quarta-feira, 8 de abril de 2015

A la Skol: re-don-da!

E assim cheguei na vigésima sétima semana, quase entrando no sétimo mês. Mais redonda impossível! Engordei mais de 6kg, a esta altura, mas o problema era "o legado". Por graça Divina, todos os exames deram certo: sem pressão alta, sem diabete gestacional, tudo na mais completa ordem do ponto de vista de saúde. A barriga grande, começa a trazer certas experiências novas, como quando entro no box e ligo o chuveiro sem conseguir escapar do primeiro jato frio que vem até que o chuveiro comece a esquentar a água: que frio na barriga! Hahaha! Fazer um simples xixi e ter que se limpar também começa a ser um desafio, não tem jeito. Passa a ser em duas vezes, sem juros: pela frente e por trás. O raio de alcance dos braços passa a ser consideravelmente menor. Tarefas simples como arrumar o sapato ou lavar os pés passam a ser o desafio do dia e mesmo parecendo um "B" de lado, você se olha no espelho e adora a própria barriga. Tudo porque ele, seu maior tesouro, está lá. Longe de me achar linda. Nem sei se pago por aquelas fotos de gestante já que aceitar meu corpo não é uma das minhas especialidades. Mas temo me arrepender. Não sei, vou pensar. Tô me sentindo tão gorda que quando vejo aquelas placas na Raposo "90km/h Veículos Leves" penso seriamente em diminuir pra 70, limite dos pesados... Chegar no estacionamento da "firrrrrrma" e atravessá-lo passando por entre tantos carros estacionados, é um verdadeiro labirinto de "por onde eu consigo passar", ainda que seja fechando meio mundo de retrovisores. Tudo é diferente! Outro dia cheguei mais cedo, por volta das sete que é um horário que praticamente ninguém chega, e ploft! Caiu meu iPhone debaixo de um carro lá do estacionamento, lá pro meio. Pqp! Isto é algo que toda grávida deve perceber: a gravidade passa a ser uns 15 metros por segundo ao quadrado! Tudo cai! Só porque baixar pra pegar passa a ser desafiador! E o bendito celular caiu lá no meio do carro. Eu tinha algumas opções: abandonar o celular lá e voltar mais tarde com ajuda sob o risco de perdê-lo, sentar e esperar uma alma caridosa chegar pra me ajudar ou fazer o que fiz: deitar de costas no chão e me matar pra alcançar o bendito iPhone. Quem olhasse das câmeras deveria ver própria Fiona barriguda deitada e fazendo anjinho em pleno estacionamento do Morumbi. E subi assim, rindo e suja logo cedo pra trabalhar. 
O duro não é estar tão redonda. O duro é estar possuída! Kkk! Mais uma vez não consegui comer bacalhau, que sempre amei, na sexta-feira Santa. E tenho sentido uma vontade absurda de doces. Nitidamente fora de mim. Gabriel no comando. Diz a literatura que pelo desenvolvimento das papilas gustativas do bebê é normal que tenhamos desejo de doce. E assim tem sido. Meleca! Outro dia sonhei que eu era famosa, estava numa festa da Globo, e só tinha doce! Todos que eu conheço! To-dos! E eu comia de pratada. Affe! Amiga querida falou que é o Erê protegendo meu guri e aprontando com meu apetite. Obviamente, estou tentando ao máximo, me controlar. Fazendo meu melhor. Mas tá flórida!
Estamos chegando no sétimo mês. A hora que se aconselha estar de malas maternidade pronta, quarto pronto e tudo. Ninguém quer que o Gabriel se antecipe, mas PMO que sou, obviamente que trabalharei com a mitigação do risco. Está quase tudo pronto. Ao menos tudo comprado, não falta mais nada. Nem pra mim e nem pra ele. Todas as roupinhas, inclusive de cama e banho, estão lavadinhas e passadas. Uma delícia! Quem diria? Que eu ficaria tão feliz gastando todo um fim de semana só fazendo isto: lavando, tirando etiquetinhas, arrumando tudo!... Fiz com todo meu amor. Minha máquina de lavar tem a função "Roupas de Bebê" que funciona maravilhosamente bem: bate quase nada, bem de leve, com duplo enxágue e molho curto. Minha mãe e cunhada me puseram muito medo de usar a máquina e incentivando lavar na mão quase tudo. Mas definitivamente esta não poderá ser minha realidade, não cabe esse grau de preciosismo em minh vida/rotina, e depois de alguns testes, decidi poder dar um voto de confiança pro Engeneiro que passou anos desenvolvendo esta função na máquina de lavar e a usei. Deu tudo certo: roupas novinhas e cheirosas! Minha mãe: "Você lavou na mão??" Eu: "Sim!" - fazendo figuinhas. Deus perdoe esta mentira "branca", dessas que não causam mal a ninguém mas é melhor contar pra despreocupar a pessoa. "Ah, bom. Senão estraga." -ela. Estraga nada! É igual ela falava que colher lambida não podia voltar pro pote do doce, que azedaria. Nunca azedou, embora eu tenha posto colher babada a infância toda no pote, muitas vezes só pra ver se daria mesmo merda. Não dava porque a gente acabava com o doce antes que ele pudesse estragar, obviamente. Igual a roupa do bebê. Que antes de ficar "velha" porque lava na máquina, já não vai mais servir nele. Simplificando a vida. 
Minha última consulta no obstetra foi marcante: chorei do começo até quase o fim. Deu tiuti. Medo do parto. Tivemos que falar do assunto que pra mim é meio assustador. Marido Leo e Dr. Dalton olhando espantados pra minha cara, querendo entender o porquê de eu estar chorando daquele jeito. Depois de muito tempo de explicações pra me acalmar, e de frases bem práticas do meu médico tão lógico e direto quanto eu (do tipo: "Filha, chorando ou não, com medo ou não, o bebê vai sair daí e vai ficar tudo bem"), decidi que quero parto cesariano. Depois de fazê-lo prometer que ele não vai marcar pra antes da hora por conveniências mundanas, fazendo o Gabriel estar verdadeiramente maduro pra nascer. E ponto final. Quero assim. Vai ser meu melhor. É minha limitação. Ora, se em Gênesis 3:16 sentenciou o Senhor o castigo da mulher pelo pecado original "a terrível dor do parto" e para os homens, o castigo de ter que trabalhar arduamente por toda a vida, e ora, se eu trabalho tanto há tanto tempo e ainda faltam 15 pra eu me aposentar, nada mais  justo que "passar/repassar/torta na cara" pra essa bendita dor do parto! Quero anestesia! Não serei uma Che Guevara dos partos humanizados! Não consiiiiigo!.... E espero mesmo que essa bendita lei que tende a proibir as cesárias no Brasil, que está pra ser aprovada agora em Maio, não me tire esta opção. Por Deus! Porque sempre na minha vez??? Ensino técnico na Federal fui o último ano, Renato Russo morre quando estou prestes a poder ir aos shows do Legião sozinha, e agora essa lei pondo em risco minha opção de cesária!... Pqp! Sempre na minha vez! Falei pro meu médico dar um jeito. Não sou gorda pra caramba? Ele não fica fazendo bullying com meu peso falando que desse jeito vou quebrar a cadeira dele? Aí ele me ameaça: "Controle-se! Ou não vai dar pra fazer cesária não! Como vou conseguir costurar essa barriga tão gordinha?" Aproveitando-se de minha fragilidade. E eu penso comigo: "Todos os dias tenho atividades desafiadoras em meus projetos... Nada nunca é simples no meu mundo... Se vira, meu! Faz seu trampo que eu faço o meu!" Rs. Mas não falo. Sigo com meus dez tobas na mão. O de verdade e todos os virtuais que subiram como feature desde que fiquem grávida.
Afinal, se quem tem toba, tem medo, a esta altura, eu certamente tenho mais que um... Hahaha! 

Música do Dia: Boas Vindas (Caetano Veloso)

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe


Nenhum comentário:

Postar um comentário