E eis que chegou o dia que achei
que tecnicamente não poderia chegar: TPM Aguda. Ora, se estou há meses longe de
ficar menstruada, e conceitualmente TPM é Tensão Pré-Menstrual, quer dizer
que ficarei assim pelos próximos x meses? Tem outro nome: são os momentos de irritabilidade, fenômeno normal entre as grávidas que pela explosão de hormônios passa por intensas variações de humor, Mas pra mim é novo. Hoje é um
daqueles dias que você vê nitidamente que não é você puramente. É como se
fizesse o download de um “Pacote Saraiva” que a faz ficar irritada com tudo!
Tu-do! As pessoas na porta do elevador sem dar licença para quem vai descer me
irritam, as pessoas que entram sem dar a bendita de uma seta na frente do meu
carro me irritam, tanto e-mail de spam e esses anti-spams que nunca funcionam
direito me irritam, demorar duas horas para chegar ao trabalho me irrita, os
puxa-sacos do trabalho me irritam, desses que falam palavras difíceis demais para parecerem mais sérios (Argh), gente que só posta foto de si mesmo em selfs egocêntricas, mimimis do trabalho que fazem com que certos
colegas nunca entreguem o que prometeram do Projeto na data me irritam, gente
que se preocupa mais com meu peso do que eu mesma, enfim... Tudo que é
verdadeiramente irritante passa realmente a irritar pois é como se morresse meu
lado Dalai Lama de tentar ser grata ao que se tem e ver o lado bom de tudo.
Quem faz tudo certinho demais, tipo meu Digníssimo Marido que é o Pelego mais
Pelego ever e fica sem falar comigo por chegar cinco minutos atrasado no
trabalho por minha culpa, minha tão solene culpa de não conseguir levantar
quando o despertador toca, talvez porque acordo várias vezes no meio da noite
com a barriga que não encaixa, ou pra fazer xixi, ou com receio da cólica (que
nem dói tanto no útero, mas na alma sim), isso também me irrita. E quem faz
tudo errado também me irrita. Ou seja, nitidamente perturbada. Quem nunca teve
uma TPM verdadeira, dessas em que nem você mesma se aguenta, não sabe o que é
isso. Mas por favor, não duvide. Ela existe.
Tem uma frase que tento levar
como filosofia de vida, do Chico Xavier, que diz "Aos outros eu dou o
direito de ser como são, a mim, dou o dever de ser cada dia melhor.” Nestes
dias de TPM este flag simplesmente desabilita em meu ser. Fico pensando porque
sempre sou eu quem tenho que entender as limitações espirituais do meu próximo,
me calar quando dizem algo que eu não gostaria de ter ouvido, compreender que
certos amargores são frutos de suas experiências e sempre ter que
misericórdia... Unicamente nestes dias eu quero que este flag se ative nas
pessoas e que elas tentem também, porque não, terem um pouco mais de cuidado e
atenção ao que dizem, entender que também não sou assim tão doce naturalmente,
é um esforço em função do que acredito ser o caminho certo e na boa, se não
puderem ajudar, simplesmente dêem um puta tempo pra mim, com seus egoísmos e
egocentrismos. O ser humano em geral me irrita nestes dias.
Acho que nunca tinha relatado
como me sinto em minhas TPMs. Mas é exatamente assim. Nem sei se é hormonal,
realmente, ou se é como se fosse, de tempos em tempos, a última gota d´água depois
de tanto ser tolerante com certas coisas. “Não sei, só sei que é assim”, com
diria Chicó.
Da última vez que fui ao médico,
na consulta de Pré-Natal, quem estava de TPM era ele. Hoje tenho outra. Espero
que ele esteja mais bonzinho. Perguntei se poderia fazer exercícios e ele falou
super grosseiramente: “Vocês grávidas têm que aprender a usar uma coisa que
vocês não parecem ter: bom senso.” Ah, que beleza! Acabo de entrar pro
Sindicato das Grávidas! Como assim? Fiquei calada pensando que ele poderia não
estar num bom dia. Mas ele que não ouse ser tão generalista hoje. Vai tomar.
Perguntei pois me preocupo com meu peso, obviamente. Pela saúde do bebê. Não
por vaidade, a esta altura do campeonato. Segui questionando o que seria bom
senso. “Outro dia veio aqui uma grávida que nunca fazia exercícios antes
dizendo que estava andando 10Km. Isto não é bom senso.” Ah, que beleza! Adoro
gente que responde o que é algo com exemplo do que não é algo. Quanta
eloquência. Hahaha! “4km é um bom número, Doutor?”. Ingenuamente eu questionei.
Pô! Sou Engenheira! Pra tudo tem um número! “Não tenho aqui uma tabela do bom
senso, Ana.” Esta foi a resposta. Fiquei irritada. Não quanto eu ficaria se
tudo isso tivesse acontecido hoje. “Explica essa merda” – pensei comigo. Meu
médico falou que ingerir menos calorias por dia do que as que eu preciso, nem
pensar. Que eu escolha os melhores alimentos, os mais saudáveis obviamente, mas
nada de dieta de calorias na gravidez pois pode prejudicar o desenvolvimento do
bebê. Depois que sarei do descolamento, posso fazer exercícios usando meu bom
senso. Oras, meu bom senso somado ao meu medo me diz pra não inventar moda.
Depois de tanto relutar, o bonitão do meu médico decidiu explicar as mudanças
no corpo que precisava saber para entender a questão dos exercícios: o muito
sangue a mais que meu coração tem que bombear por conta do bebê e que o sangue
é mais “ralo”, exigindo mais do coração. Por conta disto, é mais comum que nos
sintamos fadigada com exercícios que talvez antes não nos fadigavam. Em resumo,
o bendito bom senso significa fazer exercícios de forma que eu não fique
ofegante, com dificuldade de respirar, que meus batimentos cardíacos não se acelerem
tanto, como se eu conseguisse falar com colegas num passear pelo shopping. O
que significa que fudeu, obviamente. Se eu era praticamente uma sedentária
antes, não é agora que conseguirei ganhar resistência / condicionamento físico.
Não é a melhor hora. E o fato é que se eu subo as escadas da minha casa um
pouco mais rapidamente, já me sinto ofegante. E quando o coração da mãe bate
acelerado demais, o bebê sofre. É isso aí. Quando temos alta do descolamento
também somos liberadas para fazer sexo. Mas com bom senso. Ai, minha amiga,
fica ainda mais difícil concluir alguma coisa. “Não pode subir no lustre” –
brincou meu médico. Há-há-há! Que engraçada e conclusiva esta orientação. Você
passa o resto dos seus dias com um misto de medo e indignação por não haver um
manual de como transar com moderação...
Tivemos, infelizmente, que
recusar o convite de uma prima querida para sermos padrinhos de casamento
porque estarei de 37 semanas de gravidez e o casamento nem é em São Paulo. Por
questões óbvias não viajaremos neste período. E eis que ouço o questionamento “Você
não vai no casamento só porque está grávida?” Oi? E, por não estar num dia como
hoje, simplesmente sorrio e respondo docilmente: “Só.” Estou quase fazendo uma
versão da música do Pink Floid, aquela “Another Brick in the Wall”
com o refrão “Hey! People! Leave them pregnants alone!” (Rs).
Aproveitando o tema de “coisas
que me irritam” temos um Super Trunfo: todos os dias eu rezo à Deus para que eu
não fique assim. Do fundo do meu coração não quero ficar uma mãe cheia de
razões e competitiva! Por favor, isso não! Depois de anos de terapia e um
resultado que me fez mais feliz pós Terapia Intensiva do Leader Trainning, onde
passei a respeitar mais a individualidade alheia, e passei a entender que cada
ser humano tem o direito de fazer suas próprias escolhas e eu posso respeitar
isso sem ter que impor minhas verdades, não quero retroceder. O que vejo, em
muitas mães, muitas mesmo, até as mais queridas, é que existe um desejo
profundo de se pregar que elas estão certas, que suas decisões são sempre as
melhores, que elas conhecem mais de certo assunto que outras mães, uma competição
e um julgamento sem fim. Tem horas que rola até uma competitividade que não
leva a lugar algum do tipo: “ah, ser mãe assim é fácil. Quero ver sem família
por perto como eu.” Ou sem empregada, ou trabalhando muito, ou não trabalhando
fora, enfim. Tá, tá, tá! Cada um faz pra sua vida as melhores opções que se
poderia fazer. Baseadas em tantas variáveis, de suas vivências, de seus
traumas, de suas vitórias, de suas vidas passadas, por que não? E se eu não
consigo julgar uma mãe que decide abortar seu filho, por preservar a
individualidade e respeitar o próximo, porque raios deveria ser julgada se
escolho parto cesárea, normal, se vou deixar o filho chupar chupeta ou não, ou se
vai dormir sozinho no quarto ou comigo? Na boa: esta é a parte que
contrabalanceia a parte santa que toda mãe tem, essa mania de ficar pregando
tão xiitamente pra outras mães suas decisões como se fossem verdades absolutas,
tão chatamente como um Testemunha de Jeová que te acorda às oito da manhã de um
sábado chuvoso. Não estou falando (e não mesmo) de conversas saudáveis que
temos com amigas e familiares que são mães e que gentilmente compartilham suas
experiências. Como amante de relações, de laços, acho que nenhum livro traz
tamanha riqueza de detalhes e verdades quanto os longos papos com amigas que
são mães. Mas o que realmente poderia ser um pouco diferente, em alguns casos,
é o tom que se dá para suas verdades. Não existe só um caminho. O que importa é
ser feliz. E cada um o é de uma forma diferente...
Engordei 1 kg. Entramos na
vigésima semana. Tô doida pra pintar a barriga com uma barra de downloads
escrito 50% completed. Tenho tido um pouco de cólica (que li ser normal, já que
agora o útero tende a crescer 1 cm por semana) e muita azia! Parece que todos os
dias eu como um filé de dragão! Semana passada vim pro trabalho de cipó (rs),
ônibus e trem, depois de um colega de trabalho dizer tarde da noite que a carona
prometida não ia rolar e sem explicar o porquê nem no dia, nem depois (olha, como
as pessoas são bacanudas, às vezes). Foi uma experiência boa, encontrando
pessoas educadas. Me senti no Mar Vermelho: onde eu passava, sem nem bater um
cajado no chão, as pessoas abriam caminho e me cediam lugar para sentar.
Disseram-me que dei sorte. Mas vale também registrar momentos que nos fazem
acreditar de novo na Humanidade. Nem tudo está perdido!
Música do Dia: A Ana (Ana Cañas), afinal, a Ana mãe
também é azeda! Mas é doce, quando doce...
A Ana disse ontem
A Ana ficou tristeA Ana também leu
A Ana não existe
É a Ana insiste
A Ana não consegueA Ana inventou
Ela também merece
A Ana é azeda
Mas é doce quando é doceA Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce
A Ana nada sabe
A Ana sempre cantaA Ana me enrola
A Ana me encanta
A Ana se pintou
A Ana não limpouA Ana que escreveu
A Ana se esqueceu
A Ana é azeda
Mas é doce quando é doceA Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce
Foi a Ana que fez
Foi a Ana que foiFoi a Ana em fá
Foi a Ana, foi
A Ana ama
A Ana odeiaA Ana sonha
A Ana canta
A Ana é azeda
Mas é doce quando é doceA Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce

Anaaaaaaa, sua loka!!!!
ResponderExcluirMe divirto horrores lendo tudo isso, vc não faz ideia!
Bjo, nêga!
Dani Guada
Ana, depois desta catarse a TPM foi embora!!!!!
ResponderExcluirVc é ótima!!!!
Lú