quarta-feira, 25 de março de 2015

Mutações

Semana 24. 
Tem duas coisas que adoraria saber se vai passar ou não pra mim depois que o Gabriel vier: o tamanho do meu pé e o tamanho dos meus medos.
Referente ao pé: Algumas mulheres voltam ao normal. Outras não tão cedo.
Sempre calcei 36 e agora o 37 está apertado. Se não voltar, perco todo o legado mas adoraria, pois com 1,70m e pesada que sempre fui (até quando mais magra), meus pés sempre foram pequenos, desproporcionais pro meu corpo. Acho que oprimi seu crescimento de tanto que usei os tênis da minha irmã Claudia escondida. Tipo pé de gueixa, manja? Tudo por um Nike! Agora que estou grávida, pareço uma batata em conserva espetada num palito de dente, como carinhosamente "metaforou" o Leo, marido querido. Enfim, tá levantado o risco do Projeto: ter que comprar sapatos novos. 
Outra coisa engraçada que percebo que aconteceu é o aumento dos meus medos. Li na Wikipedia que a ocitocina, hormônio que inunda as gestantes, é conhecido como o Hormônio do Amor e Do Medo do Desconhecido. A natureza deve saber o que faz e eu imaginava que teria mais juízo depois que mãe (tanto que pulei de Pára-Quedas em meu último aniversário pois na sequência começaria a tentar a engravidar). Mas eu estou muito "Dateninha"! E nunca fui. Tenho mais medo de bater o carro, medo  da cadeira quebrar, medo de cair das escadas, medo do estrado da cama quebrar e minha barriga bater no chão, medo do ventilador de teto cair na minha barriga, medo, medo, medo. Sempre brigo com minha mãezinha porque ela é muito medrosa e de repente, olha aí, eis me aqui, igualmente medrosa. Essa joça eu queria que passasse. Odeio sentir medo. Acredito mesmo que o que pensamos, atraímos e, a menos que role "um figuinhas" do The Secret para grávidas (e eu rezo pra que sim), esse monte de medo vai dar merda. Sigo em exercícios para elevar o pensamento para que isso não me domine. 
A Sandra, minha mãe do coração, outro dia foi embora antes de escurecer do meu Chá de Bebê, na Lapa, porque disse que não gosta de dirigir sozinha de noite, até a Serra, na zona norte, do lado. Eu super compreendi mas fiquei lembrando de como era quando ela era mais jovem e ainda não mãe do Renatinho. Me veio a seguinte cena na minha cabeça: eu e ela, dirigindo pra Minas. Eu com uns 10 anos e ela, uns 34, ainda não mãe. Ela se perdeu. Foi parar numa estrada pequena, mega sinuosa, parecia aquela fase da neblina do Enduro (pra quem é da época do Atari), não dando pra ver um palmo diante do nariz. Uma via pra ir e outra pra  vir. "Ah, não é por aqui não!" Virou o carro ali mesmo, na pista. Kkkk. Medo total eu senti, bem me lembro! Graças a Deus não veio outro carro e tal. Mas ela nem esboçou medo nenhum. Agora tem medo de ir da Lapa pra ZN. Tá vendo! Eu vou ficar medrosa igual minhas mães!
Oh, meu Deus! Hahaha.
Ando inchada. Bebendo mais água pra ver se melhora e Leo me ajuda fazendo massagem nas pernas, com loção de gestante. Tem sido o papai dos sonhos: me ajuda em tudo, faz todos os dias meu café da manhã, massagem, vai comigo a todos os exames e consultas, beija, beija, beija minha barriga e conversa com o Gabriel. Ontem, com a mão direita eu acarinhava minha barriga. E com a esquerda, fiz cafuné pro Leo dormir. Senti uma plenitude de amor que é difícil descrever: como se tudo que mais amasse estivesse ali, ao alcace de minhas mãos. Minha família. Me senti completa e feliz. Deus é mesmo maravilhoso..,
Meu rosto empipocou pós linguiça com erva no churrasco de domingo. Coisa que nunca tinha acontecido. É uma fase de muitas novidades pro corpo da mulher. Passei Caladryl na hora de dormi e na manhã seguinte, lendo melhor a embalagem, vi que fiz merda: "Não usar durante a gestação." Hooo, gente. Grávida não pode nada! Nem creme??? Descobri o que é Nervo Ciático. Dói a bunda. Comecei a sentir na banda direita. Talvez o peso startou essa dor. Engordei e não vou nem falar disso, meu ponto fraco. Vocês que acham que eu tenho coragem de dizer tudo aqui no blog, isso não consigo: dizer quanto estou pesando. Vocês não suportariam! Hahaha. É muito! Mas enfim, os únicos remédios liberados pra gestante são Tylenol e Buscopan Duo. Sabiam que nem Salompas grávida deve usar? Eu não tomei nada. Desde que descobri estar grávida, tento me manter "pura". Falei pra minha amiga que grávida não pode tomar nada. Só no toba. Com esse monte de dores e sem recursos permitidos. Rs.
Falei também que a gente tem o maior cuidado do mundo para não ingerir nada, nadinha que chegue ao bebê na gestação, depois até briga com a sogra porque sonha que o filho não ingira açúcar até os três anos de idade, aí o "fia da puta" cresce e experimenta maconha. Não é uma coisa? Vou falar sobre isso com o Gabriel na carta gigante que estou preparando para pôr na cápsula do tempo, para que ele leia aos 16. 
Essa semana começa a ser importante pro pequeno ganhar peso. E para alívio de um dos meus 1.427 medos, li que a partir desta semana, os bebês passam a ser viáveis, ou seja, se por qualquer motivo tiver que nascer assim, tão prematuro, em bons hospitais eles sobrevivem. Sigo rezando pro Gabriel ser como todos meus projetos aqui de TI: não adiantar de jeito nenhum. 
Outra coisa que é marcante nesta semana de gestação, é o desenvolvimento das papilas gustativas do pequeno. Resultado: uma vontade de comer doce que não passa! Nunca fui de doce. Agora, não sou dona de mim. Comprei um mini ovos Kinder Ovo, do tamanho da minha unha roída (de tão pequeno) para tentar conter a dose, por ser gordinha. Mas tá foda e não é frescura: vontade de trocar tudo por um Milk Shake do Fifties!
A aventura segue. Com uma mexida aqui e outra acolá do Biel chutando minha barriga, com pesadelos todas as noites e raras cãimbras no pescoço. 
Se eu já achava mulher um bicho estranho por sangrar 7 dias no mês e não morrer, agora gestante, não tenho palavras pra descrever nossa conplexidade! 

Música do Dia: Grávida (Guilherme Arantes)

Eu me estilhaço todo em pedaços
Quando ela faz aquele ar
De quem só teve desamor
Um nó no peito a desatar

Eu vou a jato ao topo do mundo
É quando ela traz o sol
em seu olhar
Preciso tanto seu calor
E em torno dela gravitar

E tudo gira em torno dela grávida
Vida, grande dádiva, nenhuma dúvida
Gira em torno dela grávida
Vida, grande dádiva
Uma eterna órbita,
Em torno dela, grávida.




Um comentário:

  1. Fique tranquila..tudo isso é super normal. Inclusive os medos. Nós mães passamos a ter mais medos mesmo porque queremos proteger nossas crias...nao queremos que nada de ruim aconteça com eles e as vezes ate "estragamos" por querer proteger demais. Mas faz parte e é lindo ver como o extinto materno nos muda como mulher. A cada fase dos nossos pequenos (serão eternamente nossos bebes) novas surpresas, descobertas e mais amor que não cabe dentro do peito. É maravilhoso ser mae. Se puder deixar um conselho: Curta muito muito muito cada momento pois são únicos e passam "na velocidade do 4G" (rs). Bjo. Ingrid

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