sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Super gêmeos, ativar! Forma de uma Super Mãe!


Quando questionada por uma amiga porque eu fazia este blog, ontem, não tinha a resposta na ponta da língua. Nunca pensei em nada específico. Porque quando comecei a tentar, me via cheia de amarras, podas, regras. E eu buscava um lugar onde eu pudesse ser mais livre. Óbvio que não 100% livre pois o único lugar que o somos é dentro de nosso próprio pensamento. Mas o mais livre possível. Um espaço onde eu pudesse registrar a exata forma como eu me sinto sem me preocupar se estou agradando quem lê, sem me preocupar se estou escrevendo algo que meu filho ou filha goste de ler no futuro, sem me preocupar que seja algo específico para grávidas. Simplesmente um divã. Parei a terapia e acho que este tipo de espaço me faz falta. Sempre fiz terapia justamente por acreditar que se você quer ser tão egocêntrico e falar por uma hora inteira só sobre você mesmo, deve pagar por isso. Mas no blog me encontro um pouco mais a vontade pra fazer isto, justamente por ser livre a escolha de alguém lê-lo (diferente de falar sobre si mesmo o tempo todo numa roda de amigos, onde os cabras não têm tanta facilidade em se dar o direito de escolher não ouvir).
Quando escrevo aqui neste blog, é pura e simplesmente um grande desabafo. E uma forma de dividir experiências e tentar me fazer ser compreendida. Busca besta que sempre tive na vida.
Hoje estou menos engraçada e mais pensativa.
Pensei bastante sobre quão incerta a vida é sobre esse lance de termos filhos. Pensei em pessoas que sempre sonharam em ser mães e nunca engravidaram. Algumas adotaram seus filhos e são mães incríveis. E como é lindo e louco esse lance de amar, independente de ter gerado. Pensei em amigas que optaram por abortos. Pensei em amigas que engravidaram e perderam seus bebês, uma, duas, três e até quatro vezes. E pensei nas famílias humildes em meio às favelas que às vezes tem oito ou nove filhos, sem condições de criar direito nenhum deles. Tudo isto é muito doido. Prima que trabalha com biomédica, Bela, explicou o lance de como existe uma maior propensão do ser humano se procriar em ambientes hostis, para a própria preservação da espécie, da casta. Portanto, 12 descuidos em dias férteis pra mim podem resultar em zero gravidez e 12 descuidos em uma mulher que vive passando necessidades e em meio à violência e drogas pode resultar em 12 gravidez. É a natureza atuando em seu próprio favor. E dá-lhe Bolsa Família! O grande pensamento neste momento é sobre o “ser mãe”, que tem tantas coisas em comum e tantas diferenças ao mesmo tempo... Tem coisa que uma mãe humana faz igual a uma mãe elefanta (outro dia me emocionei muito ao ver uma mãe elefanta chorar, chorar mesmo, de sair lágrima, ao ver seu filhote quase morrendo de sede) e tem coisas que nós, seres humanos, fazemos que talvez um rato não faria com seus filhotes. E a vida segue. Cheia de mães e filhos, de lições, de aprendizados, de alegrias.
Não me sinto mãe ainda. É engraçado. Talvez 4 meses de gestação seja mesmo muito pouco por tudo que está por vir. Mas hoje já consigo olhar com olhos muito mais carinhosos e agradecidos para minha própria mãe. E a admiro cada dia mais por tudo que lutou e ainda luta por nós. Não acho que só a maternidade faz as pessoas melhores. Muitas outras coisas o fazem. Mas tenho certeza que alguém que é mãe, cresceu, espiritualmente falando.
Fico lembrando de um chefe que tive antigamente que tirava sarro de quem dizia que a sua missão de vida era a maternidade. Certa vez ele fez a atrocidade de dizer que uma missão dessas até uma cadela tem. Nunca me esqueço. Esse cara não tem a menor idéia do quão grandioso é gerar uma vida e ter o enorme prazer de lhe apresentar o mundo. Eu fecho os olhos e fico ansiosa por estas partes, que eu acho que serão as mais mágicas do ser mãe. Mostrar o vento, o mar, os bichos, as flores, os gostos, os cheiros, as sensações, o tato, os beijos... Sabe como me sinto? À espera de um grande convidado! Quando participei do Projeto 3G na empresa em que trabalho, tive uma de minhas experiências mais cosmopolitas do ponto de vista humano. Acabei por me relacionar com chinês, japonês, argentino, americano, chileno, mexicano, indiano, tinha de tudo dentro de uma sala de War Room onde varávamos madrugadas. E uma das minhas partes preferidas desta época era mostrar pra estes caras coisas simples do meu país. Era muito legal explicar sobre comidas, danças, músicas,  orquídeas na praça em que passávamos, explicar o que dizia a música Faroeste Caboclo do Legião. Eu me sentia uma show woman, mostrando pra eles tudo que eu mais gostava no meu mundo. Agora, quando imagino meu filho ou filha chegando, sinto isto multiplicado por mil vezes: mostrar cada detalhe mesmo. Ele (a) virá assim, zeradinho... Cada borboleta, cada ursinho de pelúcia, cada afago, será eu, minha família e meus queridos, mostrando o mundo belo como é pra este serzinho humano tão especial. Esta, pra mim, é a parte mais mágica e que eu mais espero hoje, com apenas 4 meses de gravidez.
Quando engravidei, tinha em pequeno espaço da minha mente, que deveria estar preparada pro que der e vier. Que existia a possibilidade, porque não, de eu não conseguir levar a gravidez adiante. Como muitas amigas perderam, eu também poderia perder. E imaginava que seria duro mas que eu deveria estar pronta pra isso. Ficava brava quando minha mãe, tadinha, pra me tranquilizar, dizia que “era só acreditar em Deus que dava tudo certo”. Contestava dizendo que minhas amigas que perderam naturalmente seus bebês também acreditavam em Deus e que isto não era um castigo, mas sim um plano diferente do que gostaríamos, mas que às vezes O próprio Deus achou melhor que vivêssemos, seja pelo plano espiritual da mãe, do pai, de um próximo ou do próprio bebê que nem chegou a nascer. Mas sempre rezei mesmo assim. Pedindo que tudo fluísse bem na minha gravidez porque eu quero muito ser mãe. Chegava a argumentar com Deus que nunca tinha usado drogas, sempre cuidei da saúde de meu corpo neste sentido, que não seria justo que algo desse errado. Mas logo me compunha em humildade e pensava, não são só estas as variáveis e estarei pronta pro que der e vier.
Hoje, entrando no quarto mês, não consigo mais imaginar minha vida sem este bebê lindo e saudável em meus braços. Quero mais que dê certo agora do que eu queria há meses atrás. E quando alguém fala em maior amor do mundo, talvez ainda não sinta isso tudo, mas tenho certeza que vem crescendo.
Aquele ranso de ser grávida vai passando. À medida que os sintomas vêm melhorando. Consigo achar graça dos gases ao invés de ficar revoltada como no descolamento. Eu costumo brincar dizendo que até o dia do parto, o que acontece com as mães é algo parecido com o que acontece no filme MIB: um grande apagão. Sabe aquela cena que alguém pede para você olhar pra uma caneta e num click te faz esquecer de tudo que não convém lembrar? Acho que é assim no parto. Minha mãe falou que Nossa Senhora Aparecida passa a mão nos olhos da mãe e a faz esquecer das partes difíceis da gravidez. A mesma crença que eu, só que a minha, na versão MIB. E assim as mulheres tem coragem de ter mais de um filho. Acho que aos poucos a parte boa vai ficando tão maior que a parte não boa, que vamos tomando gosto pela coisa. Eu, mês passado, brincava que irmãozinho (a) do baby seria só se fosse adotado. Que grávida eu não ficaria mais. Hoje, na 15ª semana, já penso que se ficar tudo tão bem como agora daqui pra frente, eu aguentaria mais vezes ficar grávida.
Estou quase gostando. Só não falo que gosto porque tenho medo do que está por vir. Rs.
Mas tenho certeza que ser mãe é um presente de Deus.
Quando eu tinha 25 anos, há 8 anos atrás, achei que estava passando pela maior dor de minha vida. Eu namorava um rapaz há mais de dois anos, trabalhávamos juntos, e no fim acabei sabendo de uma sobreposição de eventos na linha do tempo: ele ficou com minha melhor amiga da época (também do trabalho) sem antes terminar comigo. Infidelidade não costuma matar ninguém. Mas deslealdade achei que mataria. Acordava em meio às madrugadas sem entender como minha amiga tinha tido coragem de fazer algo assim. Nem lembrava do namorado. Mas da amizade, foi dureza. Mesmo semi-herege que sempre fui, o desespero era tanto que eu abria a Bíblia buscando consolo. E provavelmente por isto, Deus me ouviu e em pouco tempo me acalmou. Em menos de um mês já era piada. Não apenas pra toda empresa que a gente trabalhava (fui corna em rede nacional) mas pra mim mesma. Ganhei uma camiseta do Zerbetto que tinha o emblema da Cervejas Caracu que tinha um touro no meio e os dizeres “Corno é Tu” e até fui trabalhar com ela numa sexta, desafiada por meu chefe da época, que teve que me pagar um almoço onde eu escolhesse. Acho que desde então esta passou a ser uma de minhas maiores virtudes: aprender a rir do que nos faz chorar. Óbvio que não é fácil, sempre. Mas é uma busca que faz da minha vida algo mais leve. Contei isto porque acho que perder a Aline como amiga, foi uma das minhas maiores perdas na vida. Fico feliz por ter perdoado, compreendido e seguido em frente acreditando no poder de uma amizade. Não são as exceções que devem definir as regras. Eles se casaram, meu ex namorado e minha ex melhor amiga. E um belo dia alguém em ligou pra me contar que ela tinha perdido um bebê. Não no segundo nem no terceiro mês. Mas já no parto. Eu fiquei muito triste no dia. Desejei ser sua amiga ainda pra poder ir abraça-la. Na verdade preferia nem saber. Povo fofoqueiro que me ligou sendo que nem éramos mais amigas. Mas tenho sonhado com ela vários dias. E acordo no meio da noite, e rezo. Espero nunca sentir esta dor. Mas sinto uma compaixão que não sabe no meu peito... E uma vontade de abraçar ainda mais forte hoje, grávida, todas as amigas que passaram por isso. Talvez eu nunca saiba o que é isso. Mas EU JURO que posso imaginar.

Obrigada, Deus. Por minha saúde. E pela saúde de meu (a) filho (a). E porque eu serei mãe.

Obrigada, Deus. Por minha família que é meu alicerce e por meus amigos que são minha diversão.

Obrigada, Deus. Pelo amor de minha vida, e pai de (s) meu(s) filho(s) que é, além de um marido maravilhoso, um ser humano espetacular. Sinto o carinho em suas mãos quando passa loção em minhas pernas inchadas e seu amor cada vez que ele beija, beija, beija minha barriga. O Leandro foi, sem dúvidas, uma das minhas mais preciosas bênçãos.
 
Música do Dia: Tocando em Frente (Almir Sater)

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.


 

4 comentários:

  1. Eu gostaria que você postasse três edições diárias. Hahahaha... Eu leria TODAS!
    Gênia! Te amo!
    Força aê!
    Bjo!
    Dani Guada

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    1. Já queminha mãe não é internauta, inda bem que tenho você!!! Kkkk love u

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  2. Ana vc é um ser humano incrível, admirável!
    Amo ler as coisas q vc escreve, vc consegue despertar em quem está lendo todos os sentimentos no mesmo post.
    Acho q deveria considerar a idéia de um blog mais divulgado e abrangente p dividir suas experiências c a maternidade. Isso sem dúvida ia ajudar muitas mães q não conseguem exteriorizar o que sentem.
    Não estou falando de experiência com pomadas, mamadeiras e etc, isso já tem aos montes!
    Mas nunca vi ninguém falar de sentimentos de uma forma tão ilustrativa e descomplicada como vc.
    Bom, ansiosa pelo próximo post. Tô amando!
    Bjus p vc e p o baby!

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