E o tempo passa voando. Estamos já terminando a vigésima terceira semana, sexto mês à espera do amado Gabriel. Ontem fomos, só eu e ele (papai trabalhou o dia todo) à uma festinha de um aninho do Felipe, filho de casal querido de amigos (Família Hayashi) e me emocionei bastante vendo à retrospectiva do pequeno e imaginando que logo será o primeiro aninho do Gabriel. O tempo voa! Parece que foi ontem que jantamos juntos e a Sabrina disse que estava grávida, e num piscar de olhos, pronto, já é o primeiro aniversário dos pequenos. Ontem, mais especificamente, pude sentir o tão falado "maior amor do mundo", que eu duvidava ser capaz de sentir antes de ver a carinha do Biel, mas sinto. É meio inexplicável! Enquanto eu ouvia a música "Fico Assim Sem Você" da Adriana Calcanhoto, acariciava minha barriga com uma vontade tão grande de poder alcançá-lo, que apertou o peito. Tive certeza: é o maior amor do mundo! Não imagino minha vida sem o Gabriel e tão pouco consigo entender porque esperei tanto!...
Quando me perguntam se eu não sinto pressa pra que ele saia, é um misto de "não vejo a hora" com um puta cagaço do parto "fica aí o máximo que der". Hahaha! Já contei que aos seis meses de vida passei 45 dias na UTI com infecção hospitalar? Meus pais abriram mão de tudo, venderam a casa na época, pra me colocarem no hospital particular que me salvou. Conta minha mãe que eu não tinha mais veias pra tomar medicação nem nos braços, nem nas mãos, nem nos pés, nem na cabeça. O fato é que só descobri que isto aconteceu comigo depois dos 27 anos de idade. Coisas tristes dessas que ninguém quer lembrar. Meus irmãos pequenos, 7 e 10 anos na época, se viravam sozinhos como se fossem gente grande. Descobri isso num curso de terapia intensiva que fiz anos atrás, em regressão. No treinamento, achei que era coisa da minha imaginação, mas depois, descrevendo exatamente o que vi e senti na regressão, minha mãe me contou tudo, que tinha realmente acontecido comigo, aos 6 meses de vida. Sim, somos capazes de lembrar como se na terceira pessoa, em regressões. Foi um grande trauma. Sinto-me abençoada por ser filha dos meus pais, por ter meus irmãos, minha família. Eles são os grandes responsáveis por minha vida. Sinto-me abençoada também por ter tido recursos na vida para tratar minhas feridas e traumas, tornando-me alguém bem mais feliz. Mas confesso que o lance de hospital e tal, ainda é um ponto de interrogação em minha vida. Não sei se superei por completo o medo que sempre tive de dor e hospital. Prefiro pensar aue vou pra maternidade e não pro Hospital. Mas não sei se minha coragem de tentar um parto normal perdurará até a hora H. Confesso que, em segredo, falo pro Gabriel sentar e me livrar dessa culpa: aí faço a cesária e não será uma fraqueza minha. Rs. Por isso também, que não gosto de ficar falando de parto. Já não bastassem todas as novelas da oito que assisti na vida (no passado), que sempre mostrarm partos como momentos horripilantes (quem não se lembra daquele parto de Bebê a Bordo dentro do táxi aos berros da Isabela Garcia??? Porra, menos de uma hora e não deu tempo de chegar no Hospital??!!! Eu moro em Cotia!! Meu Deus!) tem sempre detalhes nada fáceis que as mamães passam em suas horas. Descobri dias desses que um dos meus amigos dos trabalho, Alisson querido, nasceu com os órgãos pra fora (Oi? Alisson! Não me conta isso a-go-ra!). Enfim, já implorei para minhas amigas mais evangelizadoras do parto natural deixarem esse assunto pra lá. Isso definitivamente não é pra mim. Vamos respeitar os limites do coleguinha, pessoal! Pra mim, parto é que nem guerra: você não tem a menor idéia de como vai ser, tem que ir e não alivia em nada sofrer com antecedência. Meu médico brinca: "Não se preocupa que vai sair." Ah, vá! Eu sei. Não será como arrancar os dentes do cizo que adio há exatos quinze anos. A causa é nobre. O amor há de ser maior que o medo e tudo ficará bem. Sou grata por ter condições de ter o filho num dos melhores Hospitais de São Paulo (escolhi a Maternidade São Luiz) e por poder contar com uma equipe em que confio. Na minha última consulta de Pré-Natal achei melhor escrever uma cartinha pro meu obstetra, que entreguei com uma caixa de Cookies deliciosos. Escrevi uma mensagem pra ele assim:
Dr. Dalton
Espero que os mais de 1500 partos que o senhor já fez na vida não o deixem esquecer do quão especial você é na vida de cada mulher que trata. Para nós, é simplesmente o momento mais importante de nossas vidas, pelo qual esperamos, às vezes, pela vida inteira, desde quando fazíamos nossa boneca ninar, ainda crianças. Em você depositamos toda nossa confiança, confiamos nossas vidas e mais que isso, confiamos as vidas de nossos filhos. Portanto, por favor, nunca se esqueça do quão importante você é para cada uma de nós. Deus continue abençoando suas mãos, para que através delas, continue em sua doce e nobre missão: trazer ao mundo mais vidas!
Com carinho,
Ana
Tive que fazê-lo. Precisava dizer isso a ele. Os cookies foi pra que ele goste mais de mim. Hahaha! Vai ser importante lá na frente. Cagaço mór. Medo que faz querer ser especial, como ele é pra mim. Mais de 1500! Esse cara faz parto como eu faço Status Report dos meus projetos: meio que cantarolando minha música preferida. Me-do! Mas vou sobreviver, com ou sem medo, é o que ele sempre me diz.
Minha mãe diz que depois do oitavo mês, a vontade de tê-lo em meus braços e o incômodo da barriga pesada vai ser tanto que vou querer parir. Por hora sigo com medo, adorando minha barriga e a sensação de que aqui dentro eu que cuido, eu que protejo, e a cada dia que passa, sinto crescer o amor. A ocitocina tem tomado conta de mim!
Meus seios não cresceram muito não (talvez por já serem grandes o suficiente) mas os bicos não são mais rosas. Estão marrons bem escuros, conforme li que aconteceria. Me sinto a Globeleza!
Minha pressão, graças a Deus está ótima. Mais pra baixa que qualquer coisa. Tenho medido pois minhas catotas são vermelhas de sangue sempre. E minha gengiva também sangra com fio dental. Tudo igualzinho a literatura alerta. A normalidade chegou aqui e parou. Me sinto a grávida mais comunzinha do mundo, com todas as features ativadas (exceto vômitos e hemorróidas, graças a Deus).
Minha barriga é grande. O Gabrielzinho está na média, bem no centro dela: nem um bebezão, nem um bebezinho. E continua num triplex: barrigão! Única fase que as pessoas nos chamam de Melancia e a gente fica feliz (amigo Daniel Wenzel não pode me ver que fala: "Oi, Melancia?" E eu fico toda feliz). Vai entender. Vou sentir, com certeza, falta dessa época. Antes de engravidar, gordinha, viviam me perguntando se eu estava grávida. Triste. Aí fiz upgrade: engravidei. Agora insistem em dizer que tem mais de um. Me sinto a "grávida da Record". O povo não entende esteriótipos Plus Size e ponto. Outro dia fui na FNAC comprar o "Álbum do Bebê" da Anne Guedes que sempre me imaginei comprando. Quando cheguei no caixa tinha um moçoilo cheio de palpites pra atender:
- Tá de quantos meses?
- Seis.
- Só? Tem certeza? Acho que é mais!
- Não. São seis meses mesmo. (Mal sabe ele que são cinco completos. Entrei no sexto agora!)
- Ah, então tem dois bebês aí! Um tá escondido!
Aí eu me pergunto: "Cê é obstetra ginecologista? Não. Você é caixa na Fnac. Porque não pergunta logo se quero a porra da nota fiscal paulista e acabamos logo com isso?!" Kkkk Mas não tenho coragem. Dou aquela risadinha amarela e espero a boa vontade do queridão de apertar a função débito para eu pagar e correr dali. Parar no banheiro e olhar a barriga, pra ver sr tem algo muito errado mesmo. E bastam dois minutos olhando pra barriga pra já gostar dela de novo. A ocitocina me invadiu mesmo!
Ontem fui fazer depilação. Nem dói mais. Meu cérebro está setado para esperar por dor maior. Lembro de quando "pari" uma pedra no rim e tudo menor que aquilo é mimimi a essa altura. Dias desses tava com medinho de arrancar o band-aid após exame de sangue e pensei "sejes, cê vai parir! Puxa logo isso!" E puxei antes do banho mesmo. Antes esperava a cola amolecer com sabão pra evitar o puxão. Rs. Outro dia também me peguei com o pé dormindo, sabe? Quando formiga pra cacete? E não queria pisar. Aí pensei: "sejes! Cê vai parir! Pisa logo nesse chão que nem homem e acorda esse pé!" Rs. E assim tenho me preparado. Depilei a barriga inteira. Estava me incomodando. Sempre tive a barriga lisinha, aqueles pêlos, ainda que finos, me causavam estranheza. Não doeu não. Gabrielzinho mexeu durante. Devia estar se perguntando que raios estaria acontecendo. Eu expliquei pra ele: "Sua mãe está parecendo a Monga do Playcenter aqui fora! E está dando um jeito nisso!" Aí ele se acalmou. Depilar não tá fácil. Pensa que não existe mais "de bruços" no seu vocabulário. Mas pra tudo se dá um jeito. Definitivamente faço mais posições na depilação que fazendo gostosinho com o Leo. Hahaha! Fato.
Os exames de sangue deram quase todos ok. Exceto por um poquinho de anemia também comum no segundo trimestre de gestação, onde o vampirinho que existe dentro de nós precisa de muito ferro. E rola um QoS, uma priorização, graças a Deus: primeiro ele, depois a mãe. Achei que Gerente de Projeto, que toma tanto ferro todos os dias, nunca tinha anemia. Rs. Mas estou. Então aprendi que não é importante só incluir mais ferro na alimentação (presente em lentilha, feijão, carne vermelha, beterraba, verduras verde escuras). É preciso que aumentemos a capacidade de absorção do ferro ingerindo bastante vitamina C nas refeições. É o que sigo fazendo. E tenho tido um sono absurdo novamente. Como no primeiro trimestre. Não sei se por conta da gestação, por ser normal voltar o sono, ou se pela anemia. Mas todo o resto segue bem.
É preciso dizer que atingimos o terceiro volume morto da conta bancária nessa época (kkk). Muita coisa pra se comprar (enxoval, dinheiro pro parto, corrimão para a escada, redinha para as janelas do sobrado, etc). Mas ainda assim, uma das melhores fases da vida!
Sigo radiante e gestante!
Uma experiência que é difícil de narrar, por mais que eu me esforce.
Música do Dia: Fico Assim Sem Você (Adriana Calcanhoto)
Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu, assim, sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu, assim, sem você…
Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim…
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu, assim, sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu, assim, sem você…
Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração…
Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo…
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu, assim, sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu, assim, sem você…
Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim…
Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo…