Semanas depois cheguei ao trabalho bocejando. Na décima quinta bocejada do dia fui surpreendida pela amiga que senta do meu lado questionando com seu sotaque pernambucano:
- Bichinha, tu tá assonada por demais. Fez alguma coisa na tua rotina que tá te tirando o sono?
Parei pra pensar. Sempre vivi na velocidade creu nível 5. Minha rotina era dormir uma, duas, três da manhã e acordar às seis e sobreviver. E isto incluia o incrível prêmio de nunca ter dormido numa reunião no trabalho atual. Nem pescar eu pescava. Lembrei que na noite anterior eu tinha dormido antes das dez. Foi o primero insight: "Será que tô grávida?"
E a resposta pra mim mesma imediata, no sistema de auto boicote: " Claro que não! Não pode ser! É apenas o segundo mês desde que começamos a tentar engravidar..."
Segui o dia no meu trabalho de sempre mas com bocejos nada comuns.
Aquele sono não fazia sentido.
Olhei no meu APP de controle da menstruação e estava de fato com quatro dias de atraso. Mas achei que era por ter parado há poucos meses de tomar anticoncepcional. Haveria de estar desregulado. Mas ficou ali a pulga atrás da orelha.
Não falei nada pro Leo pra não parecer ansiosa.
No caminho de volta pra casa, paramos no posto de gasolina para abastecer o carro. Decidi dar uma escapada até a farmácia e comprei um exame de farmácia. Aleguei que precisava de absorvente pro Leo.
Cinquenta pilas no exame. Não sei porque a gente sempre escolhe o mais caro. Porque não pode errar? Porque a gente quer guardar? O fato é que a gente sempre desiste pois ninguém merece cheiro de xixi na gaveta.
Sempre soube que testes de farmácia em geral podem dar falso negativo, mas falso positivo, quase impossível. Então se aparecesse uma bendita cruzinha no exame, era certeza: nosso bebê estaria a caminho.
Mas eis que, voltando pro carro, onde o Leo me esperava, fui apresentada para o mais novo brinquedo do meu marido. Não, não. Nada do filme 50 Tons de Cinza que pudesse esquentar nossa relação, brinquedos de adulto ou coisa assim. Era brinquedo mesmoo: um sabre de luz igualzinho do Star Wars.
Casei-me consciente. Leo entrou na Igreja com a Imperial March, música tema do Darth Vaider. E a história então continuava:
Wuóooon! Wuóoookn!
"Olha! Muda de cor!"
Olhei pro meu marido, olhei pro exame de farmácia e pensei:
"Deus Meu! Que medo! Será que estamos prontos pra sermos pais? Ou seremos 3 crianças dentro de uma casa? Medo! E esse lance de não ter nem água na cidade?!... Que eu fiz na minha vida?? E agora, meu Deus?!"
Da última vez que rezei mergulhando naquele mar lindo de São Sebastião, pedi um sinal. Não sabia se mandava currículo pela crise que está passando a empresa onde trabalho, ou se era chegada a hora de realizar o sonho da maternidade. Nesta mesma noite sonhei com um bebezinho menino, lindo, a cara do Leo. Como uma confirmação de que não havia mais o que adiar. Li uma frase linda, no mesmo dia, no Pinterest "A ansiedade existe porque você acha que precisa resolver tudo. Entrega pra Deus. Acredite: Ele tem um plano para você...
Lembrei disso tudo.
Dormi rezando pedindo mais sinais de que estaria no melhor caminho. Não tive coragem de fazer o teste de farmácia naquela noite. Nem tive coragem de mostrar que tinha comprado pro Leo.
" Vai ver só está atrasada... Talvez eu amanheça menstruada e então não preciso gastar este exame caro à toa."
Tratei de dormir. Estava com tanto sono que nem rolou cinco minutos de insônia tão pouco um Pai-Nosso completo.
No dia seguinte, o despertador às seis não me tirou da cama. Foi o Leo em súplicas. Pulei da cama e no meio da toalha de banho escondi o exame de farmácia. Você entra no banheiro cheia de dúvidas, medos e incertezas, faz xixi e sai com a maior certeza de sua vida: Estou grávida.
Um dos momentos mais marcantes ds minha vida! Engenheira que sou, li e reli o manual umas três vezes até conseguir me emocionar. Era verdade: estou grávida!
Sai do banheiro e falei pro Leo:
- Petit, fiz o exame e deu positivo: estou grávida!
- Não é! Deixa eu ver se você viu certo! (Confiança é tudo num relacionamento. Hahaha).
E olhou pela quarta e quinta vez a bendita bula do exame.
Olhamos um pro outro, beijamo-nos, abraçamo-nos e nos emocionamos... E enquanto eu chorava, no ombro do Leo, eu ouvia a chuva forte caindo lá fora, depois de meses de seca em São Paulo, como um afago de Deus dizendo "tudo terminará bem"...
- Bichinha, tu tá assonada por demais. Fez alguma coisa na tua rotina que tá te tirando o sono?
Parei pra pensar. Sempre vivi na velocidade creu nível 5. Minha rotina era dormir uma, duas, três da manhã e acordar às seis e sobreviver. E isto incluia o incrível prêmio de nunca ter dormido numa reunião no trabalho atual. Nem pescar eu pescava. Lembrei que na noite anterior eu tinha dormido antes das dez. Foi o primero insight: "Será que tô grávida?"
E a resposta pra mim mesma imediata, no sistema de auto boicote: " Claro que não! Não pode ser! É apenas o segundo mês desde que começamos a tentar engravidar..."
Segui o dia no meu trabalho de sempre mas com bocejos nada comuns.
Aquele sono não fazia sentido.
Olhei no meu APP de controle da menstruação e estava de fato com quatro dias de atraso. Mas achei que era por ter parado há poucos meses de tomar anticoncepcional. Haveria de estar desregulado. Mas ficou ali a pulga atrás da orelha.
Não falei nada pro Leo pra não parecer ansiosa.
No caminho de volta pra casa, paramos no posto de gasolina para abastecer o carro. Decidi dar uma escapada até a farmácia e comprei um exame de farmácia. Aleguei que precisava de absorvente pro Leo.
Cinquenta pilas no exame. Não sei porque a gente sempre escolhe o mais caro. Porque não pode errar? Porque a gente quer guardar? O fato é que a gente sempre desiste pois ninguém merece cheiro de xixi na gaveta.
Sempre soube que testes de farmácia em geral podem dar falso negativo, mas falso positivo, quase impossível. Então se aparecesse uma bendita cruzinha no exame, era certeza: nosso bebê estaria a caminho.
Mas eis que, voltando pro carro, onde o Leo me esperava, fui apresentada para o mais novo brinquedo do meu marido. Não, não. Nada do filme 50 Tons de Cinza que pudesse esquentar nossa relação, brinquedos de adulto ou coisa assim. Era brinquedo mesmoo: um sabre de luz igualzinho do Star Wars.
Casei-me consciente. Leo entrou na Igreja com a Imperial March, música tema do Darth Vaider. E a história então continuava:
Wuóooon! Wuóoookn!
"Olha! Muda de cor!"
Olhei pro meu marido, olhei pro exame de farmácia e pensei:
"Deus Meu! Que medo! Será que estamos prontos pra sermos pais? Ou seremos 3 crianças dentro de uma casa? Medo! E esse lance de não ter nem água na cidade?!... Que eu fiz na minha vida?? E agora, meu Deus?!"
Da última vez que rezei mergulhando naquele mar lindo de São Sebastião, pedi um sinal. Não sabia se mandava currículo pela crise que está passando a empresa onde trabalho, ou se era chegada a hora de realizar o sonho da maternidade. Nesta mesma noite sonhei com um bebezinho menino, lindo, a cara do Leo. Como uma confirmação de que não havia mais o que adiar. Li uma frase linda, no mesmo dia, no Pinterest "A ansiedade existe porque você acha que precisa resolver tudo. Entrega pra Deus. Acredite: Ele tem um plano para você...
Lembrei disso tudo.
Dormi rezando pedindo mais sinais de que estaria no melhor caminho. Não tive coragem de fazer o teste de farmácia naquela noite. Nem tive coragem de mostrar que tinha comprado pro Leo.
" Vai ver só está atrasada... Talvez eu amanheça menstruada e então não preciso gastar este exame caro à toa."
Tratei de dormir. Estava com tanto sono que nem rolou cinco minutos de insônia tão pouco um Pai-Nosso completo.
No dia seguinte, o despertador às seis não me tirou da cama. Foi o Leo em súplicas. Pulei da cama e no meio da toalha de banho escondi o exame de farmácia. Você entra no banheiro cheia de dúvidas, medos e incertezas, faz xixi e sai com a maior certeza de sua vida: Estou grávida.
Um dos momentos mais marcantes ds minha vida! Engenheira que sou, li e reli o manual umas três vezes até conseguir me emocionar. Era verdade: estou grávida!
Sai do banheiro e falei pro Leo:
- Petit, fiz o exame e deu positivo: estou grávida!
- Não é! Deixa eu ver se você viu certo! (Confiança é tudo num relacionamento. Hahaha).
E olhou pela quarta e quinta vez a bendita bula do exame.
Olhamos um pro outro, beijamo-nos, abraçamo-nos e nos emocionamos... E enquanto eu chorava, no ombro do Leo, eu ouvia a chuva forte caindo lá fora, depois de meses de seca em São Paulo, como um afago de Deus dizendo "tudo terminará bem"...
Música do Dia: Bob Marley - Three Little Birds LIVE 1980 RARE
"Don't worry about a thing
Cause every little thing
Gonna be all right!..."

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaai, que coisa mais linda ler tudo isso por aqui!
ResponderExcluirPara mocinhas como eu (que nunca vivenciaram tal experiência), seus relatos são tocantes! Estamos no torcida pela chegada do Washington Anderson ou da Magdalena Aretuza!
Bjo!
Dani Guada
Que lindo, lágrimas nos olhos! Parabéns!!! ��
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