quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Anunciação

No mesmo dia em que o exame de farmácia deu positivo, corri para o ambulatório médico da empresa em que trabalho e pedi uma guia de exame de sangue Beta HCG. Naquele dia, pedi companhia para uma grande amiga me acompanhar no Laboratório e fiz o exame de sangue na hora do nosso almoço. Era a confirmação final que faltava. 
A Rô chorou como criança de emoção, antecipando-se ao resultado. E como minhas amigas são as melhores do mundo, naquela sala de espera já ganhei até o primeiro presente do bebê: um mordedor lindo em forma de macaco.
Passamos o resto da tarde trabalhando e entre uma reunião e outra, eu e meu marido dando F5 na página de resultados, que, conforme informado, só saiu mesmo no dia seguinte.
Às seis e pouco da manhã do dia seguinte a rotina:
- Petita, acorda que já são seis e meia.
- Posso dormir só mais cinco minutinhos (quem não chora não mama, eu sempre peço).
- Não, olha isso! É verdade! Você está grávida!
Comemoramos de novo. Abraços e felicidade. Lembrei daquela música do Cidade Negra: "Forte, sorte na vida, filhos feitos do amor!"....

Quando cheguei no trabalho a primeira pessoa com quem compartilhei foi com a Rô, minha amiga que me acompanhou no exame do dia anterior. Depois não me segurei e fui contando pra todo mundo que eu mais gostava. E minha cabeça borbulhando em como fazer surpresas para algumas destas pessoas tão amadas...

Rola uma divisão de opiniões sobre divulgar a gravidez assim tão rápido. Muitas mulheres esperam até o terceiro mês para contarem pelo alto risco do aborto natural neste primeiro trimestre. Respeito, mas a minha opinião de antes de engravidar se manteve na minha realidade: eu sou de compartilhar, minha vida é um livro aberto, eu acredito mais no bem, no pensamento positivo coletivo, não acredito em mal olhado, enfim sou otimista e não quis poupar a boa nova. Uma questão de opinião. E analisando se o pior acontecer, vou precisar tanto destas pessoas que amo, que não consigo me imaginar sofrendo em segredo. Sou expansiva demais pra isto. E assim os planos de ação começaram: mandei telegrama de aniversário para meu irmão, dizendo que ganharia um sobrinho ou sobrinha nova, mandei um bodyzinho escrito "NEW KID ON THE BLOCK" para o trabalho da minha irmã com um bilhete dizendo KEEP CALM and VOCÊ VAI SER TITIA, fui visitar o bebê de uma grande amiga com a patota reunida e na hora da foto comuniquei que estava grávida (quase causando um semi-infarto no pequeno Leozinho de 6 meses que estava no meu colo quando elas começaram a gritar como bichas loucas), marquei uma pizzada com a família em casa e apliquei o mesmo golpe da foto de todo mundo, visitei minha avó do coração (pois minhas avós de sangue já estão no céu há um tempão) e comuniquei que ela seria bisa e o que minha "segunda mãe" de coração seria avó. Por sorte minha comadre, mãe da minha afilhada Maria Clara com quem dividi toda minha infância estava num treinamento em São Paulo e pude dar a notícia pessoalmente. Foi uma festa! Uma farra! Sempre com cúmplices queridos a postos para filmar os momentos. 

Mas é óbvio que tenho medo. Medo de que aconteça comigo o que já aconteceu com tantas amigas. E é estranho sentir medo pois normalmente não é o que sinto. Sou de pular de pára-quedas, do Canonying, do Rafting, do mudar de emprego, de função, de pegar Projeto grande, de dirigir de madrugada e na chuva. E me pegar assim, envolta de medo me causa estranheza. Um sentimento novo e que me dá a certeza da vulnerabilidade de nossa existência. Como Deus (ou como quer que chamemos) sempre está no comando e como o sucesso de algumas coisas não dependem de nossa boa vontade, de nossas atitudes, de nossas intenções ou simplesmente de nossos pensamentos positivos. Com certeza existe algo maior e mais longo que nossa existência pode compreender e este tipo de decisão não está puramente aqui....  E talvez hoje não enxerguemos, mas é justamente esta vulnerabilidade que faz de nossas vidas algo tão rico e tão único. Mas não vou negar que me vi com medo, por alguns momentos, pela incerteza que envolve o que acontecerá com meu filho. Trabalho com uma  pessoa iluminada, que por anos estudou astrologia. E há um tempo está terminando meu mapa astral. A gente já teve discussões Homéricas sobre se ele deveria ou não me dizer sobre a previsão de minha morte, que é algo que normalmente ele não fala. Mas consegui convencê-lo de que é um direito meu. E oras, se por qualquer Força lhe é revelado, é ético que ele transmita esta informação pela Lei Número Um da Comunicação que é o direito de todos saberem das coisas. Pois acreditem, nunca temi saber nem mesmo quando mais ou menos eu morreria, mas pedi para que ele não fizesse nenhum tipo de revelação em relação ao bebê. Que eu preferia de fato não saber. É deste medo que estou falando... Nem parece eu. Mas enfim, como eu acredito que agente sintoniza como em frequências através de pensamentos, vamos voltar às festas e folias para que o bebê saiba o quanto é querido, amado e esperado. 
Sapequei um "Houston, we have a baby" no Facebook e se depender dos mais carinhosos comentários e das mais de 500 curtidas que sei que foram de coração, teremos um bebê muito amado no mundo!
E que o melhor aconteça, Amém.

Olha um videozinho com os melhores momentos das surpresas da anunciação:


Fotos dos recadinhos no lavabo de casa, nas paredes de Lousa, da família amada feliz com a notícia do baby:










Música do Dia: Firmamento (Cidade Negra)



"(...) Forte, sorte na vida, filhos feitos de amor
todo verbo que é forte
se conjuga no tempo
perto, longe o que for
você não sai da minha cabeça
e minha mente voa
você não sai, não sai, não sai, não sai...
entre o céu e o firmamento
não há ressentimento
cada um ocupando o seu lugar
não sai não, não sai, não sai, não sai, não sai...
o que é que eu vou fazer agora
se o teu sol não brilhar por mim
num céu de estrelas multicoloridas
existe uma que eu não colori (...)"





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