quarta-feira, 11 de março de 2015

Chá de Bebê, Mar de Gratidão

E agora estamos há apenas um dia de entrar no sexto mês. Não, não ficarão faltando só três para o Gabriel vir. Faltam quatro: sexto, sétimo, oitavo e nono. São cinco completos. 22 semanas. Essas contagens a la Malbatahan de grávida só entende mesmo, quem fica grávida. O fato é: passamos da metade e estamos bem. Amanhã é dia de exames dos mais diversos, rotina do Pré-Natal. Dentre eles, o ultrassom obstétrico morfológico do segundo trimestre. Como diz uma amiga: "ir pra este e exame não é como ir ao parquinho". A gente vai de peito aberto, mas humanas que somos, vamos também preocupadas. É lá que termina um possível rastreamento de possíveis anomalias, doenças e síndromes. Em especial, não vejo a hora de ouvir o médico dizendo que os rins do pequeno estão normalizados, não mais dilatados. Enfim, amanhã é amanhã. Veremos tudo isto.
Pra elevar o pensamento não poderia deixar de falar do meu Chá de Bebê que aconteceu neste final de semana: uma festa inesquecível, dessas que nos causam sentimentos bons e recarregamento de energia como um casamento ou formatura... Me senti uma "ilha" rodeada de queridas por todos os lados. Fizemos no salão de festas da Fafá e Maurício, futuros padrinhos do Gabriel, onde caberiam as pessoas sem ter que parcelar em 2 festas sem juros (mais que o dobro do salão lá do meu condomínio). A lista tinham 106 meninas, das quais tive o privilégio de abraçar 75 delas: era o salão mais lindo, cheiroso e amado ever. Fiz questão de só chamar quem realmente amasse pra compartilhar deste momento tão único que está sendo a espera do Gabriel. Ganhei MUITO, muito presente! Terei pouca coisa pra comprar agora, uma ajuda impagável e a prova de que a união realmente faz a força. Há quem ache meio absurdo essa petição de ajuda no enxoval. Eu não acho não. Sempre dei com muito prazer os presentinhos pras amigas na vez delas e acho a idéia e resultados sensacionais: cada um ajuda com uma coisinha que não lhe fará falta, mas pra quem ganha o todo, faz TODA a diferença! Antes eu era mais sistemática. Depois de anos de terapia deixei de ser pretensiosa e aceito ajudas e carinhos. Aprendi que dizer "não precisava" quando se ganha um presente traz mau agouro. Devemos sempre mentalizar "eu agradeço, eu mereço e eu quero mais". E sempre sermos generosos com nossos próximos. Eu AMO dar presente. Mais até que receber. E assim segue o fluxo da vida, que não faz o mínimo sentido se não for uma grande troca. Sobretudo de energia. 
A gratidão que senti no fim daquele sábado é indescritível. Eu olhava pra aquele salão e via assim, cheio de amigas de verdade, pessoas que admiro e amo, ficava passando suas estórias em minha cabeça, suas intimidades, suas superações, suas viagens, tudo tão cheias de vida!... Eu juro que daria um livro, desses incríveis, best sellers por motivar outras pessoas. Tenho a certeza de que as relações humanas em que me meto são sempre ricas, como se eu fosse abençoada com as melhores pessoas do mundo em meu caminho. Sempre concluo isso, olhando pro Leo, pra minha família, pros meus amigos. E fiquei ali, meio pasma com tanto carinho, agraciada "olhando tudo por detrás de uma cortina", como diz a Lu. 
Meu maior desejo é que fosse uma tarde agradável e divertida. Amigos e parentes me ajudaram arduamente para que tudo estivesse perfeito: comes, bebes, decoração e entreterimento. O tema da festinha era Zoo: bichinhos de pelúcia pra todo lado. Eu amei cada detalhe com aquela pitada "ownnnnn" de fundo que nunca passava. Contratei uma drag queen para dar uma animada na galera com brincadeiras como corrida de mamadeiras com cerveja, acertar o tamanho de minha barriga com o barbante, estourar bexigas com a barriga. Não deu tempo de fazer todas as brincadeiras que eu planejei (como bingo, mímica e outras) mas foi divertido. Paguei castigos à moda antiga, a la anos 80: procurei a aliança na bacia de farinha com a boca, tentei encaixar caneta amarrada no barbante dentro de uma garrafa, tomei guaraná com prestígio no penico, usei fralda geriátrica, chupei um limão inteiro, coisas do tipo. Gostei das risadas. 
Fizemos também uma cápsula do tempo. A idéia inicial era comprar um cano de PVC com tampa nas duas pontas pra guardar mensagens desta geração para o Gabriel. Aí minha amiga mais artesã do mundo, Silvia Navarro, pegou o cano pra me ajudar a enfeitá-lo, o que tomou proporções homéricas! A cápsula do tempo ficou a coisa mais linda do mundo!!! E lá colocamos mensagens para o Gabriel que só serão lidas em 2031, quando ele fizer 16 anos. Escolhi essa idade pois 15 é coisa de menina que debuta, e 16 me parece um bom número para censura zero: podem escrever sobre qualquer coisa mesmo. Fui emancipada aos 16. Acho uma idade bacana pra marcar o início de uma maturidade. Imagino assim pra ele. Foram conselhos, recados, homenagens... Uma forma de deixar a marca de todas estas pessoas que o encheram de amor por agora, por todo o sempre. Obviamente não terei mais coragem de enterrar a cápsula. Só se eu colocar esta cápsula dentro de uma outra cápsula (rs). Fecho os olhos e imagino daqui uns 5 anos, se Deus quiser teremos um sítio, pra constantes uniões de amigos e família pra celebrar a vida, farei um mapa do tesouro e levaremos o Gabriel a um ponto estratégico para enterrar a cápsula. Será uma aventura este dia! E depois de 11 anos ele estará moço e ganhará o presente. Espero que ele não seja um desses adolescentes apáticos que não vêem graça em nada. Mas enfim: o plano está traçado. 
Depois, foram 3 horas abrindo os presentes, com direito à emoção e tudo (tive uma crise de choro de emoção quando tocou aquela música do Nando Reis "Pra você guardei o amor"). Ganhar presentes para o bebê é mais gratificante que pra mim mesma, um dos primeiros sinais do que a maternidade nos desperta certamente, como posso sentir em minha mãe até hoje, que põe a felicidade dos filhos acima da própria felicidade. Talvez comece a entender amigas que deixam suas profissões de lado ou mantém um casamento não tão feliz na tentativa e pensamento de estarem fazendo a melhor opção para criarem seus filhos. Ou mais que isso: talvez não seja uma questão de colocar a felicidade do filho acima da sua. Acho que é mais do que isto: talvez as coisas realmente mudem e a verdadeira felicidade de uma mãe seja seja ver a felicidade de seus filhos. E ser mãe, seja assim, um dos atos mais autruístas do ser humano. E nem é preciso ser mãe pra saber disto. Eu já sentia isto antes de tudo isto, simplesmente sendo filha. Sempre falo que mães tem seus "quês" de santa... Agora, chegou a minha vez de fazer alguém mais entender isto na pele e na alma. 
Ser mãe é, sem dúvidas, uma benção. 
Nunca me senti tão perto de Deus!...

Música do Dia: Pra você guardei o amor (Nando Reis e Ana Canãs), a música que me fez chorar no Chá de Bebê do Babyel:

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder







Um comentário:

  1. Foi muito bom participar desse momento! Amei a ideia da capsula do tempo! Beijos!

    ResponderExcluir