Lembrei de um vestido que minha mãe me deu há anos atrás e que eu não usava porque parecia que eu estava grávida. Bingo! Me serviu (pasmem: ainda não engordei nenhum kilo embora esteja com barriga de melancia) e fiquei assim, como na foto: muito grávida.
Foi um dia especial.
Insistiram pra que eu "furasse a fila" na Starbucks em pleno horário de pico, foram super solidários comigo para entregarem a chave do posto de gasolina que tive que parar no meio do caminho pra casa com vontade de fazer xixi porque bebi muuuita água e comi muito gelo (minha bexiga não tem mais capacidade pros 35km que separam meu trabalho da minha casa), sorriram mais pra mim....
Foi um dia radiante. Eu me senti verdadeiramente grávida.
Estive inspirada para fazer piadas e pude até me lembrar da estória engraçada sobre a primeira vez que fiz "depilação cavada" na vida quando entramos, eu, Fabíola e Luciene Mello, neste tema depilatório. O que rendeu boas risadas. Preciso lhes contar:
A primeira, primeira vez que fiz depilação na vida, quem me levou foi minha mãe 2, a Sandra, uma mãe de coração. Eu tinha 14 anos e iríamos passar as férias em Maceió. E apesar de sempre ter tido pouco pêlo, tinha uns na canela que me incomodavam. Nada que meia-perna não resolvessem. E experimentei o gosto de fel de fazer virilha pela primeira vez. Aos 14. Anos se passaram e eu me virava com gilette até começar a trabalhar na NEC, na época, onde me senti mais mocinha, aos 17, e assim como minhas amigas do trabalho, marquei um dia depilação na hora do almoço e fui. Constrangedor. Hoje, aos 33, depois de tantas depilações, papanicolais e ultrassons transvaginais, óbvio que perdemos um pouco do pudor. Mas aos 17 era tudo muito novo. A Leni, com quem me depilo até hoje quando dá (mesmo 16 anos depois), é uma pessoa maravilhosa e uma profissional brilhante! Arretadíssima!
- Tira toda a calcinha e deita.
- Precisa tirar?
- Precisa. Se não enche de cera.
Subi constrangidíssima na maca coberta de papel de rolo, nua da cintura pra baixo, e segui conversando pra tentar pegar o mínimo de intimidade com quem viria tanto do meu eu...
- Que você quer que faz?
- Hoje é quase minha primeira vez. Faz tudo que achar que precisa.
- Você tem pouco pêlo... E a tendência é diminuir. Até os trinta você nem precisa mais vir aqui (bobagem. Continuo com os mesmos poucos pêlos de sempre). E blablablá. A Leni fala pelos cotovelos! Verborrágica, como diria minha amiga Fabíola. E é rápida. Em uns dez minutos tinha feito toda a parte da frente daquele corpinho magro e jovem da época.
- Você nunca fez? - perguntou ela passando talco nas pernas.
- Fiz quando tinha 14. Mas pouca coisa.
- Mas então faz tempo?
- Faz... Vixe!!!
- Faz anos?
- Faz - dei uma pausa fazendo as contas quando fui interrompida.
- Vira.
Virei terminando as contas.
Pluft! Cêra no toba.
- Que cê tá fazendo? - perguntei indignada. Se estava estranho colocar a cêra, por ser o que de mais que te "ele" já tinha provado, já nem poderia imaginar como seria aquilo sair.
- Perguntei pra você: "faz ânus?" E você disse "Faz"...
E caímos na risada. E assim, por um problema de fonética, que fiz minha primeira depilação cavada...
Rimos horrores ao lembrar. Me sinto bem menos bege. Agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada.
Sem enjôos, sem azias, sem cãimbras.
A da vez são os gases (sobretudo causados pelo polivitamínico que estou tomando) e excesso de salivação. Acordo vira e mexe engasgada com a minha própria baba. Depois das terríveis sensações de intoxicação alimentar que senti nos três primeiros meses, definitivamente, isso não é nada.
No começo do mês fui fazer minha depilação cavada com a Maria, aqui perto de casa, e ela estranhou que eu nem reclamei, nem gritei e nem choraminguei. Sempre passo minhas sessões perguntando quem foi o 'viado' que inventou a depilação e como seria se estivéssemos todos na ilha de Lost (a Kate era linda sem se depilar). Mas desta vez nem doeu. Sinto que meu corpo e mente estão se preparando para "emoções" maiores que estão por vir. Estou me fortalecendo.
Descobri que é bom depilar tudo, 100%, em épocas de parir.
É Assim mesmo: quando você acha que já sabe tudo e já viveu tudo sobre um assunto, vem novidade. Ficar igual um neném será estranho. E outra: como vou depilar tudo atrás se já não consigo me virar de bruços? Oh, shit! Rs. Mas vamos que vamos! Isto tudo é muito divertido!
Um dos sintomas da gravidez, quando a mulher tem muita miopia (como é MESMO meu caso - rs), é enxergar piorzinho. Nem sempre nos adaptamos ao uso das lentes de contato. Mas uma coisa é fato: enxergamos mais bonito. Tenho me emocionado mais ao ver qualquer coisa de amor e criança. Parece que ouço mais o cantar dos pássaros e coisas do tipo e hoje eu me senti acarinhada por pessoas absolutamente estranhas simplesmente por estar assim, tão grávida. Delícia!
Também me sinto muito cuidada por queridos. As amigas que me incentivam a comer frutas como a Fabi que me presenteou com um pêssego hoje e me motivou a experimentar lichia (até descascou pra mim, como se fosse minha irmã mais velha), a Lu que está mais carinhosa e divertida ao meu lado no trabalho e nem reclama dos meus arrotos, a Sil que não pára de me segurar quando andamos na rua por medo de que eu caia (estamos há 180 dias sem acidentes), busca minha comida e leva minha bandeija na praça de alimentação por puro carinho, minha mãe, meus irmãos, minha cunhada, o Leo. Ah, o Leo! Uma gratidão especial a ele pelas noites mal dormidas por eu acordar até três vezes pra fazer xixi e ele ter o sono leve. Por cozinhar qualquer coisa que eu peço alegando que estamos brincando de "Master Chef", por pegar mil vezes coisas lá em cima quando estou em baixo e mil vezes coisas lá embaixo quando estou em cima, sem pestanejar. Estamos, eu e o baby, literalmente amparados.
Estou amando!
Música do Dia: Grávida (Marina Lima)
"Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor
Eu tô grávida Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz
Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal
Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz!"

Perfeito o vestido, ficou linda! A gravidez me confunde porque quase tudo que foi ruim eu esqueci. Na segunda gravidez, eu nem sequer me lembrava do gosto ruim e do sono infindavel que sentia nos primeiros meses e tudo passou, ficaram as lembrancas mais doces, essas que voce citou: os sorrisos, as perguntas de estranhos de quantos meses eu estava, os comentarios de que eu era muito nova (mesmo eu nem sendo), os conselhos...tudo! Falando em conselhos, prepare-se para depois do nascimento, pois todo mundo vai se emeter na sua vida..rs...
ResponderExcluirMorri com sua historia! Beijos!
Darti querida, obrigada por estar por perto nesta fase, compartilhando e permitindo que eu compartilhe. Vc é uma mãe linda, exemplar e inspiradora!!!!
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