoço, só de pé nas reuniões pra parar acordada. Na hora de ir embora, contando no relógio o mínimo que tenho que fazer por dia, dirijo mais ou menos uma hora até o trabalho do Leo (por sair no horário de pico), ele pega o volante e eu durmo. Ele não tá nem se atualizando dos babados da empresa... Sem livros, sem compromissos, sem discussões filosóficas sobre vidas extraterrestres ou vida após a morte que costumávamos ter. Sem piadas. Ele pode vir ouvindo música, notícia ou futebol que eu nem vou criticar. Não sei se ele está em estado de graça por ter agora a esposa muda com que sempre sonhou ou se está estranhando tamanho silêncio. Dá uma certa insegurança tantas mudanças em relação ao casamento... Chegamos em casa e eu corro pro quarto com ventilador de teto ligado, com nojo de todos os cheiros não consigo cozinhar. E o Leo faz pacientemente a comida pra mim. Eu nunca sei dizer o que eu quero. Mas tenho toda ênfase para dizer o que não quero de jeito nenhum. Que saudade de bater uma pratada de pedreiro, confesso. Desde que descobri, emagreci quatro quilos...
Esta tem sido minha vida.
Por oito semanas se resumiu em dormir e arrotar.
Agora vejo ampliar: dormir, arrotar e enjoar.
Amiga Dani hoje falou pelo Whatsapp; "Segura a onda que está só começando."
PÉEEEM! RESPOSTA ERRADA! A resposta certa é: "tenha esperança que no quarto mês tudo melhora." Rsrs. E seguimos com esta esperança.
Em meio a um humor que não lembro de ter tido na vida, meio bege, meio morno, tenho a impressão de sentir quase uma tristeza. 
Mas ei que em meio a um minuto de sanidade, ao fazer carinho na minha barriga querendo que o bebê entenda que apesar dos pesares, eu o quero, e como desejo que esteja bem lá dentro dessa pança, começo a chorar. Em meio aos baixos dos últimos dias, eis que chegou meu ponto alto. Fiquei feliz. Como que tocada por um afago de um anjo. Me pego chorando de emoção com uma música no rádio que nem estava prestando tanta atenção. E pela primeira vez na vida, pude me imaginar o pegando nos meus braços, ainda cheio de sangue, vivo, feliz e chorando. Fechei os olhos por alguns segundos (tive que abrir logo porque estava dirigindo) e desejei do fundo da minha alma ser mãe... Prestei atenção no fim da música e chorei ainda mais. Depois olhei a letra por inteiro e se eu puder escolher uma música pro momento do meu parto, está escolhida... É esta a música que me conectou hoje e que me conectará daqui sete meses com esta alma que chamarei de meu filho ou minha filha...
Toda rotina pode ser resumida a nada. Posso ser este vazio agora, mas sei que se encherá de vida logo mais! 

Música do dia (a que eu quero que toque no meu parto): Pétala (Djavan)

O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar...

Oh! meu amor!
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo, um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver
Viver!

Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim
!!...e fim.