quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

As aventuras de PI. De fazer tanto Pipi.


E assim entramos no quinto mês de gestação. Dezoito semanas. 45% completed. Continuo me sentindo ótima, sem a parte chata do primeiro trimestre. Até os gases vão melhorando à medida que você vai aprendendo o que comer para se sentir melhor, os seus limites para seguir a vida social agitada versus o quanto você precisa realmente de um tempo maior para descansar, ficar deitada e simplesmente soltar puns sozinha em casa. A esta altura acredito que deixamos de ser uma grávida júnior e passamos a ser uma grávida plena. E plena em todos os sentidos... Tenho me sentido plena.

Lembro que um dos primeiros sintomas da gravidez, antes de descobrir que estava grávida, era de não enxergar tão bem. Cheguei a comentar com a minha irmã Claudia que precisava marcar oftalmo pois algo tinha piorado. Não enxergar bem, no meu caso pode parecer uma grande piada: meus amigos, são dezoito graus de miopia! São tantos graus que não sinto nem mais frio! Hahaha! De nascença. Ou meus pais me fizeram numa segunda, ou é sequela da estória que contei pra vocês, do tombo da minha mãe aos nove meses à minha espera. O médico disse que eu poderia ter sequelas de visão, audição, intelectual. Genético não há de ser, pois não tenho Pai Mr. Magoo nem irmão que faz Stand Up Ceguinho é a Mãe. Rezo pra que não seja. Não é a herança que sonho em deixar aos meus filhos. “Mas Dezoito???” Devem estar se perguntando. (Sempre assim). Sim, dezoito graus de miopia, meu irmão. “Mas então seus óculos não deveriam ser fundo de garrafa?” (Segunda pergunta padrão). É porque só tenho dezoito no olho direito. No esquerdo são 0,75 de hipermetropia. Ou seja, se eu usasse um óculos a contento, além de cega, seria manca... O cérebro não aceita. Então quando vocês me vêem de óculos saibam que a lente direita é café com leite, é fake, só está ali para não ter um buraco na armação e na verdade tem o mesmo grau que a lente esquerda mas meu cérebro, muito inteligente, simplesmente desabilita a visão do direito nestes momentos (se quiser me mostrar o dedo do meio, faça-o pela minha direita). Somente as minhas lentes acrílicas e incômodas é que são capazes de me fazer enxergar 100%. “E você não pensa em Operar?” (Terceira pergunta de sempre. Por isso adoro fazer FAQs!). Não, a tecnologia atual só garante zerar até uns dez graus. Aí eu continuaria com oito. Não faz diferença! É tipo se jogar do 20º ou do 30º andar. Dá na mesma! O fato é: comecei a falar deste lance de “enxergar mal” pois é comum gestante sentir isso, li na Larousse da Gravidez (puta livro chato, mas útil. Grata por irmão ter emprestado. Se eu tivesse comprado, cortaria os pulsos! Me sinto estudando o PMBOK quando o leio). E sentir mais desconforto com as lentes de contato também é normal. A maior parte das gestantes nem consegue usar por conta da pressão do olho. Fato. Tem sido assim. Quando chego no meu oftalmologista, anualmente, com quem me trato há exatos 29 anos, e ele pergunta como estou e digo “enxergando bem” ele sempre brinca: “Enxergando bem não, Ana. Ou eu rasgo meu diploma. Estás adaptada ao meio.” E da mesma forma já me adaptei a este lance de ter tudo ficado um tiquinho pior. É assim mesmo. Quando você pensa que não pode piorar, sente um leve desfocar nas vistas que já não eram mesmo nenhuma Brastemp. Mas Deus é Pai, não é Padrasto: o olhar muda junto! Acho que nunca vi o mundo tão colorido e belo como ando vendo. Tá certo que evito noticiários e portais de Internet que só nos bombardeiam com notícias muito ruins. Me sinto o próprio Buda no começo de sua vida totalmente blindado da realidade ruim do mundo. Prefiro assim. Afinal, sou feliz por ser Alice no País do Futebol, é este meu nick, certo? Mas independente disto, sinto que existe uma doçura a mais em meu olhar... O jeito de ver a chuva, um filhote de gafanhoto, as flores, os amigos, o céu, o marido, meus pais, irmãos, a família, os filmes, tudo parece mais bonito, mais sentimental! Quando algo não dá certo nos Projetos de TI do trabalho, não rola a indignação recheada de sentimentos ruins como era antes. Nunca me senti tão leve, tão maleável, tão tolerante, tão bem humorada... Simplesmente com outro olhar da vida. E parece contagioso. Ontem me emocionei quando o Leo, meu marido, no carro disse que se sentia renovado desde que descobriu que seria pai. Disse que se sente com a energia de quando era adolescente, com vontade de conquistar o mundo! Boiolamente disse que estava vendo tudo mais colorido. Hahaha! Achei tão lindo o simples depoimento. Também me sinto assim, com outro olhar. Em resumo a gente enxerga pior mas enxerga melhor, se é que me entendem.

Outra coisa que percebi é que meus reflexos afloraram. Acho que é quase impossível uma grávida tomar uma cotovelada na barriga. Além de estar com a mão constantemente na barriga (adquiri a mania de ficar acariciando sempre que posso), é engraçado como estou mais ligeira para protege-la. Por outro lado, me sinto mais assustada. Acordo no meio da noite com relâmpago (o que é absolutamente inédito nas minhas três décadas de sono pesadíssimo) e com medo de barulhos desconhecidos (sendo que antes nem uma bomba atômica me acordava). Acho que aflora o instinto de sobrevivência e proteção. Confesso que me sinto mais medrosa. Não tem aquele ditado “Quem tem toba tem medo”? Pois eu acredito que grávidas têm, uma feature de ativação automática de 9 tobas virtuais quando engravidam! Hahaha! Pois estou muito mais medrosa. Como se tivesse morrido a Ana “porra loka” que pula de para-quedas e acha que quem morre de véspera é peru. Estou bem mais cautelosa.

Tempos atrás, antes de ficar grávida, um grande amigo fez meu mapa astral. Privilégio um astrólogo engenheiro no ciclo. Eu gosto de entender o porquê de certas coisas e acho que astrologia é uma possibilidade (nunca uma certeza pra mim). Ele acertou em cheio muitas coisas referentes aos marcos de minha vida e de minha personalidade. E de quebra fez previsões relevantes para o próximo um ano (e esta é a parte que justamente não acredito). Porém, quando vi que teria intervenção médica por volta de 20 de Junho, passei a ficar mais cabreira. Data próxima do parto, que está previsto pra 12 de Julho. Existe margem de erro e achei muita coincidência. Mas de qualquer forma, tinha uma linha que é meio aquele lance de “não acredito muito mas eu que não vou duvidar”. Dizia pra eu evitar viagem nos entornos de 10 de Fevereiro de 2015, para maior proteção. Ferrou com o Carnaval. Fiquei receosa. E no dia 07 deste mês (lembrem-se da margem de erro do mapa. Eu estava receosa com os 10 tobas na mão. Rs) íríamos para uma chácara em Piracicaba, para o aniversário do tio do Lei e do Rafa. Porém, às 22h da noite anterior, na última sexta, estourou a correia dentada do nosso carro. O que é totalmente atípico num carro tão novo. E agora serão 20 dias pra arrumar. Juro que acredito ser uma espécie de proteção e nem reclamei. Retiro compulsório bem na data que não era mesmo pra viajar. Mas o que eu percebi mesmo e queria compartilhar foi minha reação na sexta, à noite, quando o carro quebrou em plena estrada indo para casa: o tal instinto de proteção. Eu só pensava: “quero ir pra um lugar seguro”. Ao mesmo tempo que liguei pro guincho, liguei pro meu cunhado que prontamente foi me buscar. Não exitei em ir pra casa deles enquanto o Leo esperava a ajuda mecânica sozinho na Raposo. Certeza que eu não faria isso se não estivesse grávida. Acho que não ia querer incomodar o cunhado, tão pouco deixar o Leo sozinho. Mas realmente foi diferente.

Outro dia fomos ao sítio do Seu Zequim, pai de uma grande amiga, e foi louco como não consegui dormir bem a noite toda! A cama da chácara era super ok, mas eu sismei que como eu e o Leo somos muito pesados, a cama poderia quebrar. E a noite inteira fiquei com medo da cama quebrar e eu bater a barriga no chão. Hahaha! Dormi de barriga pra cima (pra proteger) e fiz o Leo brincar de estátua a noite inteira. Não sei o nome que podemos dar a esta feature, se neura ou proteção. Mas ela subiu!

Ontem, quarta dia 11 (que antecede a azarada sexta-feira 13 que leva toda a fama sozinha), fiquei presa pela primeira vez no elevador aqui na empresa. Todo modernoso. Não dá nem pra sentir muito medo. Estávamos eu, Fabíola e Katia voltando do Café, saindo do Térreo pro 26º andar quando ele simplesmente deu uma despencada básica, um Mini Hopi Hari. Seguido de uma boa travada. As meninas ficaram parecendo um mangá! Cada uma pegou num braço meu, com os olhos arregaladaços (pareciam as Meninas Super Poderosas! Hahaha) e a Fabíola falou apavorada: “Calma, Calma! Não fica nervosa que está tudo bem!” Tive um ataque de riso. Mas só porque não estava com medo. Achei graça porque se tivesse medo aquela cara da Fabíola me infartaria! Hahaha! Tinha mais quatro moços no elevador e eu não demorei muito pra já preparar todo mundo: “Seguinte. Eu não tô com medo. Mas já estava apertada pra fazer xixi. Se a gente ficar aqui, tipo, uma hora, eu vou ter que fazer nas calças.” E caímos na risada. Mas a medida que se passaram cinco, dez minutos e nada, confesso que comecei a ficar BEM preocupada. Olhava pros cantos do elevador e pensava: “Vou ter que escolher um pra fazer xixi”. Hahaha! Foi engraçado e desesperador. Sorte que rápido. Depois de quinze minutos o elevador foi descendo bem devagar até parar no Térreo e o bombeiro abrir pra podermos sair. Fiquei só com uns três ou quatro tobas na mão. Afinal, eu tinha sonhado uma semana antes que isto aconteceria (acreditam?) e que tudo terminaria bem. Mas foi sonho de terror: o elevador despencava mesmo, muitos e muitos andares, tipo Hopi Hari completo, e a Joice no sonho falava pra eu deitar no chão do elevador com a barriga pra cima, pra quando batesse no chão. Credo! O que aconteceu ontem foi bem mais tranquilo que o sonho....
E contar isto me fez lembrar de uma última experiência nova que quero compartilhar: fiz xixi nas calças. Hooo, gente! Lembrei do filme “O que esperar quando se está esperando” e JURO que achei que não aconteceria comigo. Mas aconteceu mais ou menos. Depois de duas horas no trajeto casa-trabalho, estava estacionando o carro e espirrei. Senti que deu uma escapulida, mas eu não estava tão apertada para fazer xixi. Estava com vontade, assim, normal. Tenho tomado menos líquido pra sair de casa por conta do buffer estar realmente bem menor. Mas quando levantei do carro, e olhei pro meu banco que é de couro, vi que tinha feito mais xixi que eu imaginava. É estranho demais! Não é como quando você está apertada e não consegue segurar. Você simplesmente faz mais que imaginava e nem sente. Mas como estou com a bendita feature do “medo” ativada, e por fazer tanto xixi tantas vezes ao dia faz com que nem tenha cheiro de xixi, depois de alguns segundos fiquei desesperada achando que não era xixi. Subi pro meu andar do trabalho desesperada, nem aí pra quem pudesse ver a pequena “bolota” no meu vestido (que por sorte era preto). Estava com medo de ser líquido amniótico e que algo tivesse acontecido. Corri pro banheiro mas vi que não era nada grave não. Era a conhecida incontinência urinária, também comum na gestação. Fiquei aliviada e pra minha sorte a amiga ex roommate Dani entrou no banheiro (a gente trabalha juntas). Tive coragem de contar e pedir ajuda. Não sujou quase nada o vestido. Eu estava de meia calça, que ajudou. Tive que contar pra ela que fiz xixi no vestido DELA. Hahaha! Ela me emprestou roupa de grávida e era bem um vestido dela que eu estava usando no dia. Mas tudo bem. Usei lenços umedecidos e vi o quanto eu fui ingênua achando que passaria nove meses sem absorventes ou proteção de calcinha. E aprendi que é melhor deixar a bexiga SEMPRE que possível completamente vazia. Aumentei o número de pings ao banheiro. E segui meu dia, mais experiente e sutilmente mijona.

Fala se não é mesmo uma aventura esse negócio de ser mãe!
Música do Dia:FOR YOUR BABIES (Música simplesmente linda do Simply Red. Aquela famosa com o refrão "I don't believe in many things, but in you I do". Num show dele, ele dedicou aos filhos e à mulher, grávida)

For Your Babies

You've got that look again
The one I hoped I had when I was a lad
Your face is just beaming
Your smile got me boasting, my pulse roller-coastering
Anyway the four winds that blow
They're gonna send me sailing home to you
Or I'll fly with the force of a rainbow
The dream of gold will be waiting in your eyes
 

You know I'd do most anything you want
Hey I, I try to give you everything you need
I can see that it gets to you

I don't believe in many things
But in you I do

Her faith is amazing
The pain that she goes through contained in the hope for you
Your whole world has changed
The years spent before seem
more cloudy than blue
In many ways your baby's controlling
When you haven't laid down for days
For the poor no time to be thinking
They're too busy finding ways

You know I'd do most anything you want
Hey I, I try to give you everything you need
I'll see that it gets to you
I don't believe in many things
But in you I do
 

You know I'd do most anything you want
Everyday I, I try to give you everything you need
We'll always be there for you
I don't believe in many things
But in you I do

Para seus filhos (Tradução)


Você está com aquela aparencia novamente,
Aquela que eu esperava que tivesse quando era um rapaz.
Seu rosto está simplesmente luminoso,
Seu sorriso me deixa orgulhoso,
Deixa minha pulsação como uma montanha-russa.

Qualquer que seja a direção,os quatro ventos que sopram.
Vão me enviar navegando para casa,para você,
Ou eu voarei com a força de um arco-íris.
O sonho de ouro está esperando em seus olhos...


Você sabe que eu faria quase qualquer coisa que você queira.
Ei,eu tento te dar tudo o que você precisa,
Eu posso perceber que isso impressiona você...

Eu não acredito em muitas coisas,
Mas em você eu acredito.


A confiança dela é surpreendente,
A dor pela qual ela passa, contida na esperança por você...
Seu mundo todo mudou,Os anos passados anteriormente parecem
mais nebulosos que tristes.
De muitas formas seu bebe está no controle,Enquanto que você não repousou durante dias.Para os pobres não há tempo para ficar pensando,
Eles estão ocupados demais encontrando os caminhos...


Você sabe que eu faria quase qualquer coisa que você queira.
Ei,eu tento te dar tudo o que você precisa,
Eu posso perceber que isso impressiona você...
Eu perceberei que isso impressiona você...
Eu não acredito em muitas coisas,
Mas em você eu acredito.


Você sabe que eu faria quase qualquer coisa que você queira.
Todo dia,eu tento te dar tudo o que você precisa,
Eu posso perceber que isso impressiona você...
Eu perceberei que isso impressiona você...
Eu não acredito em muitas coisas,
Mas em você eu acredito.


 

 

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