segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

E se a Funérea engravidasse?


E eis que chegou o dia que achei que tecnicamente não poderia chegar: TPM Aguda. Ora, se estou há meses longe de ficar menstruada, e conceitualmente TPM é Tensão Pré-Menstrual, quer dizer que ficarei assim pelos próximos x meses? Tem outro nome: são os momentos de irritabilidade, fenômeno normal entre as grávidas que pela explosão de hormônios passa por intensas variações de humor, Mas pra mim é novo. Hoje é um daqueles dias que você vê nitidamente que não é você puramente. É como se fizesse o download de um “Pacote Saraiva” que a faz ficar irritada com tudo! Tu-do! As pessoas na porta do elevador sem dar licença para quem vai descer me irritam, as pessoas que entram sem dar a bendita de uma seta na frente do meu carro me irritam, tanto e-mail de spam e esses anti-spams que nunca funcionam direito me irritam, demorar duas horas para chegar ao trabalho me irrita, os puxa-sacos do trabalho me irritam, desses que falam palavras difíceis demais para parecerem mais sérios (Argh), gente que só posta foto de si mesmo em selfs egocêntricas, mimimis do trabalho que fazem com que certos colegas nunca entreguem o que prometeram do Projeto na data me irritam, gente que se preocupa mais com meu peso do que eu mesma, enfim... Tudo que é verdadeiramente irritante passa realmente a irritar pois é como se morresse meu lado Dalai Lama de tentar ser grata ao que se tem e ver o lado bom de tudo. Quem faz tudo certinho demais, tipo meu Digníssimo Marido que é o Pelego mais Pelego ever e fica sem falar comigo por chegar cinco minutos atrasado no trabalho por minha culpa, minha tão solene culpa de não conseguir levantar quando o despertador toca, talvez porque acordo várias vezes no meio da noite com a barriga que não encaixa, ou pra fazer xixi, ou com receio da cólica (que nem dói tanto no útero, mas na alma sim), isso também me irrita. E quem faz tudo errado também me irrita. Ou seja, nitidamente perturbada. Quem nunca teve uma TPM verdadeira, dessas em que nem você mesma se aguenta, não sabe o que é isso. Mas por favor, não duvide. Ela existe.

Tem uma frase que tento levar como filosofia de vida, do Chico Xavier, que diz "Aos outros eu dou o direito de ser como são, a mim, dou o dever de ser cada dia melhor.” Nestes dias de TPM este flag simplesmente desabilita em meu ser. Fico pensando porque sempre sou eu quem tenho que entender as limitações espirituais do meu próximo, me calar quando dizem algo que eu não gostaria de ter ouvido, compreender que certos amargores são frutos de suas experiências e sempre ter que misericórdia... Unicamente nestes dias eu quero que este flag se ative nas pessoas e que elas tentem também, porque não, terem um pouco mais de cuidado e atenção ao que dizem, entender que também não sou assim tão doce naturalmente, é um esforço em função do que acredito ser o caminho certo e na boa, se não puderem ajudar, simplesmente dêem um puta tempo pra mim, com seus egoísmos e egocentrismos. O ser humano em geral me irrita nestes dias.

Acho que nunca tinha relatado como me sinto em minhas TPMs. Mas é exatamente assim. Nem sei se é hormonal, realmente, ou se é como se fosse, de tempos em tempos, a última gota d´água depois de tanto ser tolerante com certas coisas. “Não sei, só sei que é assim”, com diria Chicó.

Da última vez que fui ao médico, na consulta de Pré-Natal, quem estava de TPM era ele. Hoje tenho outra. Espero que ele esteja mais bonzinho. Perguntei se poderia fazer exercícios e ele falou super grosseiramente: “Vocês grávidas têm que aprender a usar uma coisa que vocês não parecem ter: bom senso.” Ah, que beleza! Acabo de entrar pro Sindicato das Grávidas! Como assim? Fiquei calada pensando que ele poderia não estar num bom dia. Mas ele que não ouse ser tão generalista hoje. Vai tomar. Perguntei pois me preocupo com meu peso, obviamente. Pela saúde do bebê. Não por vaidade, a esta altura do campeonato. Segui questionando o que seria bom senso. “Outro dia veio aqui uma grávida que nunca fazia exercícios antes dizendo que estava andando 10Km. Isto não é bom senso.” Ah, que beleza! Adoro gente que responde o que é algo com exemplo do que não é algo. Quanta eloquência. Hahaha! “4km é um bom número, Doutor?”. Ingenuamente eu questionei. Pô! Sou Engenheira! Pra tudo tem um número! “Não tenho aqui uma tabela do bom senso, Ana.” Esta foi a resposta. Fiquei irritada. Não quanto eu ficaria se tudo isso tivesse acontecido hoje. “Explica essa merda” – pensei comigo. Meu médico falou que ingerir menos calorias por dia do que as que eu preciso, nem pensar. Que eu escolha os melhores alimentos, os mais saudáveis obviamente, mas nada de dieta de calorias na gravidez pois pode prejudicar o desenvolvimento do bebê. Depois que sarei do descolamento, posso fazer exercícios usando meu bom senso. Oras, meu bom senso somado ao meu medo me diz pra não inventar moda. Depois de tanto relutar, o bonitão do meu médico decidiu explicar as mudanças no corpo que precisava saber para entender a questão dos exercícios: o muito sangue a mais que meu coração tem que bombear por conta do bebê e que o sangue é mais “ralo”, exigindo mais do coração. Por conta disto, é mais comum que nos sintamos fadigada com exercícios que talvez antes não nos fadigavam. Em resumo, o bendito bom senso significa fazer exercícios de forma que eu não fique ofegante, com dificuldade de respirar, que meus batimentos cardíacos não se acelerem tanto, como se eu conseguisse falar com colegas num passear pelo shopping. O que significa que fudeu, obviamente. Se eu era praticamente uma sedentária antes, não é agora que conseguirei ganhar resistência / condicionamento físico. Não é a melhor hora. E o fato é que se eu subo as escadas da minha casa um pouco mais rapidamente, já me sinto ofegante. E quando o coração da mãe bate acelerado demais, o bebê sofre. É isso aí. Quando temos alta do descolamento também somos liberadas para fazer sexo. Mas com bom senso. Ai, minha amiga, fica ainda mais difícil concluir alguma coisa. “Não pode subir no lustre” – brincou meu médico. Há-há-há! Que engraçada e conclusiva esta orientação. Você passa o resto dos seus dias com um misto de medo e indignação por não haver um manual de como transar com moderação...

Tivemos, infelizmente, que recusar o convite de uma prima querida para sermos padrinhos de casamento porque estarei de 37 semanas de gravidez e o casamento nem é em São Paulo. Por questões óbvias não viajaremos neste período. E eis que ouço o questionamento “Você não vai no casamento só porque está grávida?” Oi? E, por não estar num dia como hoje, simplesmente sorrio e respondo docilmente: “Só.” Estou quase fazendo uma versão da música do Pink Floid, aquela “Another Brick in the Wall” com o refrão “Hey! People! Leave them pregnants alone!” (Rs).

Aproveitando o tema de “coisas que me irritam” temos um Super Trunfo: todos os dias eu rezo à Deus para que eu não fique assim. Do fundo do meu coração não quero ficar uma mãe cheia de razões e competitiva! Por favor, isso não! Depois de anos de terapia e um resultado que me fez mais feliz pós Terapia Intensiva do Leader Trainning, onde passei a respeitar mais a individualidade alheia, e passei a entender que cada ser humano tem o direito de fazer suas próprias escolhas e eu posso respeitar isso sem ter que impor minhas verdades, não quero retroceder. O que vejo, em muitas mães, muitas mesmo, até as mais queridas, é que existe um desejo profundo de se pregar que elas estão certas, que suas decisões são sempre as melhores, que elas conhecem mais de certo assunto que outras mães, uma competição e um julgamento sem fim. Tem horas que rola até uma competitividade que não leva a lugar algum do tipo: “ah, ser mãe assim é fácil. Quero ver sem família por perto como eu.” Ou sem empregada, ou trabalhando muito, ou não trabalhando fora, enfim. Tá, tá, tá! Cada um faz pra sua vida as melhores opções que se poderia fazer. Baseadas em tantas variáveis, de suas vivências, de seus traumas, de suas vitórias, de suas vidas passadas, por que não? E se eu não consigo julgar uma mãe que decide abortar seu filho, por preservar a individualidade e respeitar o próximo, porque raios deveria ser julgada se escolho parto cesárea, normal, se vou deixar o filho chupar chupeta ou não, ou se vai dormir sozinho no quarto ou comigo? Na boa: esta é a parte que contrabalanceia a parte santa que toda mãe tem, essa mania de ficar pregando tão xiitamente pra outras mães suas decisões como se fossem verdades absolutas, tão chatamente como um Testemunha de Jeová que te acorda às oito da manhã de um sábado chuvoso. Não estou falando (e não mesmo) de conversas saudáveis que temos com amigas e familiares que são mães e que gentilmente compartilham suas experiências. Como amante de relações, de laços, acho que nenhum livro traz tamanha riqueza de detalhes e verdades quanto os longos papos com amigas que são mães. Mas o que realmente poderia ser um pouco diferente, em alguns casos, é o tom que se dá para suas verdades. Não existe só um caminho. O que importa é ser feliz. E cada um o é de uma forma diferente...

Engordei 1 kg. Entramos na vigésima semana. Tô doida pra pintar a barriga com uma barra de downloads escrito 50% completed. Tenho tido um pouco de cólica (que li ser normal, já que agora o útero tende a crescer 1 cm por semana) e muita azia! Parece que todos os dias eu como um filé de dragão! Semana passada vim pro trabalho de cipó (rs), ônibus e trem, depois de um colega de trabalho dizer tarde da noite que a carona prometida não ia rolar e sem explicar o porquê nem no dia, nem depois (olha, como as pessoas são bacanudas, às vezes). Foi uma experiência boa, encontrando pessoas educadas. Me senti no Mar Vermelho: onde eu passava, sem nem bater um cajado no chão, as pessoas abriam caminho e me cediam lugar para sentar. Disseram-me que dei sorte. Mas vale também registrar momentos que nos fazem acreditar de novo na Humanidade. Nem tudo está perdido!

Música do Dia: A Ana (Ana Cañas), afinal, a Ana mãe também é azeda! Mas é doce, quando doce...

A Ana disse ontem
A Ana ficou triste
A Ana também leu
A Ana não existe

É a Ana insiste
A Ana não consegue
A Ana inventou
Ela também merece

A Ana é azeda
Mas é doce quando é doce
A Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce

A Ana nada sabe
A Ana sempre canta
A Ana me enrola
A Ana me encanta

A Ana se pintou
A Ana não limpou
A Ana que escreveu
A Ana se esqueceu

A Ana é azeda
Mas é doce quando é doce
A Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce

Foi a Ana que fez
Foi a Ana que foi
Foi a Ana em fá
Foi a Ana, foi

A Ana ama
A Ana odeia
A Ana sonha
A Ana canta

A Ana é azeda
Mas é doce quando é doce
A Ana é azeda
Mas muito doce quando é doce

2 comentários:

  1. Anaaaaaaa, sua loka!!!!
    Me divirto horrores lendo tudo isso, vc não faz ideia!
    Bjo, nêga!
    Dani Guada

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  2. Ana, depois desta catarse a TPM foi embora!!!!!
    Vc é ótima!!!!

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