domingo, 30 de novembro de 2014

Nem tudo são flores...

Pensamento positivo não foi suficiente para não passar pelo que passam a maior parte das grávidas. E talvez eu poste o que algumas sentiram mas em geral não se tem coragem de falar. Tive um fim de semana ruim. Sensação de intoxicação alimentar só que com a parte de estômago mega embrulhado e dor de cabeça. Nojo de cheiros que me impediram de cozinhar e picos emocionais que me fizeram chorar o sãbado todo. Ora de solidão, ora porque o Chaves morreu, ora de culpa por não conseguir comer o que deveria estar comendo para a formação do meu filho, ora por aí vai. Chorei muito. E infelizmente senti pela primeira vez aquela sensação de "o que eu fiz da minha vida?" quando meu marido passou o dia todo fazendo cerveja para o Natal na casa dos pais dele, teve que ir sozinho ver a peça teatral da minha sobrinha (infelizmente não consegui ir. Estava muito indisposta) e ao pedir que ele viesse embora às 22h, quando acabasse, ele disse que não sabia, pois como estava dando carona para a família, talvez parassem pra jantar. Oi? Entrei em xilique mode (e sinceramente acho que entraria independente dos hormônios pois acho o cúmulo do egoísmo e da falta de solidariedade), discutimos (quer dizer, só eu falei) e eu me arrependi de ter engravidado. Foi péssimo sentir isto. Muita culpa depois, mas seria hipocrisia dizer que nunca senti. Depois chorei horrores, tomei um banho bastante longo, com banquinho embaixo do chuveiro (tive que esquecer da crise da água) e me redimi. Mas sei que certas coisas simplesmente sempre serão iguais. São as queixas de nossas mães e de minhas amigas que já são mães. O otimista tem a péssima mania de achar que coisas ruins não acontecerão com ele. Mas óbvio que acontecem. Ao me ver sozinha o dia inteiro, sem conseguir cozinhar, a única coisa que eu queria, era minha mãe. A primeira briga depois de anos e anos juntos sem brigar. Achei que passaria ilesa mas no way. Homem tem sempre um "quê" de folgado que não dá pra aceitar. Por fim ele veio direto pra casa, fez a janta que eu pedi (batatinhas com carne moída sem nenhum tempero, só sal) e está um clima horrível. 
Por tudo que falei e da forma que falei, acho que deixei claro minhas expectativas mínimas de envolvimento. Não fiz sozinha este bebê e tão pouco escolhi passar mal. Adoraria estar tão bem como antes. As pessoas tem que entender que nem sempre é possível fazer apenas o que a gente gosta. Por vezes é preciso fazermos o que temos que fazer e o nome disto é responsabilidade.
Fim de semana difícil. Pelos passares mal do corpo e da alma. Espero mesmo que tudo isto passe.
Hoje entendi a parte que minhas amigas me falavam: "Nem tudo são flores..."
De fato. 
Pensei em todas as mulheres que conheço e que já são mães. Lindas mães. Boas mães. Pensei em tudo que já passaram e passei a admirá-las muito mais como seres humanos. 
Mas vai passar. Não há mal que perdure, já dizia Chico Xavier.


Música do Dia: Isso (Titãs)

"Isso
Que acontece com a gente
Acontece sempre com qualquer casal
Isso
Ataca de repente
Não respeita cor, credo ou classe social
Isso, isso

Parecia que não ia acontecer com a genteNosso amor era tão firme, forte e diferente..."

 





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