O medo de estar comemorando prematuramente a gravidez acabou quando recebi um pacotinho surpresa em minha mesa. Era um presente de uma pessoa muito querida, Camila, noiva do Alisson que trabalha comigo. Não nos conhecemos pessoalmente mas sei o quanto ela é especial por ver o Alisson tão apaixonado e por saber de suas estórias de vida. Ela deu três lindos bodyzinhos brancos para o baby e a mensagem que trocamos depois por e-mail foi tão importante para mim: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida em abundância.“ (Jô 10:10). Era basicamente um conselho de não tenha medo. Ela escreveu: “Não deixe nada de negativo roubar a cena... porque o plano de Deus é vida. E vida em abundância.” Se eu esperava um sinal para relaxar e ser feliz, este foi pra mim o sinal. Não voltei a pensar neste medo.

Lembrou-me aquela frase: “E por acreditar em anjos, eles existiam”. Tenho muitos ao meu lado, no formato de família, de amigos, e até pessoas aparentemente estranhas mas com quem posso sentir laços inexplicáveis e sentir veracidade nos sentimentos. É sempre intenso.
Mas estranhamente me senti triste. De outra forma, desta vez. Olhava para o Leo com tanta gratidão, que parecia desta vez não amá-lo o suficiente. Desde que descobrimos ele tem sido tão mais carinhoso, paciente e cuidadoso... O que senti naquele dia foi uma espécie de culpa por ele não ser mais, o ser mais importante de minha vida. Foi estranho. Sempre tive certeza do quanto o amo, mas pela primeira vez parecia ser pouco. Lembrei de uma amiga grávida contando que sonhou que entrou um ladrão em sua casa e que ela pegou os dois filhos e jogou o marido pro ladrão. E que ela não tinha coragem de contar isto para o marido e se sentia mal por isto. Mas eu a compreendi profundamente. Meu elo com o Leo sempre foi tão mais que simplesmente marido e mulher, amo tanto a sua alma, sua amizade, sua companhia, seu sorriso e sua forma de me fazer sorrir... E agora sei que o amarei ainda mais como pai dos meus filhos, da forma que sempre sonhamos, mas tenho que confessar que senti esse “vazio”. Cheguei a chorar na hora do almoço, com uma grande amiga confidente. Que me abraçou, me compreendeu e disse que iria ficar tudo bem. No mesmo dia, coincidentemente, Leo pediu pra irmos ao show do Jorge Benjor, que ele ama de paixão. E eu aceitei.
Shows do Jorge Benjor são fod*. O cara deve cheirar e acha que todo o público cheira. Nunca menos de duas horas. Estava marcado para começar às onze, no Espaço das Américas que é uma casa de shows imensa (pra minha sorte não estava cheio) e obviamente começou a meia noite, de uma sexta-feira, que tínhamos todos acordado cedo para enfrentar um longo dia de trabalho. Achei o que chamei de a melhor forma: fomos ao show com o carro (ainda que o estacionamento ao lado fosse mais caro que o próprio ingresso) e quando me cansei, por volta da uma e quinze, fui dormir no carro, onde, por graça de Deus e herança genética do Seu Tiãozinho, consigo dormir tão bem quanto em uma cama King Size. Leo chegou no carro depois das três, com a Clau e a Rosi, minhas irmãs, feliz da vida, radiante de alegria, contando como foram as partes que eu perdi. Voltei a me sentir feliz, apesar de cansada. Não quero que a gravidez seja algo que modifique a minha essência. Não quero ser egoísta ao extremo, talvez um pouco mais do que seria se fosse só eu e eu. Quero cuidar do bebê, do meu corpo, de todos os detalhes, mas quero, antes de mais nada, continuar amando aqueles que amo, continuar sorrindo e fazendo sorrir. Nenhum extremo é bom. Quero o equilíbrio. E acho que um grande desafio que sempre achei que teria, e acho que é real, é de manter a identidade além de ser mãe. Continuar tendo meu mundo apesar de um novo mundo que embarco. Que eu possa ser esposa, amiga, filha, irmã, que eu possa continuar vibrando com as minhas realizações e ser a melhor mãe que meu filho poderia ter. Esta é minha vontade.
Talvez em posts futuros eu escreva coisas totalmente diferentes disto. Mas hoje, enquanto os hormônios ainda estão talvez brandos, esta é minha forma de pensar. Acho que tem que rolar uma consciência pra que, com a bendita desculpa dos hormônios, não nos transformemos em algo que nunca fomos, simplesmente porque estamos nos permitindo... Vi casamentos e amizades acabarem por que as pessoas "se permitiram" demais. Tem que rolar um equilíbrio. Se eu vou conseguir, é outro papo. Mas que eu tenho a consciência, eu tenho.
Mas o que eu queria dividir neste post é que tem sido um turbilhão de emoções. E dúvidas. E aspirações. E de repente me vi como a pessoa mais encanada e medrosa do mundo.
Estava receosa de fazer gostosinho também (forma carinhosa que tenho de dizer transar). Mesmo que o médico e amigas dissessem que tudo bem. Mas decidi superar e, para o meu próprio bem, consegui. Tem mulher que relata que o libido aumenta na gestação. Pra mim nada mudou. Talvez ainda seja cedo. Eu estava era morrendo de medo. Eu ficava pensando: “O que o bebê vai pensar disso tudo? Será que ele vai pensar ‘Poxa! Eu aqui me formando e minha mãe aí fora, me zoando?!!' ”
Conseguir fazer amor foi importante por todo este contexto que tinha falado de não querer me isolar como figura unicamente de mãe. Voltei a me sentir mulher, além de mãe e percebi que a gente não pode ter “medo de estimação”. A gente só perde. Quando eles aparecem, a melhor coisa é pensar, raciocinar logicamente, chorar se preciso for, dividir e superar. A gente não tem que “Dar comidinha” nem "colocar pra dormir"... Tem uma tese que inventei que me ajudou a relaxar e aproveitar: Talvez os bebês que nascem com covinhas lindas, sejam os que foram “cutucados” por seus papais nas horas de gostosinho durante a gestação. Enfim. Como eu adoro covinhas, deu certo... Que cada gestante encontre sua própria forma de superar!
Música do Dia: Durma Medo Meu (O Teatro Mágico)
“Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Um não, às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda...”
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda...”
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