quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Às margens do Rio Piedra, eu sentei e arrotei

Desde que entrei no quarto mês, deixou de ser tenso e passou a ser divertido. Nunca fiquei tão feliz em voltar ao trabalho, mesmo com todo o clima desmotivador que encontrei. E depois que fizemos o morfológico parece mais real a idéia de ser mãe.

Ainda não sabemos o sexo. Com doze semanas do morfológico seria apenas um grande chute e pedi pro médico só dizer quando tivesse certeza. Que eu faço com a possibilidade de 60% de ser menino ou menina? Este é o tipo de coisa binária, zero ou um. Vou comprar 60% do quarto rosa ou azul? Não né. Melhor esperar. O próximo ultrassom será em 05 de Fevereiro e lá já teremos 17 semanas completas. Aí é só comer chocolate (Opa! Uma parte boa em meio à gravidez dos enjôos! Rs) e rezar para que o bebê não seja muito tímido ou fanfarrão. Mas se cruzar as pernas eu saio de lá e faço o de sangue. Não aguento mais não saber. Agora é oficial: estou curiosa.

Os enjôos melhoraram. Na verdade só acontecem se eu passo de três horas sem comer. É a maior reeducação alimentar pela qual já passei. Estou no quarto mês e para minha tranquilidade ainda não engordei nenhum kilo. Fico brincando que o baby é um pac man que tá comendo minhas gordurinhas, deve curtir bacon. Tadinho! Sinto minhas costas um pouco mais magras e minhas pernas também (se bem que estas são tão gordinhas que só eu mesma consigo ver). Mas a minha barriga está e-nor-me! Passamos daquela fase super engraçada em que as pessoas não sabiam se eu estava grávida ou se o Natal tinha rendido uma dose extra de pança. KKK. Os olhares com dúvida: nunca esquecerei! Não parece MESMO que estou só de 4 meses. Volta e meia alguém pergunta se é só um mesmo. A saúde continua em condições perfeitas: exames de sangue, pressão, tudo. Graças a Deus. É minha maior preocupação. O resto depois se ajeita. Nestes dias de muito calor tenho sofrido, desde já, com inchaços. Ao fim de um longo dia de trabalho, minha perna fica parecendo aqueles travesseiros da NASA: a gente aperta e até demora pra voltar. Hahahaha! Não é pra tanto. Só achei a piada boa e não podia perder! Tenho usado uma loção para gestantes da Natura, específica para pernas e pés. Gosto bastante. Mas neste calor, até os não grávidos tem sofrido. E por estar tão, tão calor tomei coragem e fui para a piscina do condomínio lá de casa, refrescar a pança. Primeira vez em mais de três anos que o fiz. Deixei a vergonha do meu corpo de lado. Na verdade estou amando minha barriga. Óbvio que adoraria ser magra, mas é como se tivesse rolando uma “figuinhas" neste assunto. Estou amando minha barriga. Sinto que meu baby tem um duplex para crescer. Nada de quitinetes. Hahaha!

O enjôo deu lugar à azia. Bem mais comum por agora. Coisa de vó dizer que é porque será cabeludo (a). Segundo minhas enquetes, bebês carecas e cabeludos causam azia nessa época. Não tem jeito.

Eu continuo sonhando que é menino. Já sonhei que amamentei (minha maior preocupação hoje. Quero muito que dê certo por bastante tempo). Sonhei que estava abrindo a fralda e vi o pipi dele. Mas meu médico, sem olhar nada em ultrassom, mediu minha barriga e pediu pra chutar. O palpite do Dr. Dalton é que será menina. Perguntei se tem algum fundamento científico e ele disse que não. Que apenas já viu milhares de grávidas. Agora cismei  que é menina. Dizem que o diabo não é bom porque é o diabo. Mas porque ele é velho e experiente. Sei lá. Não vejo a hora de saber.

Além da azia, desde que voltei a trabalhar, tenho sofrido um bocado com gases. Em casa é on demand. Sentiu vontade, a gente solta. No trabalho é tudo diferente. Passo o dia inteiro sentada ou em minha mesa ou em reuniões. Como ei de peidar? Tento bufferizar tudo que aguento e de tempos em tempos vou ao banheiro. Na maioria das vezes sem sucesso. Não mando neles. Leo me zoa que não sou Jedi. Que ele solta quando quer. Resultado: depois de aproximadamente 11 horas sentada (8 horas trabalhando e 3 de translados no carro) e sem poder peidar por respeito ao próximo, minha barriga termina o dia muito dura e cheia de incômodos. Tenho comido coisas para tentar melhorar isto, mas o ideal seria poder caminhar mais, nadar de leve, enfim. Só consigo aos finais de semana quando não sinto nada disso. Mas vou sobreviver. Às vezes tenho a sensação de que comprei um balão de gás hélio da Galinha Pintadinha e engoli para dar de presente ao bebê. Rs. Arroto o dia inteiro. Mas a esta altura, nem reclamo mais. Se não arrotasse certamente explodiria. Eu brinco com minhas sobrinhas que estão passando férias em São Paulo (elas são de Brasília) que a tia fala “Arrotês”, novo idioma. E falo arrotando com elas. Hahaha! A maior, Barbara de 7 anos, diz que é uma falta de respeito arrotar daquele jeito. E eu falo que não sou eu, que é o bebê. Aí a menor, a Valentina, disse que só pode ser menino. Que nenhuma menina arrotaria daquele jeito. Sociedade machista. Até as crianças! Rs. Decidi parar de brincar com isso quando a Barbara abaixou as calças e ao repreendê-la, ouvi: “Quem é você pra me corrigir arrotando alto desse jeito?” Melhor levar esse lance mais a sério. Rs. A colega de uma amiga tinha apelido de Hiroshima quando grávida. Super me identifico. Estou uma Bomba!

A vida segue. Divertida. Estou semi-motivada a escrever um livro de auto-ajuda “O que não dizer para grávidas”. O que incluiria algumas coisas que ouvi do tipo: “e se for hermafrodita?” ou “nessa época em que o sexo é proibido, é quando os maridos mais pulam a cerca” (Oi?), ou “já ouvi histórias de crianças tão alérgicas a tudo que nem os pais podiam beber leite pois, se bebessem e beijassem a criança, ela empipocava.” Hahaha! E as que soam como “pragas”? “Você nunca mais vai dormir!” ou “Você acha que vai engordar na gravidez? Depois de ter vai engordar mais ainda e nunca mais vai conseguir emagrecer.” Ou “esse hormônio que você tomou pro descolamento leva anos e anos para sair de seu organismo. Serás gorda.” Ou então, às vésperas do exame para saber se o descolamento sarou: “Existe uma grande chance de você passar o resto de sua gestação em cima de uma cama.” (Oi?)

Gente. Eu sei, a realidade existe e não adianta ser Alice no País das Maravilhas o tempo todo. Mas seria possível não ser tão “Datena” com as grávidas?

Definitivamente um sintoma que tenho certeza que não tenho é um grande descontrole hormonal que me deixe furiosa ou chorona. Pois de todas as merdas que ouvi, só chorei uma vez (quando cogitaram que eu ficaria 6 meses acamada) e AINDA não assassinei ninguém. Rs.

Segue o jogo! Baby já tem unhas, cabelos, rostinho formado de olhos fechados... Ele arrota, dobra os joelhinhos e braços e tem reflexo. Mal posso esperar a 20ª semana quando ele começará a escutar. Não para ouvir estas coisas que falei. Mas música e as vozes de todos que os amam e que desde já, já conversam com minha barriga....

Mamys feliz. (ARHHH! – som de arroto -) e arrotando.
 
Música do Dia: Rosa de Hiroshima (Ney Matogrosso) - Em tom de brincadeira por conta dos meus gases mas com imensa compaixão em pensar em todas as crianças e grávidas que viveram tão triste momento de sentir na pele a Bomba Atômica. Nossa! Como somos capazes? #SeresHumanos
"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada..."

#EngoliUmBalão

 

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